Edvaldo usa termos grosseiros em ofício dirigido ao presidente

Edvaldo Godoy demonstrou rancor com o teor do ofício a Pinhata

Vereador escreveu que presidente
Pinhata busca “apadroar o pódice”

Dos seis vereadores “faltosos” na atual legislatura, notificados pela presidência para apresentar suas defesas, o único que agiu de forma diferente foi Edvaldo Godoy (SD). Junto com a defesa elaborada por um advogado, ele acrescentou um ofício dirigido ao presidente Paulo Pinhata em termos ofensivos e jocosos. O documento, na verdade, é uma mera apresentação da mesma defesa apresentada pelos demais vereadores da base governista. Portanto, seria desnecessário. Nenhum outro vereador notificado fez o mesmo.

A defesa dos governistas está a cargo do advogado Marcelo Picinin, ex-integrante do atual governo e defensor do prefeito Otacílio Parras (PSB) em causas particulares. É Picinin, por exemplo, quem apresentou a defesa do prefeito na ação civil pública por improbidade administrativa no caso de pagamentos irregulares à rádio Difusora.

É provável que o próprio Picinin tenha redigido o curioso ofício assinado por Edvaldo Godoy, pois alguns termos fazem parte da verve do advogado. Se isto aconteceu, entretanto, foi a pedido do próprio vereador.

O ofício demonstra rancor da parte de Edvaldo. Ele colocou entre aspas alguns termos de tratamento ao presidente, dando a ideia de diminuição do cargo. É o caso das palavras “presidente”, “ilustríssimo” e “nobre parlamentar”. Na gramática, usam-se aspas onde não são necessárias para ironizar ou dar um significado a uma palavra fora do seu contexto habitual.

Mas não foi só. Ao mencionar que Pinhata detém um arbítrio que o cargo lhe impôs, Edvaldo cita que o presidente age “sempre na incansável e congruente busca de apadroar o pódice”. São palavras que dificilmente são usadas, mas foi um recado grosseiro. “Apadroar” significa proteger ou favorecer. Pódice, por sua vez, é “o conjunto formado pelas nádegas e pelo ânus”.

Em português chulo, certamente Edvaldo disse que Pinhata busca “tirar o … da reta”. Não é um vocabulário compatível com um vereador, ainda mais num ofício interno que está arquivado na Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo. Também não é razoável que um professor que leciona para adolescentes de escolas públicas e privadas use este tipo de palavreado.

Edvaldo Godoy é candidato a vice-prefeito na chapa de Diego Singolani (PSD). A indicação dos dois foi feita há meses pelo prefeito Otacílio Parras (PSB).

Procurado na semana passada, o presidente Paulo Pinhata reconheceu que palavras chulas foram usadas no ofício do vereador Edvaldo, além de ironias em pronomes. O presidente, porém, disse que vai analisar se é caso de denunciar o colega na Comissão de Ética da Câmara.

  • Publicado na edição impressa de 24/05/2020
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