Apesar da alta dos casos de covid-19, comércio reabre as portas com protocolos

No sábado, comércio já iniciou a reabertura em Santa Cruz do Rio Pardo

Comerciantes de Santa Cruz se dizem
entusiasmados com a volta do mercado,
mas temem novo fechamento

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Pela primeira vez em dois meses, a rua Conselheiro Dantas, no centro de Santa Cruz do Rio Pardo, voltou a ficar lotada a partir de sábado, 30. É retrato do entusiasmo não só dos comerciantes, mas também da população — ansiosa para poder voltar à normalidade.

Mas ainda é preciso ter calma. Na semana passada, o governador João Doria (PSDB) decretou regras para o relaxamento do isolamento social. São quatro fases que regulamentam os níveis de abertura.

Santa Cruz do Rio Pardo se encontra na fase 2 — quando, entre outros critérios, o município possui entre 70% e 80% dos leitos de UTI ocupados. Entretanto, existem riscos, pois o número de casos de covid-19 na cidade está aumentando.

Agnaldo: aposta de junho está no Dia dos Namorados (Foto: André Fleury)

A chamada “fase laranja” permite a reabertura do comércio de rua sob a condição de que limitem a 20% sua capacidade de atendimento. Bares e restaurantes ainda não podem oferecer consumo local.

Na sexta-feira, o prefeito Otacílio Parras (PSB) regulamentou o relaxamento em Santa Cruz. O uso de máscaras segue obrigatório, e a utilização de bebedouros e vestiários permanece proibido. A mão de todo cliente deve ser higienizada com álcool em gel.

Otacílio não determinou, no entanto, o horário de funcionamento do comércio. Pelo decreto estadual, a jornada de trabalho deve se limitar a quatro horas seguidas.

Mas comerciantes já se dizem entusiasmados com a reabertura das portas — mesmo que sob restrições.

Artur Araújo acredita na normalização das vendas em meses

Presidente da Associação Comercial, Artur Araújo, 52, é proprietário da Casa Araújo, cujo foco é a venda de brinquedos. Ele crê que as vendas possam se normalizar em questão de meses.

Sem poder receber público, as vendas na Casa Araújo caíram bastante, admite. “Por serem brinquedos, geralmente a própria criança, junto com os pais, vêm escolher. O delivery não funciona muito no meu caso”, conta.

Ele espera, no entanto, que todos contribuam com o retorno das atividades. “Agora, só depende da gente. A população precisa colaborar”, explica. Uma das medidas é não deixar que haja aglomeração dentro do recinto.

Com a soltura de fogos proibida, Francisco “Tivé” prevê junho pior em comparação a outros anos

Já Francisco Wolf, 70 — o “Tivé” da Casa Garcia —, não ficou com as portas totalmente fechadas durante todo o período de isolamento. Voltado a materiais de construção, ele pôde abrir seguindo protocolos.

Conta, no entanto, que sentiu queda nas vendas. Se diz feliz com a volta do comércio, mas admite que prevê um junho ruim em comparação aos anos anteriores.

É que o mês é período de festas juninas — e a soltura dos tradicionais fogos de artifício está proibida em Santa Cruz do Rio Pardo. “As vendas, então, vão seguir conforme os outros meses, imagino”.

No setor de tecnologia, o gerente-administrativo da “Casa do Celular” Agnaldo Altino conta que conseguiu manter a renda da loja durante o isolamento. Atendendo remotamente, a queda brusca nas vendas se deu, sobretudo, no primeiro mês de isolamento. “Acho que foi por causa do susto. Todo mundo começou a economizar”, lembra.

Mas o mês seguinte já se manteve estável. “Agora é preciso ter consciência. Muitas vezes será preciso esperar na porta das lojas”, aponta.

A aposta, agora, está no Dia dos Namorados, que se comemora no próximo dia 12. “As vendas costumam ser positivas. Muitos casais se presenteiam com celulares”, diz. 

  • Publicado na edição impressa de 31/05/2020
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Proprietário e Editor do Jornal Debate