Jovem, frei dominicano crê em retomada da vocação no mundo

Frei Bruno Moreira, um dos sacerdotes dominicanos mais jovens do País (Foto: Sérgio Fleury)

Frei Bruno Moreira, do Santuário Nossa Senhora de Fátima, completou 30 anos

 

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Aos 30 anos, completados no domingo, 24, o frei dominicano Bruno Moreira admite que a vocação religiosa está em queda, mas, ao mesmo tempo, ele acredita que o mundo vai sofrer transformações. “Tenho certeza que a busca por Deus vai aumentar em todos os sentidos”, disse.

Nascido em Goiânia, ele entrou para o seminário aos 19 anos e se ordenou padre com 26 anos. Há quatro anos em Santa Cruz do Rio Pardo, Bruno disse que a cidade foi a primeira em que atua como religioso.

“Ninguém nasce padre. Eu, por exemplo, comecei tarde os estudos religiosos”. Para tanto, ele admite que abandonou o curso de Administração de Empresas e até uma namorada com a qual tinha, inclusive, planos para se casar. “Eu nem ia muito à igreja. Na verdade, frequentava as missas com meus avós”, contou.

Aos 17 anos, conheceu um frei dominicano e, ao mesmo tempo, uma prima o convidou para participar de um grupo voltado à infância. Foi aí, segundo ele, que percebeu um “chamado” no coração. Descobriu, então, sua verdadeira vocação.

A queda vocacional, segundo Bruno, é consequência dos costumes “modernos” espalhados pelo planeta. “Hoje, o mundo está oferecendo muitas oportunidades para a juventude, que na verdade são felicidades enganosas. Os prazeres da carne, do poder e da riqueza acabam atraindo a juventude, deixando de lado a verdadeira realização”, explicou.

Segundo o frade, a própria Igreja sofre com este mecanismo, pois a vocação diminui, assim como os fiéis e os devotos”, explicou. “É uma bola de neve que o Brasil e o mundo se envolveram”, avaliou.

Um exemplo é a Escola Apostólica Dominicana de Santa Cruz, que teve seu apogeu na década de 1970, fechou as portas e voltou a funcionar em 2015. Hoje, há seis alunos matriculados, mas há previsão de outros no segundo semestre. Mesmo assim, o número é muito pequeno se comparado à época áurea da instituição.

No entanto, Bruno Moreira acredita numa reversão deste quadro. “A própria Igreja teve altos e baixos ao longo da história. Já esteve no fundo do poço e se reergueu. Eu acho que este é um momento sob o olhar profético que estamos vivendo. Mas o desafio é voltar a cativar os jovens e saber como levar a mensagem de sabedoria e vida para todos, especialmente neste momento conturbado e de pandemia”, disse. “Acredito que isto vai acontecer, mesmo que não seja imediato”, completou.

Frei Bruno revelou que as crianças são a grande esperança em um mundo melhor. “Temos quase 200 crianças na catequese e percebemos que têm formação para serem cidadãos que podem atuar na sociedade. Mesmo que não sejam padres, são nossa grande esperança”.

Além disso, o religioso disse que faz o acompanhamento de 20 jovens espalhados pelo País. Há troca de correspondências e orientação pelo whatsapp.

Missa campal

Bruno Moreira avaliou que, mesmo com as igrejas permanecendo fechadas, a tendência é retomar aos poucos as atividades. “Muitos fiéis me procuram, por telefone ou pela internet, procurando orientações. Percebemos que há uma carência da fé”, disse.

Ele anunciou planos para realizar missa campal no sistema “drive thru”. A ideia é usar o campo de futebol do Colégio Dominicano, onde as pessoas entrariam em carros. “As missas serão realizadas em vários horários, de acordo com a capacidade de carros”, explicou.

Enquanto isso, o conselho é ter paciência. “Estamos num momento de passagem. Mas eu sempre digo que sempre ao final de uma escuridão há uma porta de luz. E esta porta se chama Deus”, afirmou.

  • Publicado na edição impressa de 31 de maio de 2020