Na quarentena, construção civil manteve metas

Irmãos, Leandro e Bárbara Logullo não veem crescimento e nem déficit para este ano: “Será um aprendizado” (Foto: André Fleury)

É o que afirmam os diretores de uma das mais conceituadas empresas do ramo em Santa Cruz do Rio Pardo, a Quatro Irmãos

 

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Pode soar estranho, mas alguns ramos do mercado não foram tão afetados pelas medidas de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. É o caso da construção civil. Uma das mais conceituadas empreendedoras do ramo em Santa Cruz do Rio Pardo, a Quatro Irmãos não só conseguiu manter o quadro de funcionários como também permaneceu levantando casas durante praticamente todo o período.

Seguindo os protocolos de segurança, o trabalho dentro dos escritórios também foi mantido. “O mais complicado foi a interrupção do atendimento ao público”, diz Leandro Logullo. É que a maioria dos clientes costuma ir até a sede da empresa para discutir projetos ou realizar pagamentos.

Em março, quando os casos da doença começaram a subir no Brasil, o fornecimento de materiais ficou limitado. Em meados de abril, sem fornecedores, as obras chegaram a ser interrompidas por alguns dias. “Mas as coisas foram se ajustando e nós logo voltamos a construir”, cita Leandro.

Não há ainda um cenário normal de compra de materiais — muitos deles ainda estão em falta no mercado —, mas nada impede a continuação das obras. “Existe uma dificuldade no prazo de entrega dos produtos que precisam ser comprados diretamente da fábrica”, explica. As grandes indústrias também estão atuando com equipe reduzida.

Loteamento recente projetado e construído pela Quatro Irmãos; diretores da empresa rejeitam a hipótese de que 2020 é um “ano perdido”

A pandemia, na verdade, foi o grande impasse do ramo da construção civil. Diretora da ‘Quatro Irmãos”, a engenheira Bárbara Logullo lembra que, com o mercado desaquecido nos últimos anos, a aposta do setor estava em 2020. “Tínhamos vários projetos em mente. A expectativa era muito grande”, conta.

Nem todos eles foram perdidos, conta Bárbara, mas os prazos precisaram ser estendidos. “Algumas coisas não foram para frente. Outras, em contrapartida, sim”, afirma. Análise técnica dos projetos, por exemplo, puderam ser realizadas neste período sem empecilhos.

A engenheira não descarta a ideia de que, em alguns sentidos, as medidas de isolamento foram positivas para a empresa. “Foi quando conseguimos resolver projetos pendentes”, aponta. “O compromisso com o cliente pôde ser mantido, já que todos passamos a trabalhar internamente. Em linhas gerais, os prazos com o Poder Público foram suspensos ou prorrogados”, diz Leandro.

Um loteamento da empresa — próximo ao bairro Parque São Jorge — está prestes a ter as obras iniciadas. A parte técnica já está praticamente finalizada, faltando algumas poucas aprovações de órgãos públicos. Desta vez, porém, não haverá evento de inauguração como nos anos anteriores. A previsão é que esteja pronto no final do segundo semestre.

Leandro entende, porém, que as condições financeiras das famílias dispostas a comprar suas novas casas neste loteamento podem estar comprometidas. “Vamos trabalhar com prazos”, adianta. “Esperamos uma boa reação do mercado ao ponto de manter o lançamento previsto”, afirma.

Ele admite, porém, que não consegue imaginar o cenário do Brasil — e da própria construção civil — para os próximos meses. “Vamos analisar as condições só mais para frente. Agora, é imprevisível”, conta. “Mas há muita gente perguntando sobre esta obra. Até o momento, a reação tem sido positiva”, diz Leandro.

Leandro e Bárbara não acreditam na ideia de que 2020 é um ano praticamente perdido para o mercado em geral. “Não podemos falar isso. Até porque também aprendemos nas crises”, diz Leandro. “Claro que não será da maneira como esperávamos”, completa Bárbara.

“Não teremos crescimento neste ano. Mas também não veremos déficit. É tempo de ajuste. De tirar de um lado e colocar no outro e se reinventar”, avalia Leandro.

Nenhum dos dois, porém, está pensando somente no ano que vem. “Trabalhamos com prazos longos. Por isso, a cabeça está nos anos de 2023, 2024”, dizem. Mas Bárbara já acredita que o mercado pode começar aquecido em 2021.

“A reação econômica sempre é positiva depois de crises. E nossa região, a de Santa Cruz, já é beneficiada e conhecida justamente pelo mercado sólido que mantém”, afirma. “Mesmo que o vírus ainda esteja presente no ano que vem, saberemos trabalhar com ele. Acredito que o potencial é de melhora”, aponta.

E os projetos não deixaram de surgir mesmo com a crise do coronavírus. “Temos vários projetos sendo negociados em outras cidades, como Piraju ou Ibirarema. Como trabalhamos a longo prazo, nada é perdido”, dizem. 

 

  • Publicado na edição impressa de 21 de junho de 2020