Para empresário, comércio tem papel de conscientizar

PRUDÊNCIA — O empresário Bruno Campideli, proprietário do Posto Brasília de Santa Cruz do Rio Pardo, alerta: ‘O vírus ainda está entre a gente’ (Foto: André Fleury)

‘Para uma abertura efetiva e segura, é preciso orientar consumidores’

 

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Aos 38 anos, o proprietário do posto Brasília Bruno Campideli viu os frentistas ociosos e as bombas de combustível, apesar de cheias, desocupadas assim que a pandemia chegou ao Brasil. Durante um certo período também percebeu as portas de sua loja de conveniência fecharem por inimigo invisível — o coronavírus.

“São duas realidades completamente distintas. Hoje, vivemos um custo inchado e sem garantia da mesma renda”, diz. Bruno admite a gravidade e a periculosidade do vírus. “Não é qualquer coisa”, afirma. Quando a crise chegou ao Brasil, ele começou dando férias aos funcionários e reduzindo a carga horária de seus colaboradores.

Mas à medida em que a doença se espalhava, as regras de isolamento e proteção individual se tornavam cada vez mais necessárias. O resultado foi o prolongamento dos protocolos restritivos no comércio. O movimento, por sua vez, desabou.

“Foi muito triste. Uma equipe que construímos ao longo de vários anos simplesmente passou a desaparecer por algo que até então desconhecíamos”, lembra.

O empresário não enxerga mais o mundo de antigamente daqui para frente. “É o novo normal”, cita. Embora tenha se mostrado aliviado, ele vê com preocupação a reabertura do comércio.

A principal queixa de Bruno não se dá com relação aos comerciantes. “Todos precisamos trabalhar”, afirma. “Mas temos o papel social de conscientizar a população”, emenda.

Para ele, muitas pessoas não respeitam as medidas de isolamento e, frequentemente, se aglomeram sem máscaras — o que pode transmitir a covid-19. “Ninguém estava acostumado ao uso de máscaras. Mas ela é necessária e é preciso se habituar”, cita.

“NOVO NORMAL” — Com máscara, frentista do Posto Brasília abastece veículo

“Meu apelo é aos comerciantes para que exijam dos clientes os equipamentos de segurança. Sem entrar em atrito com as pessoas, até porque há quem não esteja totalmente a par da situação. Mas é preciso orientar, conversar. Ela vai compreender”, explica.

Para Bruno, ninguém deseja um novo fechamento. “Mas o vírus não foi embora. Mais do que nunca, está entre a gente”, aponta.

Em seu caso, o empresário orientou todos os seus funcionários para que não aceitem pessoas sem máscara dentro da loja de conveniência. “Não só pelo bem do colaborador, mas também pela segurança do cliente”, diz.

Mas Bruno mantém esperanças. “É uma partida de dois tempos. Perdemos o primeiro e vamos entrar de cabeça erguida no segundo. Não podemos levar uma derrota para casa”, compara. 

  • Publicado na edição impressa de 21 de junho de 2020