Para o deputado Capitão Augusto, rachadinha é ‘contribuição voluntária’

O deputado federal Capitão Augusto (Foto: Câmara dos Deputados)

Deputado minimizou acusações contra o filho de Bolsonaro

 

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O deputado federal Capitão Augusto Rosa (PL), de Ourinhos e hoje residente em Bauru, minimizou na última quinta-feira, 18, as acusações de “rachadinha” contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi feita logo a prisão do ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, pela Polícia Federal. Queiroz é um dos envolvidos no caso.

Em texto publicado em seu site, Rosa diz que o esquema se trata, na verdade, de uma “contribuição voluntária” por parte dos assessores.

A “rachadinha” consiste no repasse, por parte dos servidores ou prestadores de serviço, de parte dos salários ao agente político que o contrata. A medida é considerada crime. O senador Flávio Bolsonaro é acusado de ser o operador do esquema em seu gabinete.

“Hoje, foi efetuada a prisão do ex-assessor do Senador Flavio Bolsonaro. Qual o motivo: corrupção? NÃO. Desvio de milhões em dinheiro público? Não! Perigoso para sociedade? Não! Fabricio Queiroz estava foragido? Não!”, escreveu.

“Por incrível que pareça, tudo isso por uma suposta ‘rachadinha’, que seria uma contribuição voluntária dos assessores, já que nenhum falou em coação e nem doação, supostamente repassados para Flavio Bolsonaro. Nada comprovado até agora”, emendou.

Augusto comparou o escândalo à era petista e afirmou que o caso não se trata de desvios no BNDES ou na Petrobras. “A acusação é de que teria recebido R$ 2 milhões, em 16 anos, repassados por 13 assessores”, afirmou.

O deputado chegou a calcular o valor que o filho de Bolsonaro teria recebido pelo esquema operado pelo ex-assessor — R$ 2 milhões.

Novamente, minimizou o caso. “Estamos falando de um suposto repasse de R$ 800,00 reais por mês. É isso mesmo que você leu: oitocentos reais por mês! Isso sem nenhuma denúncia de qualquer assessor”, afirmou. Para Rosa, a denúncia trata-se de uma “suposição” do Ministério Público do Rio de Janeiro.

O deputado diz também que o caso Queiroz ganhou uma “lupa gigantesca” da mídia e que se trata, na verdade, de um complô entre os poderes — entre eles o Judiciário e a Imprensa — para desmoralizar a família Bolsonaro.

O alvo, segundo Rosa, seriam as eleições de 2022. “Pior do que isso, está em curso a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, para sequer dar a oportunidade de a direita permanecer no poder e chegar com força para disputar as eleições”, escreveu.

A relação entre o deputado federal Augusto Rosa e o presidente Jair Bolsonaro é marcada, na verdade, por altos e baixos. No ano passado, o parlamentar chegou a criticar a articulação do presidente com o Congresso Nacional e admitiu a possibilidade de impeachment.

No mesmo ano, chegou a pedir demissão da função de vice-líder do governo no Congresso Nacional. 

  • Publicado na edição impressa de 21 de junho de 2020