Armando Cunha: ‘Coisas do envelhecer’

Poesia

Coisas do envelhecer

 

Armando Cunha

Quisera a eternidade fosse maior que ela própria, suplantando até a famosa Teoria da Relatividade de Einstein.

E abomino o vírus, que,
Minúsculo,
Insignificante,
Mas letal,
Conseguiu a proeza de nos aprisionar em nossas próprias casas.

Em meio a alegrias,
tristezas,
incertezas,
prazeres,
sofrimentos
e dúvidas pandêmicas,
quisera viver,
neste ocaso de vida,
sem freios,
sem limites,
sem máscaras,
sem álcool em gel – essa modernidade que a atual conjuntura nos impingiu.

Quisera viver, como sempre quis,
sem os freios sociais,
que nos encolhem,
nos tolhem,
nos apequenam,
matando um pouco da nossa personalidade.

PARADOXALMENTE, sou feliz!

Embora no horizonte
já vislumbre,
não a encruzilhada,
que nos oferece a chance da escolha,
mas uma única reta, mostrando-nos que a última curva da estrada já ficou para trás…

Há cheiro de infância no ar…
Há doçuras e esperanças
adolescendo…

Há responsabilidades e compromissos maturando…
Há satisfação, prazer e alegria do dever cumprido…
Há a certeza do grande amor que vivi e vivo…
Há esperança do sol que romperá o púrpuro e alegre amanhã…

No entanto, tudo é sonho,
neblina,
bluma,
nevoeiro …

…Mas a esperança insiste,
teima,
luta,
resiste e não morre,
simplesmente porque ela se ampara e se lastreia na inabalável fé que depositamos no nosso
DEUS!