Câmara não define nada sobre CPI do lixo

Neves defende a investigação

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Investigar a administração, que é o principal objetivo de qualquer vereador, parece não ser o foco da Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo. As únicas duas CPIs instaladas nos quase oito anos da atual administração foram aquelas que apuraram problemas na Codesan, como o escândalo das horas extras e a situação pré-falimentar da antiga empresa de economia mista e atual autarquia.

E motivos não faltaram para investigações. No final de 2016, por exemplo, estourou na prefeitura o caso do maior desvio dos cofres públicos da história de Santa Cruz, num esquema criminoso operado pela ex-tesoureira Sueli Feitosa. Os vereadores simplesmente se omitiram, alegando que o Ministério Público cuidaria das investigações.

Houve outros escândalos, como o uso particular do carro oficial — que culminou com o furto do Corolla por um sobrinho do prefeito —, a descoberta de funcionários “fantasmas” na administração ou denúncias comprovadas sobre fraudes em orçamentos do setor de informática e internet. A Câmara, porém, deu de ombros a todos eles.

Agora há o “cartel do lixo”, cujo escândalo já se aproximou do prefeito Otacílio Parras. É um caso que envolve milhões dos cofres públicos, favorecimento e superfaturamento que transformou o serviço do lixo num dos mais caros da região.

Na última sessão da Câmara, em meio à série de reportagens do DEBATE, pelo menos um vereador sugeriu que é preciso uma investigação legislativa. Cristiano Neves (Republicanos) afirmou que as denúncias são “muito graves” e que a Câmara não pode se omitir de investigar.

Uma CPI não precisa da maioria de vereadores para ser aprovada. No entanto, o problema é o ano eleitoral, em que as bancadas preferem se dedicar exclusivamente à reeleição e deixam de lado os deveres do vereador. 

 

  • Publicado na edição impressa de 21 de junho de 2020