João Ferreira: ‘Homem de fases’

O prefeito Otacílio Parras (PSB)

Homem de fases

 

João Ferreira

POLÍTICA Nesta sexta-feira (19/6), Santa Cruz do Rio Pardo foi surpreendida pela mudança que o governador João Doria promoveu no combate ao novo coronavírus (Covid-19). A cidade regrediu uma casa e passou a ser classificada na fase vermelha (fase 1) do Plano São Paulo para o enfrentamento da doença.

Na fase vermelha, somente podem funcionar as atividades essenciais. Nada de bares, restaurantes, estabelecimentos comerciais e outros. A regra é privilegiar o isolamento social para evitar ou reduzir o contágio da referida síndrome gripal.

Curiosamente, o prefeito Otacílio Parras Assis estava trabalhando a reabertura dos bares e restaurantes, bem como o funcionamento de igrejas, para o fim do mês de junho.

Até quinta-feira, Otacílio dava entrevistas e apregoava a reabertura gradual e consciente dos bares, restaurantes e das igrejas e já tinha permitido a reabertura do comércio em período superior àquele previsto no Plano São Paulo.

Aparentemente, Otacílio foi pego no contrapé, ou seja, não está falando a mesma língua das autoridades estaduais e há a suspeita de que tenha sido surpreendido com a informação de que a região de Marília, onde está localizada Santa Cruz do Rio Pardo, deveria regredir um estágio.

Não é possível que a autoridade maior do Poder Executivo municipal tenha feito reuniões, durante a semana, com representantes de bares, restaurantes e igrejas para a reabertura e, ao que parece, tenha sido apanhado de surpresa com a notícia de que Santa Cruz do Rio Pardo deveria se submeter à fase vermelha.

É inacreditável que a cidade seja administrada com tamanha falta de sintonia. Onde estão as autoridades executivas para informar, esclarecer e orientar a comunidade? Onde está o diálogo permanente entre o governo municipal e o governo estadual?

A quem devemos perguntar o caminho mais acertado? Ao governador João Doria ou ao prefeito da cidade? A equipe técnica do governador é mais cientificamente preparada e tem mais informações ou a equipe do prefeito está mais atenta? As duas afirmações soam insustentáveis de serem ditas ao mesmo tempo.

Particularmente, este colunista respeita o direito de cada pessoa exercer a sua atividade empresarial, comercial ou laborativa em homenagem às liberdades individuais, mas só sai de casa para trabalhar, quando necessário e exigido. Cada indivíduo deve ser livre para fazer as próprias escolhas. Por outro lado, o mínimo que se espera é que as autoridades governamentais dialoguem e dirijam seus departamentos de acordo com aspectos científicos.

Otacílio disse em 23/03/2020: “Acreditem, a situação é grave”. No começo de abril, Otacílio esbravejava que as pessoas não estavam respeitando a regra estadual, “que não permite aglomerações”. Já no início de maio de 2020, Otacílio sugeria a adoção de medidas mais restritivas quando a cidade tinha cerca de 30 casos da doença, inclusive a suspensão do transporte coletivo.

É muito interessante perceber, com espírito crítico, a mudança de comportamento de Otacílio durante o período de enfrentamento ao coronavírus. Fica evidenciado que é um homem de fases incertas. Amarela, laranja ou vermelha? Devo acreditar no Otacílio de 23/03/2020 ou no Otacílio de 19/06/2020? Fujam para as montanhas.

 

  • Publicado na edição impressa de 21 de junho de 2020