Na pandemia, setor imobiliário se mantém estável

João Rafael (à direita) ao lado do corretor Eduardo Cardoso (à esquerda), durante entrevista na quinta-feira, 26

Corretores afirmam que, apesar da queda nas vendas, cresceu a busca por locação de imóveis e especulação

 

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Apesar do desaquecimento nos mais diversos setores da economia durante a pandemia do novo coronavírus, há aqueles que se mantiveram estáveis no período.

Um deles, a construção civil, já foi noticiada pelo DEBATE em um caderno especial publicado na semana passada.

Diretamente relacionados à construção civil, empreendimentos imobiliários também não enfrentaram grandes dificuldades em meio às medidas de isolamento social e fechamento do comércio. Diferentemente, claro, do varejo — o mais afetado de todos.

“Está dentro do que a gente imaginava. Quando começou a pandemia, por exemplo, a busca por aluguel de imóveis na verdade cresceu”, conta João Rafael Nantes, 35, sócio-proprietário da Imobiliária Status.

Alguns locatários comerciais que tiveram de fechar as portas nos primeiros meses da pandemia não precisaram pagar o aluguel no início.

“Houve casos em que o próprio dono do imóvel disse que não cobraria. Antes mesmo de o locatário pedir”, cita Nantes.

A queda ocorreu sobretudo nas vendas. Mas não foi grande, segundo dizem corretores da imobiliária. “Se comparadas ao ano passado, as vendas diminuíram muito pouco”, aponta o corretor Eduardo Cardoso.

“Este ano começou muito melhor do que 2019. Entre dezembro e janeiro ocorreu um boom. Estávamos até animados”, explica.

Nantes, no entanto, acredita que o reflexo da pandemia no setor ainda está por vir. “Acho que seremos afetados mais para frente”, sugere. Mas não há motivo para deixar expectativas de lado.

Eduardo, por exemplo, segue recebendo ligações todos os dias em seu celular. “A procura permanece alta”, cita. Mas o corretor admite que, na primeira semana em que o vírus chegou a Santa Cruz, sequer ouviu o toque do aparelho. “Acho que foi o susto”, diz.

A “Status”, por sinal, não rescindiu e nem suspendeu o contrato de nenhum de seus colaboradores.

A aposta dos corretores está também no fato de que a região de Santa Cruz do Rio Pardo é economicamente sólida. “Principalmente pela agricultura”, dizem.

E segundo apontam Eduardo e João Rafael, a maioria daqueles que investiram durante a pandemia são justamente agricultores. Grande parte aposta em terrenos de novos loteamentos.

Os dois são desafetos da ideia de que 2020 será um ano perdido. “Até porque não fomos tão afetados”, explicam.

Outra expectativa do setor está naqueles que buscam financiamento. Com a taxa Selic a 2,25% ao ano — menor índice da história —, a aposta está em quem quer comprar a casa própria.

A imobiliária permaneceu uma semana apenas sem funcionar. Posteriormente, aderiu ao trabalho interno — seguindo, claro, os protocolos de segurança. Ninguém entra sem máscara ou sem usar álcool em gel.

Até mesmo nas negociações as medidas de segurança são mantidas. “Quando algum cliente pede para visitar uma casa, por exemplo, passamos antes no local para higienizá-lo”, diz Nantes. 

  • Publicado na edição impressa de 28 de junho de 2020