‘Cartel do lixo’: Câmara recebe caixa de documentos

PREGÃO - Representantes de empresas se reúnem na prefeitura no dia do pregão da limpeza pública

Vereadores ainda podem propor uma CPI

 

A Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo recebeu na semana passada milhares de documentos sobre os contratos assinados pelo prefeito Otacílio Parras (PSB) com a empreiteira MRover, responsável pela coleta do lixo e limpeza pública. De acordo com o presidente Paulo Pinhata (PRB), os papéis estão numa caixa, à disposição dos vereadores.

A solicitação dos documentos foi feita pelos vereadores Murilo Sala (Podemos), Maura Macieirinha (PSDB), Luciano Severo (Republicanos), Paulo Pinhata (PTB), Joel de Araújo (Republicanos) e Cristiano Neves (Republicanos).

Eles justificaram o requerimento pelas graves denúncias sobre a existência de um “cartel do lixo”, publicadas numa série de reportagens pelo DEBATE a partir de maio. De acordo com vereadores, a documentação será analisada e, se for o caso, a Câmara poderá apurar as irregularidades por meio de uma CPI — Comissão Parlamentar de Inquérito.

O caso começou a partir da licitação para contratação de empresa para coleta de lixo e limpeza pública, no final de abril. Durante quase sete anos do governo de Otacílio Parras, a empreiteira MRover foi a responsável pelos serviços, inclusive com uma prorrogação suspeita ao final do quinto ano.

A MRover é ligada a várias empresas, por parentesco ou amizades. O prefeito Otacílio Parras sabia disso, conforme revelou o áudio de uma entrevista de 2017.

Na nova licitação, venceu a empresa Ártico, de Bauru, com metade do valor que era pago à MRover desde 2014. A partir deste fato, o jornal investigou as empresas e descobriu as ligações suspeitas. Um contrato de transporte do lixo foi rejeitado pelo TCE por indícios claros de superfaturamento.

O Ministério Público apura o caso. A Câmara, ao que tudo indica, agora também. 

  • Publicado na edição impressa de 28 de junho de 2020