Nayara Moreno: ‘O bem vence o mal’

O bem vence o mal

 

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

No meio desta turbulência terrível chamada Coronavírus, tivemos uma ótima notícia que ganhou destaque nos últimos dias: demos um passo importante para a cura da Aids.

Um pesquisador brasileiro, o infectologista Ricardo Diaz, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), desenvolveu um tratamento que eliminou o vírus HIV por completo de uma pessoa soropositiva. Ainda não é a cura para a doença que assombra o mundo desde sua descoberta e que foi o grande terror da humanidade na década de 1990. O método desenvolvido por Ricardo Diaz e sua equipe ainda precisa de, no mínimo, dois anos de experiências com outros infectados pelo HIV para provar sua eficácia. Mas que o tratamento brasileiro é um grande passo, isso não há o que negar.

Veja bem, essa notícia maravilhosa saiu de uma universidade pública brasileira. Um universo, recentemente, tratado como terra de “baderneiros” e “maconheiros”. A ignorância, o desrespeito e a maldade propagam tanta besteira que cega o brasileiro, que deveria ver que os laboratórios e as salas de aula das escolas de ensino superior públicas (e também privadas) são, na verdade, centros de excelência, grandes talentos, muito trabalho e esperança de boas notícias.

Aliás, são estes “baderneiros”, no Brasil e no mundo todo, que estão neste momento debruçados em seus laboratórios, longe dos holofotes e das guerras políticas-ideológicas, trabalhando duro para nos dar luz no fim do túnel em relação ao Coronavírus. Porém, uma correção: infelizmente nossos pesquisadores foram atingidos por um corte de verbas do governo federal no início do ano passado e vítimas de uma parte do conflito político-ideológico.

Aos poucos vamos percebendo o valor da ciência e como é um absurdo confrontá-la com teorias pautadas por achismos ou ideologias. A principal vacina contra a COVID-19 que é testada no Brasil vem de uma universidade, a de Oxford. Olha só…

Cada vez mais as questões ligadas à saúde estarão no nosso dia a dia e determinando nossa sobrevivência. Se tratarmos esse campo com fanatismo político-ideológico-religioso, vamos colocar em risco nossas vidas.

Vamos respeitar quem trabalha duro, trancado em laboratórios, tentando um mínimo de avanço em nossas qualidades de vida. Médicos, enfermeiros, biólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e pesquisadores em gerais usam a fé e os sentimentos para potencializar o que está provado, pesquisado, estudado e documentado. O milagre vem dos dois lados.

Bom domingo e saia de máscara. 

Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada e
Responsável Técnica
pela AleNeto Enfermagem

 

  • Publicado na edição impressa de 19/07/2020