Nayara Moreno: ‘Novo normal?’

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

Com certeza essa é uma das expressões que você mais escutou e leu nos últimos meses. Ela faz menção às mudanças que a sociedade deve sofrer em sua rotina após a pandemia do Coronavírus.

Essa expressão tem mesmo motivo para ser repetida várias vezes. Cada dia que passa, cada mudança forçada que a doença causa, fica mais evidente que o vírus vai nos forçar a sermos diferentes. Porém, há algumas contradições e dúvidas sobre esse tal de novo normal.

Vamos começar pelos hábitos de higiene e cuidados com a própria saúde. Ora bolas, se o novo normal é lavar as mãos, atentar-se para a salubridade dos ambientes pelos quais passamos e não se contaminar, seja lá por qual doença, o normal anterior era mesmo normal? Claro que não. Nestes quesitos e em todos que englobam aquilo que podemos chamar de “ações comunitárias saudáveis e empatia social”, nós éramos (ou ainda somos, enfim) errados e completamente anormais. Neste assunto, o novo normal pode ser tratado só como normal mesmo.

E nossas políticas de saúde pública. Eram normais? São normais? Também entrarão na onda do novo normal? Outra vez usar a essa expressão da moda é um exagero para nós, brasileiros. A incompetência de gestão em fazer do SUS (Sistema Único de Saúde) aquilo que ele deveria ser aliada à corrupção nos trâmites da saúde pública fazem com que, no geral, o serviço oferecido para a população não só é anormal como transforma todos seus “beneficiários” em vítimas reais, com histórias bem absurdas para contar e que, de tanto acontecerem nos corredores de hospitais públicos, UPAs, postos de saúde, se tornam comuns, normais.

O novo normal na saúde pública deveria estabelecer a normalidade em relação à qualidade de atendimento, infra-estrutura, materiais, remédios, salários dos profissionais de saúde e tudo aquilo que se faz necessário para um serviço digno.

E sabe o que mais não é nada normal na saúde pública brasileira nesta pandemia? A coragem, profissionalismo e competência de todos os profissionais de saúde, das redes pública e privada, que enfrentam as mais tenebrosas anomalias para salvarem o máximo de vidas possíveis.

Esses profissionais não são normais. Eles vão além do “novo normal”. Eles são excepcionais.

Use máscara. 

 

  • Publicado na edição impressa de 26 de julho de 2020