Ataque a Botucatu liga ação a assaltos semelhantes na região

Ataque a Ourinhos, em maio, deixou cápsulas espalhadas pelas ruas (Foto: André Fleury)

Segundo peritos, bando pode ser o mesmo que atacou Bauru e Ourinhos

 

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

A Polícia Civil de São Paulo informou que o ataque a tiros a Botucatu, realizado por uma quadrilha na noite de quinta-feira, 30, pode ter sido feito pelo mesmo bando criminoso que promoveu ações violentas em Bauru e Ourinhos. Botucatu viveu horas de terror, com intenso tiroteio explosões durante ataques a agências bancárias.

Segundo informações, um homem morreu em Botucatu. A polícia ainda não confirmou, porém, se ele teve participação no assalto. Algumas versões dizem que ele estava armado e usando um colete à prova de balas. A família, porém, diz que o homem era morador de rua.

De acordo com a Polícia Civil, provas coletadas em todas as cidades atingidas pelos ataques mostram, além das características semelhantes das ações, que trata-se da mesma quadrilha.

No início de maio, moradores de Ourinhos entraram em pânico com a invasão de um bando armado, que explodiu caixas de bancos e fez reféns. Há relatos de que quase R$ 200 milhões teriam sido levados pela quadrilha, pois o dinheiro estava num setor estratégico para ser distribuído a outras 200 agências para a folha de pagamentos das empresas.

Os carros usados pela quadrilha, com bombas em seu interior, foram abandonados num canavial entre Chavantes e Canitar. A exemplo de outras ações idênticas, ninguém foi preso.

Os bandidos usaram armamentos pesados, inclusive fuzis importados. Em Bauru, os ataques aconteceram no final de 2018, com o mesmo tipo de ação — tiroteio intenso, bombas e destruição. Porém, pelo menos duas pessoas foram presas e a polícia recuperou mais de R$ 3 milhões.

A semelhança também envolve a quantidade de assaltantes — em torno de 40 homens fortemente armados, com fuzis e metralhadoras.

Em todas as cidades, a quadrilha cerca quartéis e bases da PM e fecham as entradas das cidades com carros ou caminhões roubados, que geralmente são incendiados. Investigações já deram conta de que as ações são comandadas pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). 

 

  • Publicado na edição impressa de 2 de agosto de 2020