Processado pela própria Codesan, Agenor diz que TCE aprovou suas contas

O ex-presidente da Codesan Cláudio Agenor Gimenez, que, como presidente da Codesan, teve as contas de 2015 rejeitadas pelo Tribunal de Contas

Na verdade, as contas de 2015 da então empresa de economia mista foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado

 

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Ex-presidente da Codesan e o agente político mais protegido pelo prefeito em quase oito anos da atual administração de Otacílio Parras, Cláudio Agenor Gimenez está sendo processado pela própria autarquia que dirigiu de abril de 2015 até abril de 2018, quando foi demitido. Agenor substituiu Eduardo Blumer e teve a gestão mais tumultuada da história da Codesan.

Há mais de um ano ele responde a uma ação de reparação de danos provocados por seus atos. A acusação é a contratação irregular de uma empresa, que causou prejuízos à Codesan. Ainda não houve sentença judicial.

O fato aconteceu em 2015, quando Agenor contratou a “Hasa Documentos”, pagando antecipadamente R$ 9 mil antes mesmo de um contrato. O objetivo era regularizar algumas atas na Junta Comercial de São Paulo, mas a empresa contratada percebeu que isto não era possível porque a Codesan tinha muitas pendências em órgãos governamentais.

Agenor fez a contratação da Hasa sem licitação ou pesquisa de preços. Não houve sequer um contrato formalizado. Meses depois, ele decidiu processar a Hasa judicialmente e requerer a devolução dos valores pagos. A ação foi julgada improcedente e a Codesan teve novo prejuízo, com o pagamento de honorários e custas processuais.

No entanto, durante a tramitação do processo de cobrança, o juiz do caso percebeu que Agenor poderia ter cometido improbidade administrativa e remeteu a denúncia ao Ministério Público. Uma sindicância interna da Codesan responsabilizou o ex-presidente e deu origem à ação por danos morais para reparação dos prejuízos.

Exatamente como aconteceu com o escândalo das “horas extras”, a Codesan se antecipou para processar Agenor para evitar uma ação do Ministério Público contra o seu ex-presidente. O MP, afinal, ainda se manifestou sobre a possível improbidade praticada pelo ex-presidente.

Em sua defesa, Cláudio Agenor Gimenez diz que não foi ele quem contratou a Hasa e apresentou documentos que mostram a ligação da empresa com o escritório de contabilidade que prestava serviços à Codesan. Não exibiu, todavia, o contrato que deu origem ao pagamento de R$ 9 mil. Agenor disse que a Codesan tenta “ludibriar” o juiz através de “falsos argumentos”.

O ex-dirigente também afirmou que, na condição de presidente da autarquia, “saneou” financeiramente a Codesan e teve suas contas aprovadas já em seu primeiro ano como presidente. Na verdade, o Tribunal de Contas do Estado rejeitou as contas da Codesan do exercício de 2015, quando Agenor presidiu a autarquia durante nove meses. Os três meses iniciais daquele ano estiveram sob responsabilidade de Eduardo Blumer.

Ele diz que a ação é uma tentativa de “chutar cachorro morto” e que pretende “sugar aquilo que não detém”. Neste sentido, Agenor diz que está à beira da insolvência, desempregado e que sobrevive em virtude de ajuda dos familiares.

O ex-presidente teve uma gestão tumultuada na Codesan. Além da conta rejeitada, ele provocou um “racha” no grupo governista e teve inúmeros apontamentos do TCE. O órgão fiscalizador, por exemplo, rejeitou a contratação de vários funcionários por Agenor, após a demissão de outro grupo. De acordo com o ex-dirigente, ele demitiu as pessoas porque elas estariam trabalhando “sob o efeito de álcool ou outros entorpecentes”.

Além disso, vários funcionários demitidos por Agenor conseguiram na Justiça Trabalhista a reintegração, com o pagamento de altas quantias e indenizações. O prejuízo foi suportado pelos cofres públicos.

Mesmo com toda a confusão que causou, Agenor sempre foi defendido pelo prefeito Otacílio Parras, que chegou a lançá-lo como candidato à sua sucessão. “Ele é o melhor, o mais preparado”, disse Otacílio em 2018, ao insinuar que o ex-presidente da Codesan poderia ser o candidato oficial do grupo. No entanto, de preferido de Otacílio, Agenor passou ao ostracismo político nos últimos meses. 

 

  • Publicado na edição impressa de 16 de agosto de 2020