Coronel Tadeu, deputado federal, admite racha no PSL

O deputado Coronel Tadeu (PSL) admite que preside um partido "rachado"

Parlamentar esteve em Santa Cruz na quarta-feira, 2

 

Sérgio Fleury Moraes
André Fleury Moraes

Em visita a Santa Cruz, o deputado federal e policial militar Marcio Tadeu Anhaia de Lemos (PSL), 54, admitiu em entrevista ao DEBATE que o partido hoje se encontra dividido entre bolsonaristas e bivaristas — em referência a Luciano Bivar, atual presidente da sigla e também deputado federal. Coronel Tadeu, como é chamado, se diz 100% bolsonarista e acredita na reeleição do presidente da República. “Faz um trabalho fantástico”, diz. Eleito com quase 100 mil votos, ele conversou com a reportagem na quarta-feira, 2.

Como está hoje a situação do PSL no País?
O partido está rachado, isto é fato. Dos 53 deputados, parte apoia o presidente e outra parte, não. Faço parte da ala que apoia Bolsonaro. Acredito que ele esteja fazendo um trabalho fantástico.

Há conversas de que o presidente possa voltar ao partido com algumas condições.
Desconheço essas aproximações. Nada disso chegou até mim. Também não acho que seja o momento. Talvez depois das campanhas e eleições municipais. Em 2021, aí sim, poderemos começar a pensar em 2022. Porque, independentemente de partido, ele será reeleito. Tenho certeza. Conversei hoje com um prefeito que, apesar de ter perdido arrecadação, tem recebido de forma muito ágil os repasses do Governo Federal. É uma maneira diferente de governar. O prefeito de Assis me disse a mesma coisa.

Você disse certa vez que o racha com o presidente é como uma taça de cristal. Se quebra, mesmo remendada, não fica a mesma coisa. Como é fazer parte de um partido em São Paulo com este clima?
É muito ruim, sem dúvidas. Mesmo que a taça seja consertada, haverá uma fissura com a qual teremos de conviver. Espero que tenhamos relações mais republicanas se o presidente retornar ao partido.

Isso acontece também em Santa Cruz. Temos um candidato apoiado pelo PSL, Luciano Severo, que possui eleitores que não gostam do presidente. Essa divisão entre direita e esquerda está mais distante nos municípios?
Acredito que essa questão terá importância nesta eleição. Os eleitores vão querer conhecer a pessoa, saber de seus ideais e de seu currículo. Só assim votarão com certeza. Num segundo momento, vão avaliar quem é o partido e quem ele apoia. Aí entra a polarização. Afinal, o combate à corrupção ainda está no imaginário popular. As pessoas querem acabar com a corrupção. E Bolsonaro foi eleito com esta finalidade.

Você percebeu uma mudança de postura do presidente recentemente?
Costumo dizer que o político não pode mudar sua essência. Bolsonaro se elegeu com um linguajar simples. Muitos o criticam por falar palavrão. O brasileiro fala a todo tempo. Essa essência ele não pode perder só porque é o presidente. Essa de querer um presidente com bons modos… Olha, eu vi Fernando Henrique, Temer e até Lula. Eles se portaram bem. E olha no que deu.

Qual o motivo desta sua visita a Santa Cruz hoje?
Por duas razões. Como deputado, vim visitar o Corpo de Bombeiros. Sei das necessidades deles de um prédio mais moderno e confortável. Vim discutir isso com os bombeiros. Existem demandas como viaturas. Pelo lado político, vim conversar com meu amigo Severo, pré-candidato, para apoiá-lo.

O que o deputado pode fazer para aumentar o contingente de bombeiros?
Este é um problema de todo o Estado. Há algum tempo ficamos dois ou três anos sem sequer contratar militares. Isso não é culpa do Doria. Ele herdou isso e precisa resolver. Pretendo ajudar nisso. Com boa vontade, vamos conseguir verbas federais, estaduais e talvez até municipais.

Como você vê o PSL no Estado nessas eleições? E 2022?
O partido vai eleger vereadores e prefeitos. Pela crise pela qual passou o partido, o número será menor do que o estimado. Não sei quantos, mas será certamente positivo de qualquer forma. Quanto a 2022, o primeiro plano é apoiar a reeleição do presidente. Depois, apoiar governadores que tenham comprometimento com a PM. Só então pensarei em me reeleger. 

 

  • Publicado na edição impressa de 6 de setembro de 2020