Em recuperação lenta, varejo teme fim do ano

O gerente da Val Calçados, Douglas Buzolin, 24, que passou a vender no ML

Loja de calçados aposta em vendas online

 

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Em lenta recuperação após meses de comércio fechado, o varejo ainda sofre. Quem diz é o gerente da Val Calçados Douglas Buzolin, 24, que tem enfrentado dificuldades com fornecedores e na reposição de estoque. Douglas conversou com a reportagem na última sexta-feira, 4, e admite também que os preços de produção aumentaram.

A previsão para o retorno à normalidade está apenas para o ano que vem. “O que nos ajudou um pouco foi o Dia dos Pais, quando as vendas subiram”, diz. O problema, agora, está nas metas para o final do ano — que certamente será diferente do que os demais.

“As mercadorias não chegaram. E agora, que precisamos repor os estoques, temos problema com preço e atraso”, diz. Alguns fornecedores, diz Buzolin, são do Ceará e voltaram a trabalhar há menos tempo do que São Paulo. “Fora a equipe reduzida, que não consegue suprir a demanda de todo o Brasil”, alerta.

O principal entrave acontece entre as marcas cuja compra é programada antecipadamente, como as importadas. “A entrega só será feita no ano que vem. Teremos de reduzir o pedido, já que início de ano não é uma época tão boa quanto dezembro”, diz. É o caso da Nike.

O preço dos fornecedores também subiu. “Mas a gente não pode passar isso para o consumidor final. A economia ainda está fraca”, aponta. A alternativa é comprar à vista e à pronta-entrega para não sair no prejuízo.

A preocupação, no entanto, não acontece somente com os calçados — carro chefe da loja —, mas também entre roupas e outros produtos que são vendidos na empresa. “Acredito que o setor de varejo em geral esteja com este problema”, diz.

“Um fornecedor me ligou e disse que está em falta o E.V.A, por exemplo. Para este ano não teremos mais”, diz. Um dos caminhos foi voltar a negociar com fornecedores com quem havíamos parado de trabalhar. “Temos de ter pelo menos um dezembro bom como nos outros anos”, cita.

Nada impediu, no entanto, que a loja parasse de vender durante o período. É que há alguns meses Douglas teve a ideia de vender produtos pela internet. Foi o site Mercado Livre que abriu a possibilidade. Já houve compradores até do Pará. “O preço é o mesmo. Mas podemos expandir a loja para outro público que não o da região”, diz. 

 

  • Publicado na edição impressa de 6 de setembro de 2020