Murilo nega ligação, mas pode ser arrolado no processo do Podemos

O vereador, pré-candidato a prefeito e presidente do Podemos em Santa Cruz do Rio Pardo, Murilo Sala

Em entrevista, o presidente do partido, Murilo Sala cita indícios de irregularidade, mas culpa direção anterior do partido

 

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Vereador, pré-candidato a prefeito e presidente do Podemos municipal, Murilo Costa Sala diz que há “algo estranho” nesta enorme movimentação bancária do partido no ano passado. Em entrevista ao jornal na noite de quinta-feira, 10, ele diz defender uma investigação profunda e admite que o caso o pegou de surpresa. Pode, no entanto, ser arrolado numa eventual denúncia, já que assinou documento com informação inverídica sobre a movimentação das contas do partido.

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Murilo, você se tornou presidente do Podemos em janeiro deste ano. A antiga direção não te passou os valores movimentados na conta bancária?
Não. Não tínhamos conhecimento de nada. Tanto que fizemos uma prestação de contas sem movimentação. Foram o advogado e o contador que estão nos ajudando que nos informaram a respeito do caso. Aí entramos em contato com o pessoal de São Paulo. Mas ficamos surpresos. É um montante considerável.

Você achou que os antigos dirigentes eram daqui? Chegou a procurá-los?
Até achei estranho. Fiz umas consultas na internet, mas não encontrei nada. Nem os encontrei quando cogitei formar o Podemos na cidade. Em contato com São Paulo, me passaram o telefone da contadora do partido, que é a Fátima. Ela me ajudou a formar a comissão provisória, mas não falou nada sobre essa movimentação.

Você não conhece pessoalmente essa Fátima?
Não. Ela vai estar com a gente na convenção de sábado. Vai fazer a retificação das contas para que possamos lançar e apresentar ao juiz.

Como vereador e experiente na política, não salta aos olhos um indício de irregularidade?
A gente não pode cravar. Mas é um valor bastante significativo para uma cidade como Santa Cruz do Rio Pardo.

Quando você entrou no partido, a sede era em outro lugar. Sabia que no antigo endereço funciona há nove anos uma clínica de estética?
Não. Nem procurei ir atrás, já que entramos em contato apenas por telefone. Você me disse que esse endereço é do Juraci Barbosa, que eu também não conheço. Perguntei para muita gente. Não sabia nem se Juraci era homem ou mulher. Notei também que a maioria dos membros da antiga comissão é de Cajamar. É estranho. A gente nem sabia que tinha o Podemos em Santa Cruz quando eu recebi a proposta de assumi-lo na cidade.

Além da surpresa, você teme alguma sanção judicial por, ainda que de boa-fé, ter assinado um documento que não retrata a verdade, por exemplo?
Eu estou bastante tranquilo. Acredito realmente na Justiça. E se tiver alguém que tenha praticado alguma irregularidade, este sim precisa ser punido.

Quando você assumiu o partido em Santa Cruz, não chegou a perguntar sobre eventuais movimentações anteriores?
Não, até porque, como eu disse, nem sabíamos que o Podemos existia em Santa Cruz.

É comum que o órgão nacional destine repasses grandes do fundo partidário a comissões no interior?
Eu, particularmente, nunca recebi. Não sei se candidatos a prefeito recebem. Para nós, nunca veio. E quando recebe, acredito que seja um valor pequeno. Eles concentram em agendas de deputados e de governadores. Ou nas eleições municipais em cidades maiores. O que é estranho é que ano passado nem eleição tinha. E o partido abriu uma comissão, inclusive com uma conta bancária em outra cidade. Não sei o que vão justificar. Mas precisa comprovar. Eu não tenho ligação com a antiga direção do partido.

Qual foi sua primeira reação ao saber dos repasses, já que sempre teve um discurso contra a corrupção?
Fiquei surpreso. Mas não preocupado, até porque já está sendo retificado. Nosso advogado já apresentou contestação. Mas R$ 369 mil é um valor atípico para Santa Cruz.

 

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  • Publicado na edição impressa de 13 de setembro de 2020
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