CARTAS DO LEITOR – Edição de 4 de outubro de 2020

Luiz Antonio Sampaio Gouveia

Como de costume, ao ler o DEBATE, tive a agradável surpresa de ler o artigo da lavra do conterrâneo Luiz Antonio Sampaio Gouveia (meu particular amigo Pitô), santa-cruzense da gema e brilhante advogado. Essa primeira colaboração intitulada “Viva o Brasil”, interessante história em poucas linhas, é apenas um exemplo da capacidade e facilidade de escrever do nosso Dr. Sampaio Gouveia. Com certeza o DEBATE e todos seus leitores terão muito a ganhar. Parabéns!
– Walter Rosa de Oliveira, advogado (São Paulo-SP)

Criatura resistente

Uma criatura muito interessante é o tardígrado (do latim: “tardus”, lento e “gradus”, passo) de um filo de animais microscópicos segmentados. Foram descritos pela primeira vez pelo alemão Johann August Goeze como ursos-d’água em 1773. O nome tardígrado foi dado pelo biólogo e padre Lazzaro Spallanzani em 1776.

O tardígrado é a criatura mais resistente do planeta, suporta uma variação de temperatura de 300º C, de 150º C abaixo de zero até 150º C acima de zero. A estratégia de sobrevivência dele é simples e eficaz. Retrai suas oito patas e a cabeça e desidrata, o que permite que sobreviva até no vácuo do espaço. O tardígrado perde quase toda a água do corpo e seu metabolismo diminui 99,9%.

Em setembro de 2007, foram levados para a órbita baixa da Terra na missão russa FOTON-M3 que transportou a carga de astrobiologia BIOPAN da ESA Agência Espacial Europeia. Por dez dias, grupos de tardígrados, alguns desidratados, foram expostos ao vácuo do espaço sideral e radiação ultravioleta solar. Depois, em Terra, mais de 68% dos indivíduos protegidos da radiação UV solar foram reanimados, embora a mortalidade subsequente tenha sido alta. Mas das amostras ativas (hidratadas) submetidas também à radiação, apenas três indivíduos de Milnesium tardigradum sobreviveram.

Em maio de 2011, italianos enviaram tardígrados a bordo da Estação Espacial Internacional na missão STS-134, o último vôo do Ônibus Espacial Endeavour. O experimento mostrou que a microgravidade e a radiação cósmica não afetaram significativamente a sobrevivência dos tardígrados em vôo e demonstrou que os tardígrados são úteis para a pesquisa espacial.

Na Terra eles estão em todos os lugares, das profundezas dos mares ao topo das montanhas. Há cerca de 1.300 espécies conhecidas que formam o filo Tardigrada. Têm cerca de 0,5 mm de comprimento, são curtos e rechonchudos. Tardígrados são encontrados em musgos e líquens e se alimentam de células vegetais, algas e pequenos invertebrados. .

Embora resistentes a situações extremas, cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, descobriram que o aquecimento global pode ser uma ameaça para eles. Uma pesquisa de 2018 já alertara que a espécie de tardígrado que vive na Antártida, a Acutuncus antarcticus, poderia ser extinta devido ao aumento da temperatura dos oceanos.
– Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano (São José dos Campos-SP)

 

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Proprietário e Editor do Jornal Debate