Morre o ex-vereador ‘Ditinho’ Marques

Em 1977, Benedito Marques, o mais votado, está ao lado do prefeito Aniceto Gonçalves

Vereador mais votado nas eleições de 1976, ele enfrentava uma doença degenerativa e provavelmente era neto de Tonico Lista

 

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Ex-vereador de Santa Cruz do Rio Pardo, Benedito Antonio Bueno Marques morreu em Ourinhos na terça-feira, 13. Ele tinha 69 anos e começou a enfrentar uma doença degenerativa grave há alguns meses, mas não resistiu. Seu corpo foi velado e sepultado em Santa Cruz do Rio Pardo na quarta-feira, 14, cidade onde morou a maior parte de sua vida.

“Ditinho”, como era conhecido, era um jovem escriturário nos anos 1970, servidor do Centro de Saúde do município. Em 1976, decidiu se candidatar a vereador pela antiga Arena. Era do grupo dos “vermelhos”, na época liderado pelo prefeito Joaquim Severino Martins. O eleito foi Aniceto Gonçalves e Benedito Marques foi o vereador mais votado, indicando uma promissora ascensão política.

No entanto, “Ditinho” logo ficou descontente com os rumos do grupo político e se aliou à oposição. O mesmo caminho estava sendo trilhado pelo também vereador governista José Teodoro Nogueira, o “José Belizário”. Benedito, inclusive, já era cogitado por vários políticos para se candidatar a prefeito na sucessão de Aniceto.

Benedito Bueno Marques já foi vereador, morou no Japão e era vendedor

Os dois dissidentes, entretanto, começaram a ser pressionados pelo grupo governista, cujo líder era o empresário e ex-prefeito Joaquim Severino Martins. José “Belizário” fez as pazes e voltou à base do governo. “Ditinho” resistiu o quanto pode, mas também acabou cedendo.

Em 1979, Benedito Antonio Bueno Marques renunciou ao mandato de vereador, em circunstâncias não totalmente esclarecidas. A atitude acabou encerrando sua carreira política. Depois, ele se mudou de Santa Cruz do Rio Pardo. Fez concurso para investigador de polícia, foi proprietário de banca de jornal, comerciante e vendedor.

Na foto da diplomação dos eleitos em 1976, Benedito Marques é o terceiro em pé, da esquerda para a direita

“Ditinho” passou duas longas temporadas no Japão, pois era casado com uma descendente japonesa, a professora e musicista Elizabeth Tagima Marques. Ainda tinha planos, mas uma doença rara o acometeu. Ele deixou, além da viúva, os filhos Juliana e Marques. A filha, aliás, mora no Japão e não pode vir a tempo de acompanhar o velório do pai.

A família vai celebrar a missa de Sétimo Dia em Santa Cruz, na Matriz de São Sebastião, nesta segunda-feira, 19, às 19h.

O curioso na trajetória de “Ditinho” Marques é que ele próprio admitia que poderia ser neto do famoso coronel Tonico Lista, que dominou a política de toda a região no início do século passado. A família do ex-vereador até hoje cuida dos túmulos dos Evangelistas no cemitério de Santa Cruz, onde estão sepultados o pai do coronel e um de seus filhos.

Ditinho também foi jogador de futebol; na foto, no time da Esmeralda dos anos 1970, ele é o terceiro em pé, da direita para a esquerda

A história começou num romance “secreto” do coronel com uma prima, cuidadora da mãe de Tonico. Maria Rita e o coronel se apaixonaram e do romance nasceu um garoto, cuja paternidade Tonico — que era solteiro e político em ascensão na na época — não assumiu.

Anos depois, Maria Rita se casou com outro homem que “adotou” a criança como seu filho. Ele cresceu, formou família e teve quatro filhos, entre eles Benedito Marques.

A história atravessou gerações e o ex-vereador nunca escondeu de ninguém a possibilidade do parentesco. Ele, inclusive, queria realizar um exame de DNA para confirmar se o avô era mesmo o coronel Antônio Evangelista da Silva. Não teve tempo. 

 

  • Publicado na edição impressa de 18 de outubro de 2020