Tragédia em Taguaí expõe abandono de rodovias estaduais

TRISTEZA E LUTO — Veículos ficaram totalmente destroçados, num dos maiores acidentes rodoviários do Brasil

Choque entre ônibus e carreta no começo da manhã de quarta mata 41 pessoas, no maior acidente rodoviário do País

 

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

A quarta-feira, 25, mal havia amanhecido quando um ônibus transportando 51 pessoas entrou na faixa contrária e atingiu uma carreta carregada de esterco orgânico. Em segundos, a tragédia se espalhou pela pista. Pelo menos 37 pessoas morreram no local e outras quatro, das 14 que foram levadas a hospitais da região, também não resistiram, elevando o número de vítimas fatais a 41. O acidente aconteceu na SP-249 (rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho), que liga os municípios de Taguaí e Taquarituba.

A polícia ainda apura as causas da tragédia, mas já se sabe que o ônibus invadiu a pista contrária. O motorista, que sobreviveu, disse que outro ônibus freou à sua frente, obrigando-o a sair para a esquerda. Ele também relatou que os freios do veículo falharam. O ônibus pertence à empresa “Star Fretamento”, que não possui registro e operava de forma clandestina. O motorista do caminhão morreu minutos depois, quando estava sendo transportado.

O motorista da carreta também morreu no acidente

A colisão aconteceu no quilômetro 172 da rodovia, em Taguaí, aproximadamente às 6h35. O ônibus transportava funcionários de uma indústria têxtil para mais um dia de trabalho em Itaí. A tragédia mobilizou a região e iniciou uma campanha a partir do Hemocentro de Botucatu para doação de sangue.

De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, foi o maior acidente do ano em todo o País e, provavelmente, um dos maiores de toda a história das rodovias brasileiras. Na região, uma das maiores tragédias aconteceu no final dos anos 1980, quando um ônibus da viação Motta bateu num caminhão na rodovia Orlando Quagliato, matando dez pessoas.

O governador de São Paulo, João Doria, emitiu nota se solidarizando com os familiares das vítimas e as prefeituras de Taguaí e Itaí decretaram luto oficial de três dias.

Parte das vítimas foi velada no ginásio de Taguaí

No início da tarde de quarta-feira, 25, o governo do Estado anunciou uma “força-tarefa” para identificar e liberar os corpos. Os IMLs (Institutos Médico Legal) de Avaré, Botucatu e Itapetininga foram mobilizados para a tarefa. Os corpos foram retirados do local do acidente e transportados em caminhões frigoríficos.

O resgate de todas as vítimas durou cerca de sete horas e foi dificultado pelo fato de vários corpos ficarem espalhados pela pista, misturados aos destroços dos veículos e da carga de esterco orgânico do caminhão. A Polícia Militar disponibilizou até o helicóptero Águia para auxiliar no resgate.

Já está claro que o acidente aconteceu por imprudência. No entanto, a rodovia SP-249 virou uma rota alternativa para motoristas que fogem de pedágios, aumentando sensivelmente o movimento. O trecho é sinuoso e não há fiscalização. A última grande reforma aconteceu em 2014, ainda no governo de Geraldo Alckmin.

Um velório coletivo de parte das vítimas aconteceu em dois ginásios cedidos pela prefeitura de Itaí. O clima foi de muita comoção e tristeza. Devido à pandemia, os familiares só puderam se despedir dos parentes durante duas horas. Cerca de 32 vítimas da tragédia foram sepultadas em Itaí, e o restante, em outros municípios. 

 

  • Publicado na edição impressa de 29 de novembro de 2020