‘É preciso resgatar o orgulho de ser bernardinense’, diz o prefeito Wilson Garcia

O prefeito Wilson Garcia (à esquerda) ao lado de seu vice ‘Deva’ (Foto: André Fleury)

O prefeito Wilson Garcia cita aterro como prioridade, mas também quer atrair indústrias para movimentar Bernardino

 

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Wilson Garcia não queria mais saber de política em 2018, quando, na condição de vice-prefeito de Bernardino de Campos, rompeu com o titular Odilon Rodrigues Martins. O rompimento se deu em setembro daquele ano e Wilson convocou a imprensa para denunciar supostas irregularidades após assumir como prefeito interino e ficar a par da situação da prefeitura.

Voltou ao trabalho que exerceu nas últimas décadas — o de barbeiro — e decidiu que deixaria a vida pública. Mas era cumprimentado por onde passava, e ouvia perguntas sobre uma futura candidatura a prefeito. “Conversei com alguns grupos e fizemos algumas pesquisas internas. Mesmo fora dos holofotes, meu nome aparecia em destaque”, lembra.

Ele percebia uma autoestima baixa quando o assunto era ser morador de Bernardino de Campos. “As pessoas comparam o município a cidades vizinhas, como Ipaussu. É preciso acreditar em nosso potencial. Vamos resgatar o orgulho de ser bernardinense”, garante.

Eleito com 4.162 votos, o equivalente a quase 70% do eleitorado de Bernardino, Wilson toma posse neste 1º de janeiro e atribui sua vitória a uma chapa forte de vereadores, o carisma de seu vice-prefeito e também ao apoio que obteve de ex-prefeitos. “Muita gente esquece do vice, mas ele é crucial numa eleição”, diz.

Logo ao assumir, Wilson herdará uma “bomba” deixada por Odilon: o aterro sanitário. Declarado irregular em decisão colegiada da Justiça em setembro, Bernardino de Campos ainda usa o local para depositar lixo. O fato é irregular, e a multa diária pelo descumprimento é de R$ 5 mil. “O que foi feito com o aterro chama-se crime ambiental”, diz Wilson.

O mais grave é que a multa diária é aplicada ao prefeito e havia o risco de Wilson assumir o cargo já devendo R$ 20 mil até segunda-feira, 4, o primeiro dia útil após o final de semana. No entanto, sua assessoria jurídica explicou que a multa é para quem não adotou nenhuma providência.

Wilson, por exemplo, tem se reunido com técnicos ligados ao setor do Meio Ambiente nos últimos dias para buscar uma solução para o caso. “É a questão mais urgente no momento”, assinala. Nos últimos dias, aliás, tem viajado para São Paulo constantemente para discutir o assunto. A entrevista ao DEBATE, por sinal, teve de ser adiada duas vezes.

Um dos problemas que o prefeito também sofreu foi a transição. Ele só pôde ir à prefeitura duas vezes. Odilon praticamente “blindou” o acesso de Wilson às questões burocráticas. Wilson só tem conseguido acesso a alguns deles por meio de protocolo.

O prefeito também tem a bandeira de valorizar o funcionário público e deve promover alguns servidores municipais à condição de secretários. “Nós precisamos dar chances ao funcionalismo”, diz. Seu vice, Adevanil Pereira, será secretário de Cultura. “Deva”, como é conhecido, é professor de música em Bernardino e já era ligado ao setor artístico.

“Quero valorizar as danças, o coral, a cultura de Bernardino. Isso foi um pouco esquecido nos últimos anos”, cita.

Em uma reunião recente, Wilson garantiu independência aos vereadores e pediu para que eles “investiguem mesmo” a administração. Com maioria na Câmara, seu grupo elegeu sete dos nove parlamentares.

A oposição também sinalizou que deve acompanhar amigavelmente o trabalho da administração. “Os eleitos pelo grupo adversário já garantiram que não estarão lá para atrapalhar”, diz Wilson.

O prefeito também vai herdar uma dívida de quase R$ 5 milhões somente em precatórios judiciais. É praticamente um rombo com o orçamento baixo do município: cerca de R$ 30 milhões anuais.

Wilson garante que correrá para implementar um novo distrito industrial e diz que quer ver novas empresas se instalando no município. “Precisamos de emprego, renda e moradia. Vamos mostrar para as indústrias que Bernardino é um atrativo para elas”, afirma. 

 

  • Publicado na edição impressa de 1º de janeiro de 2021