O artesão de ‘mil atividades’

CRIAÇÃO — Oficina de José Cardoso fica nos fundos de sua casa e é onde ele fabrica os brinquedos de madeira

José Cardoso, 57, faz brinquedos e móveis de madeira e ainda cria bichos de laranja e abelhas

 

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Conhecido como “Barba”, José Cardoso começou a manusear madeira quando ainda era criança. O pai era administrador da fazenda “São Benedito”, nas proximidades de Espírito Santo do Turvo, e o pequeno Cardoso aprendeu a fazer cerca paraguaia, cochos, coberturas e outros objetos rurais. “Aos oito anos, eu já sabia dirigir”, conta. Hoje, aos 57 anos, José Cardoso continua manuseando a madeira para fabricar caminhões de brinquedo, bancos, móveis e até casinhas para cachorros — e com rodinhas, para facilitar a mudança de local.

Na verdade, Cardoso trabalha na construção civil e é uma espécie de “faz tudo”. Assim, a espaçosa oficina que possui em sua residência na vila Fabiano, em Santa Cruz do Rio Pardo, é usada para fazer os brinquedos “nas horas vagas”. Ele já teve um pequeno comércio em Espírito Santo, em sociedade com um amigo do Mato Grosso, onde fabricava as carretas em miniatura e vendia principalmente para postos de gasolina.

“Estava tudo bem até que veio um plano econômico do governo e precisei parar”, disse. Cardoso voltou à atividade porque não consegue ficar longe da madeira. Porém, a produção é pequena porque o trabalho na construção civil é pesado e toma o seu tempo.

Além de brinquedos, Cardoso fabrica bancos e até suportes para celular

Mas as miniaturas de caminhões feitas por Cardoso são requintadas. Os brinquedos têm portas que se abrem, retrovisores, parabarros e outros acessórios. Depois, recebem pintura ao gosto do freguês e podem ser personalizados com o nome de alguma empresa de transporte ou indústria.

Quando vendia os modelos, José Cardoso já alcançou até R$ 600 por unidade. “Quem gosta, paga sem reclamar”, garante. Hoje, está construindo pelo menos dois modelos para presentear os netos.

Acima, José Cardoso mostra uma das colmeias das abelhas “de estimação”. Abaixo, a produção de bicho da laranja, muito procurado pelos pescadores. A isca é usado para atrair especialmente tilápias.

Mas o artesanato com madeira não é a única atividade de José Cardoso. Uma curiosa produção do artesão são bichos de laranja, usados como isca por pescadores. Considerado uma iguaria especialmente por tilápias, os bichinhos surgem a partir de larvas de uma mosca preta, diferente da tradicional.

Cardoso vende o que é produzido, geralmente para os amigos pescadores. Um copo custa R$ 10, mas rende bastante. A criação é abastecida diariamente com frutas.

Outra curiosidade são os animais de estimação do artesão. Ele tem vários cachorros e… milhares de abelhas. Sim, Cardoso possui várias colmeias no quintal, feitas de madeira para abrigar espécies de abelhas que não têm ferrão. São insetos que ajudam os biomas brasileiros e há centenas de tipos para criações até mesmo na área urbana.

Cada colmeia começa com uma “isca”. As abelhas se aproximam e percebem a caixa de madeira propícia para formação de uma “comunidade”. Em pouco tempo, milhares de abelhinhas estão na caixa, produzindo mel. Quando há superpopulação, metade do enxame costuma partir para formar nova colmeia. É por isso que José Cardoso constrói novas caixas ao lado das colmeias, para ser habitada pelo novo enxame.

Algumas colmeias estão no quintal de José Cardoso há mais de dez anos. O artesão, contudo, nunca retirou um favo de mel. “São meus bichinhos de estimação. Crio porque gosto delas”, diz. 

 

* Colaborou Toko Degaspari

 

  • Publicado na edição impressa de 1º de janeiro de 2021