Ellen Manfrim

Cuidem das mães

Ir a um neuropediatra nunca é tranquilo

Cuidem das mães

Publicado em: 25 de março de 2022 às 17:46
Atualizado em: 26 de março de 2022 às 02:57

Eu sei que receber um diagnóstico nunca é fácil. Imagino que receber o diagnóstico de um filho seja ainda mais doloroso.

Vejo no rosto das mães o medo ao entrarem no meu consultório, analiso a forma desconfortável de suas posições na poltrona, o pânico iminente no olhar. Ir a um neuropediatra nunca é tranquilo. Afinal, como sempre digo, ninguém está ali apenas para bater um papo, mas sim atrás de uma resposta não desejada (e muito menos planejada).

Embora qualquer diagnóstico cause medo, alguns costumam deixar as mães mais preocupadas. É nítido, no meu dia-a-dia, o desespero diante do diagnóstico de autismo e de paralisia cerebral. Embora os demais transtornos do desenvolvimento também causem temor esses dois “nomes” soam como uma sentença, ainda hoje, e geram mais medo que os demais.

Acredito que isso aconteça porque o futuro seja inundado por dúvidas depois desses “nomes”. Alguns planos antes construídos parecem ir por água abaixo, e as mães se sentem inseguras diante de tantas incertezas, diante do inesperado que bate à porta.

Nessa semana não foi diferente. Tive que ser empática para dizer, de forma mais amena, aquilo que minha racionalidade exigia.

“Você precisa recolher o seu sofrimento nesse momento, porque ela precisa do seu apoio agora”. Sei que parece cruel usar essa frase. Mas naquele instante, cuidar daquela mãe me pareceu tão importante quanto cuidar do menino. A tia, presente na consulta, manteve-se firme e assentiu o meu pedido movimentando a cabeça. Ela entendeu que havia alguém sofrendo mais, que havia alguém que precisava de colo e cuidado: a mãe da criança.

Receber o diagnóstico não é fácil para ninguém da família. Mas os pais, com toda certeza, são os que mais sofrem (em especial a mãe). Proporcionar apoio, cuidado, ajuda e compreensão são importantes nesse momento delicado. Aliás, respeitar a necessidade do outro de permanecer em silêncio ou sozinho também é necessário. Nesse momento em que o pesadelo se torna a mais cruel realidade para essas mães, não podemos negligenciar a sua dor, a dor de sua família, a dor de alguém que acabou de se deparar com o inesperado.

Cuidar das crianças é extremamente importante, mas precisamos ir além. Precisamos cuidar das famílias. Precisamos cuidar das mães.

 


Ellen Manfrim

Ellen Manfrim

Ellen Manfrim é médica neuropediatra em Santa Cruz do Rio Pardo


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