Henrique Perazzi de Aquino

De onde vem a barbárie?

Coluna de Henrique Perazzi de Aquino

De onde vem a barbárie?

Publicado em: 14 de outubro de 2023 às 17:48

Ricos sempre existiram e existirão na face da Terra. Aqui no Brasil vigorou por quase toda sua existência a máxima de que, os ricos são o sustentáculo desta nobre nação e os pobres vivem destes. Muito simplista essa definição. O que existe de fato é um secular processo de inferiorização de uma classe social e a elevação aos píncaros da glória de outra. Razões históricas envolvidas na questão. Tento explicar algo em poucas palavras. Na verdade, nós brasileiros inventamos um sistema altamente rentável, perfeito para os do topo da pirâmide e massacrante para quem a sustenta nos ombros.

Começamos com os ciclos do açúcar, ouro e depois o café, com PIB prodigioso, empreendimentos formidáveis, mas só para os do lado de cima da vida. Desde os primórdios desta nação, a classe dominante, dita e vista como a promotora da prosperidade conseguiu realizar verdadeiras façanhas com sua extraordinária habilidade. Fez isso sem pestanejar, assim como, enfrentou e venceu todas as tentativas de revoluções sociais desencadeadas no país. Na qualidade de historiador, confesso, rendo homenagens a estes, escrevinhadores de nossa história, pois ao longo delas, aprendi nos bancos escolares que aquilo tudo eram meros motins e nada de intensa luta social.

Ou seja, a classe dominante brasileira, soube ao longo do tempo, com sabedoria crescente, dirimir os embates, colocando-os num casulo fechado e tratando tudo com o intuito de preservar seus interesses. Desta forma, puderam legar e manter a exuberância de suas vidas. Isso vem de longe, desde a cordata mucama que nos amamentaria de leite e ternura, sem nada de contestar pela sua situação. A façanha educacional da classe dominante brasileira é de grande monta, muito resolutiva, pois conseguiu manter o povo xucro, ignorante e sem entender direito o que lhe acontece.

Educação é coisa mais do que séria e quando feita por quem de fato deseja fazê-lo sem amarras, ela transforma o cidadão de subserviente, a entendedor de tudo, daí, não só questiona como exige o seu quinhão. Porém, vigorou e tentam dar continuidade em algo dignificando a “santa ignorância popular”. Olho para estes verde-amarelos de hoje e os endinheirados que mantiveram os acampamentos diante dos quartéis, promovendo churrascos para incautos circulando por ali e tenho a mais absoluta certeza, estes acham uma inutilidade ensinar o povo a ler, escrever, sem jamais, revelar o intuito. Daí, para demonizar o educador Paulo Freire um pulo. Isso foi e continua sendo feito.

A ignorância popular precisa ser mantida a todo custo, pois do contrário o castelo de areia rui. Denomino isso de astúcia e isso vem se materializando, sendo repetida ao longo da história deste país. Alguém em sã consciência acredita que, se povo soubesse o que de fato está acontecendo deixaria Bolsonaro nos governar por quatro intermináveis anos? Jogo isso tudo para os dias de hoje e constato da insanidade que é o dono do dinheiro não querer pagar impostos – hoje o das grandes fortunas - e continuar flanando, usando de forte lobby, falar grosso, usar de sua força e influência, permanecendo no topo, pouco se lixando para os de baixo. Darcy Ribeiro, meu antropólogo mestre, inspirador deste texto, profetizou: “a crise educacional deste País, não é uma crise e sim, um programa”. Do contrário, a ignorância já teria sido erradicada. Ele usava uma palavra chave para tudo, “desenclaustrar” o Brasil. Nossa classe mais abastada quer e prega exatamente o contrário.


Henrique Perazzi de Aquino

Henrique Perazzi de Aquino

Henrique Perazzi de Aquino é jornalista, professor de História e mantém o blog Mafuá do HPA (www.mafuadohpa.blogspot.com)


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