Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

A rainha das uvas brancas

Esta última é matriarca de muitas uvas francesas e alemãs e já era cultivada em Champagne desde o século IX

A rainha das uvas brancas

Publicado em: 07 de abril de 2022 às 17:45
Atualizado em: 09 de abril de 2022 às 04:58

Comentei semanas atrás que a Cabernet Sauvignon é a rainha das uvas tintas e recebi inúmeras mensagens perguntando: “Qual seria a rainha das brancas?”.

A nossa rainha branca é a Chardonnay e ela também se adapta a diversos climas. Pode ser cultivada em locais mais frios e até outros um pouco mais quentes.   O resultado é surpreendente nos mais diversos climas, permitindo a produção de vinhos de estilos muito diferentes.

A Chardonnay é uma casta internacional, mas sua origem também é francesa. Trata-se de um cruzamento entre a Pinot Noir e Gouais.  Esta última é matriarca de muitas uvas francesas e alemãs e já era cultivada em Champagne desde o século IX.

A rainha branca tem amadurecimento precoce, isto é, mais rápido, e por isso se dá muito bem em locais frescos e em solos ricos em calcário e marga (mistura de argila e calcário). Esta uva alcança níveis elevados de açúcar, mas em climas mais quentes pode ver reduzida drasticamente a sua acidez, o que não é bom, pois a acidez é essencial, principalmente no vinho branco, lhe garantindo o tão festejado frescor.

Embora na França a Chardonnay possa ser encontrada em diversas regiões, é na Borgonha que ela manifesta sua máxima expressão e nesta região, de norte a sul, há significativa alteração de solo e clima, o que permite identificar claramente pelo menos três estilos de vinhos.

Ao norte da Borgonha temos a sub-região de Chablis. No rótulo do vinho está estampado Chablis. Não tem erro! Se é Chablis, é Chardonnay! No período Jurássico tudo estava submerso sob um mar interior, que hoje é denominado de Bacia de Paris. Por isso, nos melhores vinhedos de Chablis, chamados Grand Cru, se encontram grande quantidade de fósseis marinhos, com destaque para uma pequena ostra em forma de vírgula, chamada "Exogyra virgula".  Este solo, que é riquíssimo em calcário, aliado ao clima mais frio, pois estamos próximos à Champagne, gera vinhos com alta acidez, que chegam a ser elétricos na boca, com notas de maçã verde e limão siciliano. Mas o seu destaque está na sensação de mineralidade produzida no palato que, algumas vezes, chega a lembrar maresia e até pedras molhadas. É fantástico com ostras e frutos do mar, diria que é uma harmonização ancestral.

Ao sul de Chablis, na sub-região intermediária da Borgonha, que é a mais famosa, temos a Côte D'Or, ou Costa Dourada, que se divide em duas. Ao norte Côte Nuits, seguida por Côte de Beaune. Aqui não há sinais evidentes de solo marinho como em Chablis, mas violentos eventos geológicos ocorridos em milhões de anos geraram uma diversidade tão grande de solo que um vinhedo pode produzir vinhos completamente diferentes daquele que fica ao lado, somente por conta da mudança radical do solo. Há abundância de solos de calcário e de marga rica em calcário. A nossa rainha Chardonnay prefere o solo calcário. Vêm de Côte de Beaune os vinhos de Chardonnay mais cobiçados e caros do mundo. São os Grand Cru: Corton, Meursault, Puligny Montrachet e Chassagne Montrachet. Embora cada um tenha as suas particularidades, peço licença para descrevê-los conjuntamente. São vinhos com sabor puro, mais concentrados, potentes e com notas de frutas mais maduras do que os de Chablis, com notas de marzipã, maçã, manteiga quente, amêndoa tostada e mel.  Devem ser degustados de joelhos.

No extremo sul da Borgonha encontramos Maconnais, a sua região mais quente, onde a Chardonnay amadurece exuberante, presenteando vinhos gordos, mas com uma gostosa acidez. Aqui também aparece o solo marinho rico em calcário, com destaque para a Denominação de Origem Pouilly Fuissé, que fica no bioma conhecido como Rocha de Solutré. 

Os melhores vinhos de Chardonnay do mundo têm na Borgonha o seu paradigma, pois aqui encontramos o Chablis mais ligeiro, com notas de frutas verdes e mineralidade; em Côte de Beaune, um vinho mais potente e elegante e, em Maconnais, vinhos mais encorpados.

Indico três bons vinhos brasileiros de Chardonnay que já foram premiados na Europa: Gazaro, Dádivas da Lídio Carraro e Leopoldina Gran Chardonnay da Casa Valduga. Saúde e um forte abraço.

           


Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

Por Mauricio Azevedo Ferreira, Promotor de Justiça aposentado que transformou uma paixão em atividade, dedicando-se ao ensino sobre vinhos. É responsável pelo conteúdo da página no Facebook, do perfil no Instagram e do canal do YouTube Apaixonado por Vinhos, além de ministrar cursos. É certificado pela WSET — Wine & Spirit Education Trust, nível 3, e FWS — French Wine Schollar.


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