Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

Languedoc e Rousillon

Se você ainda não experimentou, vou dar motivos para fazê-lo

Languedoc e Rousillon

Publicado em: 28 de janeiro de 2022 às 17:55
Atualizado em: 29 de janeiro de 2022 às 05:13

A saudosa tia Lola já dizia: “Quem tem fama, deita na cama.”

Isto é aplicável ao mundo dos vinhos, especialmente aos franceses. A França é reconhecida mundialmente pela qualidade de seus vinhos: Criou fama! Assim, colhe os louros e deita na cama. Aqui não há crítica ou conotação pejorativa, pois, uma “Apelação de Origem Controlada – AOC”, com são chamadas as regiões vinícolas francesas, estabelecem normas rígidas de qualidade que devem ser observadas pelos produtores, sob pena destes não poderem ostentar no rótulo de seus vinhos o nome da respectiva região. Este controle, aliado à qualidade dos vinhos, sem dúvida criou fama e, até mesmo, glamour, como o caso de Champagne.

Mas não há como deixar de reconhecer que em uma mesma AOC, os vinhos produzidos na respectiva região não são todos iguais. Há uma pirâmide de qualidade, com a maioria na base e poucos no topo. Também entre as AOCs há diferenças, principalmente devido às próprias características de cada “terroir”. Embora não seja fácil comparar vinhos de estilo e “terroir” distintos, é certo que o preço nos auxilia nesta comparação. Os grandes vinhos de Bordeaux, da Borgonha e de Champagne podem atingir vários milhares de reais. Sendo certo que, por outro lado, os melhores vinhos do Vale do Loire, Côte du Rhône e Beaujolais alcançam valores bem inferiores.

Mas, se você já experimentou um vinho francês e pagou por ele menos de cem reais, mesmo sem ser vidente, posso afirmar que há grande chance de este ter sido produzido na região de Languedoc e Rousillon, no extremo sul da França. Se você ainda não experimentou, vou dar motivos para fazê-lo.

Phoceos, antigos gregos da Ásia Menor, atual Turquia, chegaram em 600 A. C., através do mediterrâneo, ao solo francês e fundaram a cidade Massalia, atual Marseille, que é o coração da Provence. Trouxeram e desenvolveram a viticultura. Os romanos chegaram em torno 120 A.C. e deram novo impulso à viticultura, justamente na região hoje conhecida como Languedoc: são séculos de tradição vinícola. 

Languedoc e Rousillon, embora sejam regiões distintas e contíguas, dada a reunião administrativa de ambas foi autorizado aos produtores recolherem uvas provenientes de qualquer lugar destas para elaborarem seus vinhos. Estes podem ser rotulados como “Languedoc” (Apelação de Origem Controlada – AOC) ou “Pays d'Oc" (Indicação Geográfica Protegida – IGP).

Qual é a diferença? Apesar de ambos os vinhos serem produzidos com uvas colhidas na mesma macrorregião, Languedoc, por ser uma AOC, apresenta maior restrição quanto às uvas que podem ser empregadas, além de ser exigida um menor rendimento por hectare, em relação a Pays d'Oc. Esta, por ser uma IGP, sofre menores restrições e é autorizada uma maior produção por hectare. Lembrando que há o entendimento de que, quanto menor a rendimento de uvas por hectare, maior a qualidade destas e, por conseguinte, melhor a qualidade do vinho. Assim, não é necessário muito raciocínio para concluir que os vinhos Languedoc (AOC) tendem a ter maior qualidade e preço do que os Pays d'Oc (IGP).  Ambos representam um grande percentual dos vinhos exportados pela França e ganham o mundo pela fama francesa e bom preço. 

Os vinhos Languedoc (AOC) são blends de, pelos menos, duas castas dentre as autorizadas. Para os tintos, destaco as uvas Grenache, Syrah, Mourvèdre, Cinsault e Carignan. Por sua vez os vinhos Pays d'Oc (IGP) podem ser elaborados com todas as uvas autorizadas para a AOC Languedoc, além de dezenas de outras. Vinhos Pays d'Oc podem ser monovarietais, confeccionados com uma única casta e, diversamente do ocorre na maioria dos vinhos franceses, estampam o nome da uva no rótulo, como nós brasileiros estamos acostumados.

A região possui clima mediterrânico, caracterizado por verões quentes, secos e muito sol. O que é perfeito para a boa maturação e enseja vinhos com taninos mais redondos do que de outras regiões mais frescas da França. São vinhos mais aceitáveis ao paladar do iniciante.

Quer experimentar um vinho francês agradável, com bom preço, procure por vinhos em que conste no rótulo Pays d'Oc (IGP). Depois, caso queira se aventurar em outro, um pouco melhor, sem ser muito mais caro, escolha um Languedoc (AOC).


Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

Por Mauricio Azevedo Ferreira, Promotor de Justiça aposentado que transformou uma paixão em atividade, dedicando-se ao ensino sobre vinhos. É responsável pelo conteúdo da página no Facebook, do perfil no Instagram e do canal do YouTube Apaixonado por Vinhos, além de ministrar cursos. É certificado pela WSET — Wine & Spirit Education Trust, nível 3, e FWS — French Wine Schollar.


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