Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

Vinho “Grand Cru”

Será que esta expressão é uma garantia segura de um vinho excelente?

Vinho “Grand Cru”

Publicado em: 11 de fevereiro de 2022 às 15:17
Atualizado em: 12 de fevereiro de 2022 às 06:52

Quando se gosta de determinado produto, ou bem de consumo, buscamos conhecer sobre ele e, inclusive, identificar os de melhor qualidade, mesmo que sejam inalcançáveis em razão do seu alto preço. Isto satisfaz a nossa autoestima ao possibilitar descobrir no produto que nos é acessível algumas das qualidades daquele que é top, mesmo que não experimentemos muitas delas em nossa opção mais barata. 

Assim, muitos enófilos (apaixonados por vinhos) exibem nas redes sociais, como se fosse troféu, fotos de vinhos que estampam no rótulo a expressão “Grand Cru”. Mas será que esta expressão é uma garantia segura de um vinho excelente?

A palavra francesa “Cru” pode ser traduzida literalmente como crescido, cultivado. Mas, recebeu um significado muito mais complexo na Idade Média, quando do surgimento dos mosteiros na França, especialmente na Borgonha. Os monges, conhecidos como Cistercienses, tinham como lema de vida “Oração e Trabalho”. Seu principal labor era a agricultura, com destaque para a viticultura. O vinho era essencial para a celebração da missa, sem esquecer que também fazia parte dos hábitos alimentares. 

Os monges eram organizados, registravam tudo o que faziam e os respectivos resultados. Tinham paciência: removiam vinhedos de terrenos que não produziam bons vinhos e buscavam outro local. Passados muitos anos, observaram que os melhores vinhos eram originários de parcelas do vinhedo que se situavam nas encostas. Não em qualquer ponto, mas exatamente no meio da encosta. A estes excelentes vinhedos chamaram de “Grand Cru” e muitos deles são assim classificados até os dias de hoje. Em toda a Borgonha há somente 33 vinhedos “Grand Cru” (Clos de Vougeot, Romanée-Conti, Montrachet, etc.). Seus vinhos são os mais caros desta região, alcançado milhares de reais. Em nível um pouco inferior a estes, os monges classificaram os vinhedos “Premier Cru”. São bons e possuem preços mais aceitáveis, embora não sejam baratos.

Cuidado com a pegadinha: comprar por uma pechincha um vinho francês com a anotação no rótulo de “Grand Cru” e pensar que se está adquirindo um vinho fantástico. Em Bordeaux, outra importante região vinícola da França, o Vinho “Grand Cru” tem outro significado.

Quando da realização da famosa Exposição Universal de Paris, em 1855, pelo Rei Napoleão III, foi solicitada à Câmara de Comércio de Vinhos de Bordeaux que apresentasse uma relação dos melhores vinhos e enviasse alguns exemplares. Tomados pelo senso prático, os negociantes simplesmente utilizaram a lista que já possuíam, com o critério preço, considerando o valor que vendiam os vinhos dos melhores produtores. Foram selecionados somente 88 produtores e chamados de “Crus Classés”, sendo divididos em cinco níveis.  Os vinhos do patamar mais elevado foram nomeados de “Premiers”. Foram somente quatro Chateaux:  Margaux, Latour, Lafite e Haut-Brion. Os níveis seguintes foram classificados como Deuxièmes (Séconds), Troisièmes; Quatrièmes e Cinquièmes. A única alteração ocorreu em 1973, com a elevação de “Deuxième Cru” para “Premier Cru Classé” do Château Mouton-Rothschild, por decreto presidencial de Charles de Gaulle.     

Não se pode perder de vista que na Borgonha a classificação foi de vinhedos e, em Bordeaux, a classificação foi de produtores. A distinção é relevante, pois embora esta classificação permaneça até os dias de hoje, muitos produtores de Bordeaux adquiriram outras terras, ampliaram seus vinhedos, às vezes não tão bons como os vinhedos originários. Mas, mesmo assim, continuam a ostentar a classificação que receberam em 1855. Ademais, a maioria dos classificados nos níveis inferiores estampam no rótulo a expressão “Grand Cru Classé” sem indicar o nível da classificação. Desta forma o vinho pode ser confundido, pelos desavisados, com a um top: “Premier Cru Classé”

Bordeaux tem 13 mil viticultores e 9 mil Châteaux engarrafadores de vinho.  A grande maioria dos produtores ficou de fora dessa classificação de 1855, são os “Petit Château”. Visando contornar esta situação foi criada pelos próprios produtores em 1932 os “Cru Bourgeois”. Não chegam a 3 centenas.  Procure rótulos de Bordeaux com esta indicação.  São blends de Cabernet Sauvignon e Merlot, seguem normas mais rígidas de manejo do vinhedo e de vinificação, receberam a aprovação dos demais integrantes da liga, são avaliados periodicamente e têm preços módicos, não sendo necessário dar um rim.


Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

Maurício Ferreira: apaixonado por vinhos

Por Mauricio Azevedo Ferreira, Promotor de Justiça aposentado que transformou uma paixão em atividade, dedicando-se ao ensino sobre vinhos. É responsável pelo conteúdo da página no Facebook, do perfil no Instagram e do canal do YouTube Apaixonado por Vinhos, além de ministrar cursos. É certificado pela WSET — Wine & Spirit Education Trust, nível 3, e FWS — French Wine Schollar.


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