CULTURA

‘O céu da divisa’: exposição de fotógrafo já começou

Fotógrafo Rafael Lefcadito mostra seu talento com imagens de astrofotografia em exposição de 11 dias

‘O céu da divisa’: exposição de fotógrafo já começou

Publicado em: 20 de fevereiro de 2021 às 13:20
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 08:28

Sérgio Fleury Moraes

“A fotografia é uma forma de vida. O fotógrafo, quando faz uma intervenção, faz com a história dele, com a ideologia, com a ética. Então, o resultado disso é essa escritura chamada fotografia, é algo muito especial”. A frase de Sebastião Salgado, o premiado fotógrafo brasileiro, resume uma arte que nunca esteve tão democratizada como hoje, com o advento das imagens digitais. No entanto, não há equipamento que substitua a sensibilidade do olho humano, que transforma imagens em puro talento.

Afinal, foi o acaso que transformou o jornalista Rafael Lefcadito, 41, em fotógrafo de rara sensibilidade. Nascido em Descalvado-SP e formado pela Unesp de Bauru, ele se casou com uma ourinhense, depois de uma temporada no Canadá, e mora há 14 anos em Ourinhos. Mas sua vocação aparente era a cinegrafia que, inclusive, o levou à produção dos telejornais da TV Tem. Rafael fez até cursos de videorreportagem, documentários e cinegrafia. De repente, começou a fotografar e acabou se apaixonando. No início de março, ele vai expor parte de seu trabalho na mostra “O Céu da Divisa”. A exposição começa nesta segunda-feira, 1º.

Rafael ainda não transformou suas fotos num negócio. Ele diz que é um hobby, inclusive um pouco caro. O fotógrafo foi dono de uma pequena produtora em Ourinhos, que resolveu fechar há cinco anos. Hoje, ele e a mulher comandam uma clínica veterinária. Rafael, entretanto, vive com o olhar atento às imagens do cotidiano e até do universo.

“Inicialmente meu trabalho foi voltado à fotografia de rua, que ainda desenvolvo”, disse. São imagens fantásticas que registram o cotidiano da cidade, as pessoas e os prédios mais antigos. “Eu gosto muito desta cultura do interior, que representa elementos da estética caipira”.

Neste tipo de fotos, Rafael mostra pessoas comuns no dia a dia da cidade, formando imagens fortes. “Gosto de registrar ambientes e cenários que têm a ver com a história de Ourinhos, como ferrovia, caixa d’água, cerâmicas antigas e bairros tradicionais”, explicou. Segundo ele, não é apenas a arquitetura urbana o motivo principal. “Sempre tem um personagem, uma pessoa caminhando. É o elemento que dá vida à fotografia”, disse.

A Ponte Pênsil sob as lentes de Rafael
O fotógrafo Rafael Lefcadito
Imagem do moinho da fazenda Vista Alegre, em Ribeirão Claro-PR, mostra no céu a “Via Láctea”, da qual o sistema solar faz parte

 

Rafael admite que, muitas vezes, a sorte favorece o fotógrafo. “E não apenas o fator sorte, mas também o elemento paciência que é muito importante”, afirmou. Às vezes, a paciência significa permanecer uma hora aguardando o momento certo de tirar a foto.

Aliás, uma série de fotos de Lefcadito, por exemplo, mostra um duplo arco-íris sobre uma olaria abandonada de Ourinhos, com cavalos pastando num gramado. Rafael conta que havia concluído outras fotos na Cohab e, quando voltava para casa, se deparou com o arco-íris. “Era um final de tarde e ainda caía uma fina garoa. Quando vi a cena, voltei correndo, me posicionei e deu tempo de fazer a série de imagens”.

Uma das fotos mostra um cavalo de frente com a chaminé da olaria ao fundo, sobre sua cabeça. Bem a propósito, Rafael batizou a imagem de “unicórnio”.

A astrofotografia, a mais recente paixão de Rafael Lefcadito, também surgiu por acaso. Em junho do ano passado amigos incluíram Rafael num grupo de WhatsApp sobre fotos noturnas do céu. Um dos líderes do grupo é o fotógrafo Ricardo Maurício Carnaval, que inclusive é professor de fotos noturnas. “Um dia, me chamaram para uma sessão de astrofotografia. Até então, eu não tinha nenhuma experiência neste ramo. Fomos até a cachoeira da fazenda Laranjal, em Jacarezinho, porque havia informação de que naquela noite a Via Láctea estaria em posição privilegiada. Nesta noite, surgiu em mim uma paixão por este tipo de fotografia”, afirmou. A posição da Via Láctea pode ser consultada num aplicativo especial.

A partir do segundo semestre do ano passado, Rafael se dedicou praticamente à astrofotografia, fazendo imagens fantásticas das estrelas compondo com elementos em terra, como cachoeiras, pontes ou paisagens. Ele fez várias séries em Ourinhos, Chavantes, Cambará, São Pedro do Turvo, Ribeirão Claro e outros municípios.

Em Chavantes, por exemplo, Rafael fotografou o céu tendo como elemento a histórica ponte pênsil. “Fiz a série um mês antes de alguém colocar fogo na ponte. Quando soube da destruição, cheguei a chorar”, admitiu.

A astrofotografia requer um ambiente totalmente escuro e longa exposição da máquina. “É um breu total, pois quanto mais escuro, melhor. A técnica requer o distanciamento da cidade para fugir das luzes, mas nem sempre isto é possível”, afirmou. Claro que há riscos, como a presença de animais, assaltos ou terrenos perigosos. “É uma aventura emocionante, mas sempre estamos bem equipados, inclusive com lanternas”.

O divertimento, diz, compensa todos os riscos. “A gente dá muita risada e volta com a cabeça leve. Além disso, é uma interação grande com a natureza, um momento de apreciá-la e perceber o quanto somos pequenos perante a magnitude do universo”, disse.

Uma dessas sessões custou a Rafael uma semana de dores na perna e nas costas, fruto de uma queda de quase dois metros na cachoeira do Laranjal.

Uma coletânea da arte de Rafael Lefcadito estará na exposição “O Céu da Divisa”, aberta ao público de 1º a 11 de março na “Casa Pangea”, em frente à rotatória da Trilha Verde. O trabalho foi incluído no projeto da secretaria de Cultura de Ourinhos e na Lei Aldir Blanc. São 25 painéis que também poderão ser acompanhados na exposição virtual no facebook. A entrada é gratuita.

 

Serviço:

Exposição “O Céu da Divisa”, de Rafael Lefcadito. Local: Casa Pangea, Galeria P70, avenida Horácio Soares, 829, Ourinhos-SP

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