CULTURA

Ávila Machado, o locutor de Santa Cruz que chegou à TV

Ele nasceu em Santa Cruz e fez fama como comentarista da antiga rádio e TV Tupi

Ávila Machado, o locutor de Santa Cruz que chegou à TV

Em junho de 1958, na transmissão da Copa do Mundo na Suécia, Ávila (à esquerda) está ao lado de Kale

Publicado em: 06 de março de 2021 às 06:11
Atualizado em: 29 de março de 2021 às 07:14

Sérgio Fleury Moraes

Na década de 1940, um menino de Santa Cruz do Rio Pardo vivia brincando de ser locutor de rádio com a espumadeira da mãe imitando um microfone. Era a brincadeira que adorava, sempre usando os mais imagináveis instrumentos de cozinha. O menino cresceu, foi para São Paulo e voltou à cidade para cursar a quarta série do antigo ginásio e o colegial. Foi aí que José Carlos de Ávila Machado se tornou um locutor profissional, primeiro na Difusora do deputado Leônidas Camarinha e, depois, nas emissoras e jornais dos Diários Associados, inclusive na lendária TV Tupi.

A família Machado morava em Bernardino de Campos e veio para Santa Cruz do Rio Pardo, onde José Carlos nasceu. Uma das três irmãs dele é Heloísa Machado do Nascimento Camarinha, viúva do ex-vereador e ex-vice-prefeito José Carlos Camarinha. “Ele adorava futebol”, contou.

Na verdade, embora fosse apaixonado pelo rádio e pelo futebol, José Carlos voltou para São Paulo sem saber ao certo qual carreira seguir. Tentou até um vestibular para o curso de Medicina, mas desistiu. Seu caminho seria mesmo o rádio. Porém, ele contraiu uma meningite e foi obrigado a retornar para Santa Cruz do Rio Pardo. A meningite, doença da qual não se sabia muita coisa, era o terror daqueles tempos.

“Demorou, mas ele se recuperou totalmente, sem nenhuma sequela”, conta a irmã. Nesta época, José Carlos Ávila Machado tinha apenas 22 anos. Segundo Heloísa, Ávila era considerado um jovem “reservado”, mas muito inteligente. “Ele fazia qualquer coisa, desenvolvia um bom trabalho em qualquer lugar. Tinha uma inteligência enorme”, disse.

Ainda jovem, ingressou na rádio Difusora e começou a apresentar um programa no início da tarde, chamado “Ponto de Encontro”, onde lia crônicas diárias. “Como ele gostava muito de esportes, logo passou para a equipe esportiva”, conta o radialista José Eduardo Catalano, que trabalhou com Ávila Machado na mesma emissora.

Segundo Catalano, Ávila Machado também participou das novelas da rádio Difusora, que marcaram época em Santa Cruz do Rio Pardo. Os capítulos eram transmitidos todos os dias a partir das 17h, “quase” ao vivo, já que eram gravados pouco antes de irem ao ar. “Foi um período forte das novelas no rádio”, avalia.

Na Difusora, além de Ávila Machado, também trabalhavam como “artistas” das novelas a própria Heloísa Machado, o professor João Batista Borges Pereira, Benedito Camarinha e outros. “Era uma diversão para todos”, lembra José Eduardo Catalano. Os efeitos sonoros também eram improvisados com objetos de todos os tipos, como panelas, sacos de papel, garrafas ou latas.

No entanto, José Carlos sabia que São Paulo poderia ser o palco do seu futuro como radialista esportivo. Assim, voltou à capital — e para fazer história.

Na verdade, o jovem Ávila ouviu muitas histórias de Amaury César, um radialista que trabalhou na antiga rádio Tupi e retornou para Santa Cruz nos anos 1960. Já tinha um talento natural nos microfones e, incentivado por Amaury, entrou fácil para a turma esportiva mais famosa do Brasil — a “equipe 1040” da rádio Tupi de São Paulo.

Como comentarista, foi parceiro do locutor Haroldo Fernandes, aquele que se notabilizou pelo bordão no final de cada jogo: “Quem ganhou, ganhou; quem não ganhou, não ganha mais”. Além de Haroldo, integravam a equipe Vitor Moran, Joseval Peixoto, Juarez Soares e muitos outros.

O jornalista Milton Neves, que hoje comanda o programa “Terceiro Tempo” na TV Bandeirantes, escreveu em seu blog “Que Fim Levou?” que “Ávila Machado marcou época pela competência, seriedade, conhecimento esportivo e por suas tradicionais costeletas, que o faziam parecer um mórmon americano”.

De acordo com Neves, o santa-cruzense foi contemporâneo de Mário Moraes, Orlando Duarte, Randal Juliano, Cláudio Carsughi, Mauro Pinheiro, João Saldanha, Barbosa Filho, Rui Porto, Kafunga, Wilson Brasil, Milton Camargo, Carlos Aymard e Milton Peruzzi.

José Carlos Ávila Machado se casou ainda jovem e viveu um drama em 1964. Comprou um Fusca novo e resolveu passear no Rio de Janeiro com a mulher, mas o carro capotou na viagem. A mulher morreu e o radialista ficou muitos anos deprimido pela tragédia. “Ele nunca mais foi o mesmo”, lembrou certa vez seu amigo Juarez Soares — que foi repórter e comentarista da TV Globo e morreu em 2019.

Viúvo e com quatro filhos, Ávila Machado demorou oito anos para se casar novamente, coincidentemente com uma mulher de Santa Cruz do Rio Pardo. Ela Antônia, da família Ricieri Luvizoto.

Além de comentarista esportivo da Tupi, José Carlos foi funcionário do grupo “Diários Associados”, de Assis Chateaubriand, por mais de 30 anos. Também brilhou na antiga TV Tupi, do mesmo grupo, além de manter uma coluna esportiva nos antigos “Diário de São Paulo” e “Diário da Noite”.

O radialista morreu no dia 29 de novembro de 1997, deixando o legado de uma das mais bonitas histórias do rádio esportivo brasileiro. Em Santa Cruz do Rio Pardo, não há nenhuma homenagem ao profissional que integrou a lendária “Equipe 1.040” da rádio e TV Tupi. 

 

* Colaborou Miguel Moyses Abeche Neto

Em 1957, num torneio de seleções em Buenos Aires, estão Luiz Amaral, Roberto Petri, Ávila Machado, Oduvaldo Cozzi e Walter Mello
Em 1975, durante homenagem, Ávila é o terceiro a partir da esquerda, ao lado da mulher Antônia
RESPEITO — Ávila Machado e sua segunda mulher, Antônia, num evento com a presença do governador Laudo Natel nos anos 1970

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