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Morre o médico Hirosi Otani, 82, ex-prefeito de Ipaussu

Morre o médico Hirosi Otani, 82, ex-prefeito de Ipaussu

Quarta, 30 de dezembro de 2020

Médico revolucionou a Santa Casa de Ipaussu nos anos 1980 e foi eleito prefeito em 1992 em eleição acirrada

Hirosi, quando era o prefeito de Ipaussu (Arquivo: DEBATE)



Sérgio Fleury Moraes

Da Reportagem Local

O médico Hirosi Otani morreu na segunda-feira, 21, em Presidente Prudente. Ele tinha 82 anos e sofria de Alzheimer há algum tempo, cuja doença o debilitou. Hirosi foi prefeito de Ipaussu na década de 1990 e médico da Santa Casa de Misericórdia daquele município. Hirosi deixou a mulher e três filhos.

O médico morava em Martinópolis antes de chegar a Ipaussu no início da década de 1980 para trabalhar na Santa Casa. Junto com o colega Juarez Tavares, Hirosi foi um dos responsáveis pelo ressurgimento do hospital como um centro médico regional. Naquela década, centenas de mulheres procuravam Ipaussu para seus partos e era comum encontrar crianças nascidas naquela época que, embora morassem em outros municípios, seus documentos apontavam o nascimento na Santa Casa de Ipaussu.

POSSE EM 1993 — Hirosi observa o vice Tiririca assinar o livro de posse, em solenidade no início de 1993



No entanto, embora amado pela população, Hirosi Otani começou a ser perseguido por políticos. Com gênio forte, resolveu se candidatar a prefeito em 1992. Para ele, seria o fim das perseguições. No início daquele ano, era filiado no MDB, mas o partido fechou-lhe as portas, negando a legenda.

“Foi, então, que ele veio me procurar”, lembrou Roberto Tiririca Guidio Perez, o ex-vereador que tinha o comando do antigo PDS naquela época. Bastaram alguns minutos de conversa e houve um acordo para o lançamento da chapa Hirosi-Tiririca para as eleições de 1992.

A disputa foi uma das mais complicadas da história de Ipaussu, com cinco candidatos concorrendo ao cargo de prefeito. Além do ex-prefeito Antônio Alonso Sobrinho (PMDB), o sindicalista Pedro Rosin (PDT) despontava como líder político em ascensão. Além deles e Hirosi, também disputavam a eleição Antônio Carlos Vieira (PT) e Rafael Generoso (PSDB).

A família do ex-prefeito Carlos Alberto Vianna Egreja decidiu que “Lalo” não seria candidato e apoiou Hirosi. O médico venceu a eleição com 1.959 votos, contra 1.618 de Pedro Rosin e 1.426 de Alonso Sobrinho. No entanto, o grupo de Otani só conseguiu eleger um dos nove vereadores. Assim, teve enormes dificuldades para governar.

Com a família, comemorando a chegada de 2019



“Na verdade, ele gostava mesmo da medicina. Nunca foi político”, avalia o ex-vice-prefeito de Hirosi, Roberto Tiririca. Hirosi não fugia de embates e muitas vezes compareceu à Câmara para acompanhar os ataques dos vereadores. “Quando o cutucavam, ele ia de encontro. Não fugia do debate”, contou o ex-vice-prefeito.

Numa destas tumultuadas sessões, em 1994, o DEBATE acompanhou os embates e entrevistou Hirosi ainda no plenário da Câmara. O médico respondeu aos ataques dos vereadores sem economizar adjetivos e nem se intimidar com o gravador: “São todos uns bêbados, cachaceiros e desordeiros”. Assim era Hirosi.

“Claro que ele foi um político cheio de defeitos, mas o que realizou pela medicina suplanta a tudo”, avalia Tiririca. Aliás, o confronto com a Câmara chegou a provocar até a cassação do prefeito.

A sessão extraordinária de cassação foi realizada numa sexta-feira e Tiririca, constrangido, assumiu a prefeitura de Ipaussu por algumas horas. Enquanto isso, Hirosi recorreu à Justiça e foi reintegrado no cargo no dia seguinte.

Fotografia de Hirosi está no hall de entrada da prefeitura de Ipaussu, na galeria dos prefeitos



Durante todo o mandato, o prefeito não deixou de ser médico. Como não havia reeleição na época, Hirosi deixou o cargo e praticamente passou a dormir na Santa Casa de Misericórdia, atendendo principalmente os mais carentes. Nesta época, Tiririca era o provedor do hospital e ficava impressionado com a disposição de Hirosi. “Ele quase nem descansava. Se um colega faltava no plantão, era ele quem cobria”, lembra.

Mais tarde, cansado das perseguições, Hirosi deixou Ipaussu e foi morar com a família em Presidente Prudente. Roberto Tiririca disse que, mesmo com tantos problemas, se transformou num amigo estimado por Hirosi. “Foi tão amigo que em 2016 ele voltou a Ipaussu para ajudar na minha campanha a prefeito. Percorreu bairros e pediu votos”, contou.

O prefeito Sérgio Guidio (PSDB) decretou luto oficial em Ipaussu por três dias pela morte de Hirosi Otani. O médico e ex-prefeito foi sepultado em Presidente Prudente.



  • Publicado na edição impressa de 25 de dezembro de 2020


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