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Policial que matou jovem vai a júri popular em 2020

Policial que matou jovem vai a júri popular em 2020

Sexta, 15 de novembro de 2019

PM que assassinou Brian Pontes

será julgado em maio do próximo ano


Sérgio Fleury Moraes

Da Reportagem Local

O policial Luís Paulo Isidoro, que em junho de 2016 matou a tiro o jovem santa-cruzense Brian Cristian Bueno da Silva, será julgado em júri popular no dia 28 de maio do próximo ano. A decisão é da juíza Raquel Grellet Pereira Bernardi, da comarca de Ourinhos, após um recurso do policial ter sido negado pela 6ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A magistrada observou que Luís Paulo Isidoro foi denunciado pelo Ministério Público como incurso no artigo 121 do Código Penal, com agravantes como motivo fútil e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Neste caso, o policial militar, caso seja condenado, pode ser punido com pena de doze a trinta anos de reclusão, em regime fechado. O júri popular marcado para o dia 28 de maio do próximo ano começa às 13h, segundo o despacho da juíza.

NA ATIVA — O policial Luís Paulo Isidoro não foi preso e ainda continua trabalhando na corporação militar



O policial militar já estava determinado para ser julgado por um júri popular desde 2017. No entanto, seu advogado, o ex-juiz Osny Bueno de Camargo, apresentou vários recursos que protelaram a decisão. A defesa insiste que a arma de Luís Paulo disparou acidentalmente e que não houve intenção de matar. O último recurso, porém, foi julgado improcedente pelo Tribunal de Justiça, que manteve a decisão de primeira instância, de que o policial militar cometeu homicídio doloso – com intenção de matar.

Houve até controvérsias sobre o suposto disparo acidental, que foi descartado por uma perícia feita pela própria Polícia Militar. A defesa apresentou um laudo particular, que apontou outra versão possível, mas prevaleceu o documento original. Todas as provas caminham contra o policial, já que o crime foi filmado por uma câmera de segurança de uma oficina nas proximidades do recinto da Fapi. Há relatos de que policiais militares tentaram retirar o conteúdo das imagens antes que elas fossem analisadas por técnicos especializados.

TRISTEZA — Brian deveria começar um novo emprego, mas foi morto a tiro



Mãe de Brian, a mototaxista Valdineia Pontes disse na sexta-feira que recebeu inesperadamente a notícia de que o julgamento já foi agendado. “Eu não sabia. O pessoal da TV Record me procurou e foi aí que minha advogada me informou. É que as intimações ainda não foram expedidas”, afirmou Valdineia. Ela é parte no processo, atuando com uma advogada como assistente de acusação.

Desde que o filho foi assassinado em 2016, Valdineia luta contra a impunidade, uma vez que o policial não foi preso e continua trabalhando no quartel da Polícia Militar de Ourinhos, em atividades administrativas internas. “Ainda não me sinto confortada. Acho que só terei um pouco de paz quando ver o juiz bater o martelo e anunciar a condenação do policial que matou meu filho”, afirmou.

Valdineia mantém o quarto do filho intacto e guarda até a roupa que Brian usou no dia em que foi morto. Há um espaço queimado, que é a marca do tiro que perfurou o pano e atingiu mortalmente o jovem. Brian tinha 22 anos, nunca teve passagem pela polícia e estava prestes a pedir o cancelamento do seguro-desemprego porque iria começar um novo emprego numa fábrica de biscoitos. Estava feliz e com esperança em melhorar de vida. No entanto, não teve mais tempo. 

‘QUEIMA ROUPA’— Imagens mostram Isidoro sacando a arma e atirando



Despreparo de policial

causou morte de jovem


A tragédia que tirou a vida de Brian Cristian Bueno da Silva, 22, aconteceu na madrugada do dia 9 de junho de 2016, na avenida Jacinto Sá, em Ourinhos. Ele estava no carro com mais quatro amigos, na saída do recinto da Fapi. O automóvel trafegava em baixa velocidade porque havia um comando policial fiscalizando o trânsito. Em certo momento, Brian colocou o braço para fora e ergueu um cone, colocando-o de volta ao local. Segundo os amigos, era uma brincadeira. Uma equipe da PM percebeu e deu ordem de parada.

Um soldado iniciou a abordagem, mas logo surgiu Luís Paulo Isidoro, que estaria “transtornado”, de acordo com relatos de testemunhas. Ele sacou a arma e puxou Brian, que estava no banco dianteiro, pela camisa. Em seguida, a arma disparou. O jovem foi atingido no pescoço. Segundo informações da Polícia Militar, Brian não morreu na hora.

DOR — Desde o crime, Valdineia guarda as roupas filho Brian e pede justiça



Uma ambulância que passava pelo local foi parada pelos policiais e o paciente que estava no veículo precisou ser removido pelos socorristas. Segundo eles, houve ameaças de policiais para que Brian fosse encaminhado rapidamente ao hospital, onde chegou sem vida.

Nenhum dos ocupantes do carro tinha antecedentes criminais. As imagens de uma câmera de segurança, que registrou tudo, foram recolhidas pela Polícia Militar e só liberadas para o inquérito criminal por determinação da Justiça.

O carro em que Brian foi morto chegou a ser lavado pela Polícia Militar antes de ser periciado. De acordo com o comando da corporação, teria sido “um favor” à família, já que o veículo estava sujo de sangue.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, houve passeata em protesto pelo crime e contra a impunidade do policial. Desde então, a mãe de Brian, Valdineia, luta contra a impunidade. 



  • Publicado na edição impressa de 10/11/2019


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