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Santa Casa tem ‘guerra’ de informações

Santa Casa tem ‘guerra’ de informações

Quinta, 02 de janeiro de 2020

Santa Casa divulga compra de

equipamentos novos e nega falta de

medicamentos; médicos, porém, confirmam


Sérgio Fleury Moraes

Da Reportagem Local

Ainda sem a intervenção municipal, que só deve acontecer no início de 2020, quando o prefeito Otacílio Parras (PSB) retornar das férias, a Santa Casa vive momentos conturbados, num clima de hostilidade entre a diretoria e o corpo clínico. Na semana passada, em nota encaminhada à imprensa para anunciar a compra de equipamentos, o diretor-presidente do hospital, Hélio Pichinin, lamentou o que chamou de “alegações infundadas de profissionais”, dizendo que estes estão “preocupados com interesses corporativistas”. A declaração acirrou ainda mais o clima de tensão na Santa Casa, que não paga médicos há sete meses e tem dívidas vencidas no valor de R$ 3,5 milhões.

Há duas semanas, a direção demitiu os médicos coordenadores das UTIs Neonatal e Adulto, respectivamente Kátia e Walter Henares, além do diretor técnico Brasil Zacura. As medidas não foram previamente discutidas e os médicos receberam uma notificação informando a dispensa em 30 dias. Para a direção, foi apenas uma medida preparatória para a intervenção. Para o corpo clínico, um desrespeito com profissionais que durante muito tempo exerceram a função gratuitamente.

Procurada, a pediatra Kátia Henares, uma das fundadoras da UTI Neonatal, admitiu que está “chocada” com sua demissão, mas não quis gravar entrevista. No entanto, ela declarou que a atual diretoria está sendo “inconsequente” com a vida de pacientes. “As UTIs não visam lucro. O lucro é a vida do paciente. Assim, é imoral pensar em lucro”, desabafou.

Também provocou polêmica a declaração do diretor-presidente Hélio Picinin, enviada pela assessoria de imprensa do hospital, insinuando que médicos estariam defendendo “interesses corporativistas”. Hélio não participou da entrevista coletiva em que a intervenção foi anunciada, no último dia 12, e evitou dar declarações à imprensa. Ele viajou em férias, assim como o prefeito.

IMPASSE — Crise também envolve relações entre diretoria e corpo clínico



Situação crítica

Enquanto isto, os médicos estão operando no limite do caos. Na semana passada, não havia o medicamento Midazolan, indicado para pacientes graves sem condições de transferência. Mas também faltava Omeprazol, Ranitidina, Dipirona e até gazes. Além disso, não havia remédios para sedar paciente entubado.

A Santa Casa também alugou dois aparelhos “respiradores” para substituir os atuais, que foram enviados à manutenção e não há data para a conclusão dos reparos. No entanto, informações obtidas pela reportagem indicam que os equipamentos alugados são antigos e não podem ser usados em pacientes graves. O aluguel custa R$ 300 por dia.

O fato é confirmado pelo diretor clínico do hospital, André Coelho. Segundo ele, a direção não consultou os coordenadores da UTI sobre os equipamentos. “São antigos e não têm recursos necessários para a evolução de um paciente grave em UTI”, disse o médico.

Na semana passada, André Coelho foi questionado pela administração sobre declarações ao DEBATE, em que apontou falta de transparência em relação aos médicos. “Falo em nome do corpo clínico, devidamente amparado por quase 50 médicos. É um sentimento quase unânime entre todos e não somente uma posição pessoal”, afirmou.

André criticou as declarações do diretor-presidente, que sugeriu “corporativismo” entre os médicos. “Nossas reivindicações não têm nada de corporativismo. Apenas estamos cobrando os salários atrasados, que é nosso direito, e que o hospital forneça uma estrutura adequada para desempenharmos nosso trabalho em benefício dos doentes”, disse. Segundo ele, os médicos estão trabalhando mesmo sem receber parte dos salários desde setembro. “Eles estão se desdobrando em plantões contínuos, deixando as famílias para ficar no hospital nesta época de festas. Claro que estão desmotivados, mas ninguém está ficando sem atendimento”, afirmou.

O diretor clínico confirmou, ainda, que os profissionais estão percebendo, no dia a dia, as dificuldades de cada setor e dos funcionários. Há problemas com “medicamentos essenciais de uso rotineiro” que, segundo ele, só foram providenciados após ofícios enviados aos setores de farmácia e almoxarifado.

Para André, a intervenção ainda é uma incógnita, mas todos têm esperança de uma melhora nas condições da Santa Casa. “A atual diretoria, com certeza, não vai deixar saudades”, disse.

Neste quadro de confusão, alguns médicos defendem o fechamento de uma ala do hospital até a situação se normalizar após a decretação oficial da intervenção municipal.

Outros profissionais estão procurando conselheiros do hospital para tentar explicar a verdadeira situação. Eles temem que a atual diretoria repasse informações que não condizem com a realidade. 



  • Publicado na edição impressa de 29/12/2019


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