ECONOMIA

Fim do portal ‘Biz’, de Ourinhos, simboliza o retrato de uma época

Site noticioso vai encerrar atividades e sairá do ar, afirma comunicado

Fim do portal ‘Biz’, de Ourinhos, simboliza o retrato de uma época

Publicado em: 12 de março de 2022 às 01:36
Atualizado em: 12 de março de 2022 às 02:39

André Fleury Moraes

OPINIÃO  O portal ‘Biz’, de Ourinhos, comunicou na sexta-feira, 11, o encerramento de suas atividades. Ele era símbolo da imprensa independente numa cidade cujos veículos de comunicação historicamente se alinham a grupos políticos, dos quais recebem rios de dinheiro.

Seu fechamento expõe uma crise que afeta redações do mundo todo — especialmente aquelas dedicadas a produzir conteúdo local, sobre a cidade e região onde se situam. Era o caso do ‘Biz’, que não se furtou do direito de crítica e que jamais perdeu o sentimento de indignação frente às injustiças.

Quando Ourinhos completou 100 anos, o portal produziu talvez o material mais importante sobre histórias que marcaram a cidade desde a sua criação. Tudo isso vai se perder a partir do dia 23, quando o site sairá definitivamente do ar.

Nos últimos meses, o editor do ‘Biz’ — o jornalista Bernardo Felipe Seixas — chegou a promover uma campanha para arrecadar fundos e garantir a continuidade do site. Mas o valor necessário não foi alcançado, e continuar os trabalhos do portal significaria, invariavelmente, viver no prejuízo.

“Com o compromisso de bem informar, sem rabo preso com políticos, nos indispusemos muitas vezes com autoridades e personalidades vaidosas e pouco afeitas a críticas. Valeu a pena; temos certeza do dever cumprido”, diz o comunicado publicado na sexta-feira, 11.

Desde maio de 2017, quando foi criado, o ‘Biz’ foi alvo de processos judiciais e chegou a ser censurado nas últimas eleições por um juiz para cuja consciência a palavra “coincidência” era passível de prejudicar a imagem de um determinado candidato.

Nada de novo num Brasil cuja liberdade de imprensa tem sido alvo de ataques dos mais diversos tipos. Desde o STF, que já censurou uma reportagem da revista eletrônica Crusoé sobre o ministro Dias Toffoli, até capangas que se veem no direito de agredir física ou verbalmente jornalistas que cumprem seu papel.

O fim do ‘Biz’ simboliza um Brasil que valoriza mais a palavra do político, mentirosa ou distorcida em grande parte das vezes, do que a do jornalista que trabalha exatamente para mostrar o que os poderosos não querem que o público veja.

Mas também expõe uma crise de sustentabilidade com a qual a imprensa luta para lidar. Jornalismo custa caro, e veículos do mundo todo se viram num dilema quando perceberam que as redes sociais estão retirando a maior receita financeira da imprensa: a publicidade.

Isso afetou principalmente as pequenas redações locais, cujo público-alvo é evidentemente menor.

O encerramento do site vem na esteira do fim de outros veículos no Brasil.

Somente em 2021 o Diário do Nordeste, tradicionalíssimo jornal brasileiro, encerrou sua edição impressa. A revista Época, com suas análises excelentes, migrou para uma seção dominical no jornal O Globo, grupo a que pertence. O diário Agora, do grupo Folha, disse adeus a seus leitores. E o El País Brasil, com seu diferencial magnífico, resolveu se despedir. Que aprendamos a lição. 

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