ESPORTE

Sua excelência, o cônsul do Palmeiras

Santa-cruzense é um dos 153 cônsules do time do Palmeiras em todo o mundo e o único em Santa Cruz

Sua excelência, o cônsul do Palmeiras

PAIXÃO — Em sua casa pintada de verde (coincidência), o cônsul mostra bandeira do Palmeiras

Publicado em: 27 de fevereiro de 2021 às 06:09
Atualizado em: 29 de março de 2021 às 23:39

Sérgio Fleury Moraes

Clélio Nardo, 59, é daqueles torcedores que a cidade toda sabe que é palmeirense. Veste a camisa do time, bebe em canecas com o escudo, é “corneteado” pelos amigos e vice-versa e até assina a revista exclusiva do clube. Mas o que pouca gente sabe é que Clélio é o cônsul do Palmeiras em Santa Cruz do Rio Pardo, o único da cidade e um dos 153 em todo o mundo. Neste domingo, ele vai torcer como nunca por mais um título do clube, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil contra o Grêmio.

Ser um cônsul não é um mero título honorífico para o pecuarista. Clélio ocupa o cargo há mais de 14 anos e, para mantê-lo, precisa desempenhar uma série de trabalhos sociais todos os anos. É uma espécie de “contrapartida” obrigatória, que Nardo desempenha há anos com prazer — e sem alarde.

Como cônsul, Clélio Nardo é uma autoridade do Palmeiras em qualquer lugar. No “Allianz Parque”, a principal arena multiuso da América Latina, o santa-cruzense tem livre acesso, bastando passar a digital em qualquer catraca. Ele já se reuniu com dirigentes do clube, assistiu a vários jogos e, inclusive, levou amigos de Santa Cruz do Rio Pardo à arena, que mais tarde se tornaram também sócios-torcedores do “verdão”.

VIDA VERDE — Clélio mostra o time do Palmeiras com a camisa da seleção brasileira em 1965
GRATIDÃO — Crianças da Apae fizeram uma imagem de gratidão
O cônsul santa-cruzense com o jornalista Mauro Beting

 

Nardo é apaixonado pelo Palmeiras desde a infância. O torcedor atravessou os bons e maus momentos do Palmeiras. Porém, ele garante que teve uma sensação diferente no último título do time, campeão da Libertadores há menos de um mês. “Para mim, foi o momento marcante como torcedor. O Palmeiras já tinha sido campeão da competição em 1999, mas neste ano a expectativa de ganhar foi maior, na esperança de conquistar mais um mundial”, afirmou.

Sim, o pecuarista garante que o Palmeiras já foi campeão mundial, como defende a maioria de seus torcedores e, inclusive, a diretoria. A conquista aconteceu em 1951, quando o “verdão” foi campeão da “Copa Rio”, um torneio que reuniu oito time da Europa e América do Sul e que teve a Juventus da Itália como vice.

Da mesma forma, Clélio discorda de que a participação do Palmeiras no Mundial de Clubes da Fifa neste ano não foi, como dizem os rivais, um fiasco. “Dizem que o Palmeiras não fez nenhum gol na competição, mas a verdade é que foram apenas dois jogos. O Mundial é um tiro muito curto e fica difícil fazer gol. Ficou para a próxima”, disse.

O santa-cruzense virou cônsul porque se destacou ao levar muitos amigos da cidade ao antigo Parque Antarctica e conquistou a amizade de diretores e conselheiros. Um dia, um deles fez o convite. “Outras pessoas tentaram ser cônsul, mas não conseguiram. Acho que ganhei o título porque consegui arregimentar muitos palmeirenses como sócios, levei outros em excursões e organizamos um grupo do time na cidade, chamado de Babu’s Palestra Clube”, contou.

Como cônsul palmeirense, Clélio ampliou as ações solidárias que já fazia, agora com ajuda de amigos do “Babu’s”. É o caso da Páscoa, da campanha do agasalho em junho, a distribuição de brinquedos às crianças em outubro e as cestas básicas no final do ano, doadas a famílias carentes. A “Babu’s” tem até uma sede social.

Claro que a pandemia atrapalhou muito. “No final do ano passado, precisamos de autorização da prefeitura para entregar as cestas”, contou Clélio. Há três anos, por exemplo, o grupo conseguiu distribuir 210 ovos de Páscoa aos alunos da Apae de Santa Cruz. “Foi emocionante porque recebemos trabalhos feitos pelas próprias crianças em agradecimento. Um deles traz as mãozinhas delas na cor verde estampadas num papel. Isto mexeu comigo e com meus amigos”, disse Nardo.

As ações também contemplam moradores da Divineia. E o importante é que o grupo não se importa com o time da pessoa beneficiada. “É assim que funciona. Pode ser corintiano, são-paulino ou santista. No ano passado, por exemplo, fizemos a entrega de cestas básicas para o presidente do Centro Comunitário da Divineia, que é corintiano. Na entrega, ele vestia a camisa do Corinthians e posou para fotos junto com a gente. A solidariedade não tem rivalidade”, afirmou. No Allienz Parque, contudo, ninguém entra usando algum escudo de outro clube.

Clélio Nardo é um dos 153 cônsules do Palmeiras no mundo, a maioria no Brasil. Em Santa Cruz, ele possui um cônsul adjunto, o veterinário Guilherme Zaia. “Ele me ajuda e, inclusive, pode me substituir”, disse.

Mas também há cônsules em Portugal, Austrália, Inglaterra, Irlanda e Estados Unidos. Antes da pandemia, havia encontro entre eles. Hoje, o cônsul participa de um grupo especial do whatsapp onde existe uma regra: ninguém pode criticar a diretoria. “Mas há outros fóruns, onde a discussão é livre e, neste caso, a crítica é aceita”, explicou.

O cônsul já levou Carlos Alberto Seixas, ex-jogador do Palmeiras e ex-técnico da Esportiva Santacruzense, ao Alliez Parque. Ele também já participou de animadas reuniões com ex-craques do “verdão”, como César “Maluco”, Ademir da Guia ou Tonhão. É comum a presença de dirigentes do clube, como Mustafá Contursi. De vez em sempre, leva paçoquinhas e torresmo de porco de Santa Cruz aos dirigentes. Sim, de porco.

O curioso é que a esposa de Nardo, Edna, torce pelo São Paulo. “Mas ela tem só um amorzinho pelo São Paulo”, despista. “Nos meus momentos de aflição, ela torce junto pelo Palmeiras. Mas meus filhos são todos palmeirenses — e sem qualquer influência do pai”, diz, com um sorriso revelador.

Em sua residência, na vila Fabiano, Clelio mostra os produtos palmeirenses que costuma comprar, quase todos com uma história. É o caso de um copo de cerveja do jogo Palmeiras x Athletico do Paraná, em 2019, que marcou a “estreia” da filha Letícia no estádio do clube. Uma camisa verde claro lembra o craque Valdívia, que foi ídolo do Palmeiras na década passada. Outras duas marcam a passagem do volante Marcos Assunção no clube, um exímio cobrador de faltas.

Mas o cônsul também ganha presentes de amigos. “Esta cerveja eu ganhei de um corintiano, o Célio Pinhata”, conta, mostrando uma lata com a marca Palmeiras.

Nardo talvez seja o dono da maior bandeira do Palmeiras de Santa Cruz. Nunca usou, pois deve ter mais de cinco metros. Entre tantas, ele também veste uma camisa especial como cônsul do clube, usada em eventos especiais e nas reuniões anuais com outros cônsules.

Com as restrições da pandemia, Clelio assiste aos jogos do time em casa. Quando a partida é noturna, ele é o último a dormir. “Até em respeito aos vizinhos, eu me seguro e não me manifesto. É difícil, mas às vezes eu caio do sofá”, brinca.

Defensor da paz nos estádios, o cônsul diz que leva na esportiva os comentários dos amigos — e vice-versa. “Tenho um grande amigo que é santista roxo, o Tubaína. Ele e terrível e não espera nem o jogo acabar para mandar mensagens de gozação. Mas quando é a minha vez, eu também o deixo de cabeça quente. Estas brincadeiras fazem parte do futebol e ninguém deve ter mágoa”, afirma.

No final da entrevista, Clélio Nardo faz uma revelação. Ele retira uma das camisas do Palmeiras do cabide, deixando à mostra uma segunda “pele”, que seria sua outra paixão. É a camisa da Associação Esportiva Santacruzense, que ganhou do amigo Castelo e que também possui uma história. É do dia em que a Santacruzense venceu o Palmeiras-B pela série A2 do Campeonato Paulista. Claro que, no returno, o tricolor foi goleado em São Paulo, mas o cônsul não revela para quem torceu nestas partidas.  

  

* Colaborou Toko Degaspari. 

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