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Cães abandonados em Santa Cruz: caso tem um final feliz

Animais foram ‘despejados’ por motorista de um carro com placa de Chavantes

Cães abandonados em Santa Cruz: caso tem um final feliz

PROTETORES — O advogado Juliano Monte, a monitora Juliana Mazini e o ex-vereador Luciano Severo

Publicado em: 15 de janeiro de 2022 às 03:01
Atualizado em: 24 de janeiro de 2022 às 21:31

Sérgio Fleury Moraes

A cena, lamentavelmente, não é rara. Era o início da tarde de domingo, 9, quando uma camionete com placas de Chavantes estaciona nos altos da avenida Clementino Gonçalves, perto da concessionária Chevrolet de Santa Cruz do Rio Pardo. Não havia gente na rua e um homem sai do automóvel, olha para os lados e deixa três cadelinhas fêmeas debaixo de uma árvore. Em seguida, chuta a caixa de papelão que abrigava os animais, entra no carro e deixa o local calmamente.

É uma imagem forte para quem defende os animais. Sob o aspecto jurídico, o homem cometeu um crime que pode ser punido com até cinco anos de detenção. As três pequenas fêmeas estavam fadadas a aumentarem as estatísticas de animais abandonados em Santa Cruz ou morrerem atropeladas ou então de doenças e fome.

Mas este é um caso que teve um final feliz, graças às câmeras de monitoramento que hoje existem em qualquer lugar. Uma empresa nas imediações flagrou as cenas em suas câmeras e o proprietário estranhou a presença dos animais na frente do comércio. Ele buscou as imagens no sistema e resolveu acionar o ex-vereador Luciano Severo, um dos defensores da causa animal.

“As três fêmeas estavam em situação muito deplorável, sujas, com muitos carrapatos e com aquelas barrigas cheias de verminoses. E, é claro, com muita fome”, contou Severo. O ex-vereador, inclusive, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil denunciando o abandono dos animais. Há informações de que a polícia já identificou o veículo e seu proprietário será intimado.

Câmeras de monitoramento de uma empresa na avenida Clementino Gonçalves flagraram o homem que abandonou os três filhotes; 
polícia já identificou o veículo, que é de Chavantes, e proprie-tário deverá ser intimado em breve para responder pelo crime

Em seguida, Severo começou a receber apoio e ajuda de outras pessoas ligadas à causa animal, um movimento que felizmente cresce em Santa Cruz do Rio Pardo. Nathália Martins, por exemplo, levou as três cadelinhas para a clínica veterinária “Perdigueiro”, onde elas tomaram banho e foram medicadas.

Os animais foram encaminhados à AJA — Ajude um Animal de Rua Santa Cruz do Rio Pardo —, cujas responsáveis são Juliana Mazini e Ana Paula Locali. A instituição tem páginas no facebook e Instagram e posta fotos dos animais para facilitar a adoção. Dois dias depois, as três pequenas fêmeas já estavam adotadas e em seus novos lares.

Segundo Luciano Severo, é cada vez mais frequente o abandono de animais. “Infelizmente isto acontece muito nos bairros mais longínquos ou em locais pouco habitados. Percebemos, por exemplo, que aumentou muito o descarte de animais no distrito de Sodrélia e no bairro da Graminha”, afirmou.

Quando vereador, Severo conseguiu aprovar várias leis municipais em defesa dos animais. Uma delas é a proibição de fogos de artifício em Santa Cruz do Rio Pardo durante o ano todo, inclusive nas festas de fim de ano. A mesma lei, por sinal, protege não apenas os animais, mas também as pessoas autistas que costumam ter crises de pânico em razão dos rojões.

Na verdade, os grupos que defendem os animais em Santa Cruz estão cada vez mais unidos, com o apoio de várias clínicas veterinárias da cidade. “É muito comum a gente ser acionado a qualquer hora para acudir casos de maus tratos de animais ou abandono. Muitas vezes a situação não é tão grave, mas nós orientamos os proprietários para mudar a postura dentro de um determinado prazo e alertamos sobre os crimes previstos na lei”, explicou Severo. Segundo ele, geralmente as pessoas acatam as orientações.

Aliás, o advogado Juliano Henrique Paulino Monte, que integra a “Comissão Especial de Dwefesa dos Direitos dos Animais” da 128ª Subseção da OAB em Santa Cruz do Rio Pardo, alerta que abandono ou maus tratos são crimes que foram agravados no ano passado.

A pena pode chegar a cinco anos de reclusão e multa, além da perda da guarda do animal e o custeio de todo o tratamento necessário. É a chamada “Lei Sansão”, cujo nome foi inspirado num cão brutalmente agredido no Estado de Minas Gerais.

As três fêmeas, abandonadas em situação deplorável, no momento em que foram encontradas; movimento de pessoas que defendem a causa animal salvou os filhotes que já estão em lares definitivos graças a adoções intermediadas pela
instituição AJA

Segundo Juliano, o difícil é comprovar a autoria, já que muitas pessoas fazem a denúncia de forma anônima e não querem se comprometer como testemunhas. “Para se ter uma ideia, infelizmente a Lei Sansão ainda não penalizou ninguém em Santa Cruz do Rio Pardo”, disse. Porém, o advogado lembra que o responsável é processado e fica com várias restrições, como proibição para participar de concursos ou de até ocupar cargos públicos.

Quando acionados, os advogados da comissão de Santa Cruz costumam verificar os fatos no próprio local, muitas vezes fazendo uma orientação ao proprietário. “Isto acontece quando percebemos que os maus tratos não são dolosos, muitas vezes em famílias que estão passando por necessidades”, explicou.

Nestes casos, Juliano conta que os próprios advogados costumam ajudar com recursos do próprio bolso. “Mas nos casos mais graves, é necessário retirar o animal do local. O problema é que não há um centro de zoonoses ou abrigo em Santa Cruz e temos de recorrer às ONGs ou associações que defendem animais”, explicou.

Uma destas entidades é a AJA, que existe há um ano e sobrevive com doações da comunidade, além de promoções para arrecadar recursos, como rifas ou a venda de prendas. Apesar de ter apenas duas integrantes, a AJA sempre faz campanhas para conseguir doações de rações, casinhas para animais e medicamentos.

Uma das fundadoras, a servidora pública municipal Juliana Mazini, diz que recebe diariamente denúncias de maus tratos a animais. O grande problema é que a AJA não possui uma sede e, por isso, não há como acomodar os animais disponíveis para doação. Assim, o “lar temporário” geralmente é a casa da apoiadora Nathália Martins. Além disso, as contas são pagas com doações, nem sempre disponíveis. “É uma luta constante”, diz.

Quando há interessados nas adoções, Juliana e Ana Paula costumam realizar entrevistas com os candidatos. “Algumas pessoas não gostam, mas elas são necessárias. O que devemos fazer é evitar que o animal seja novamente abandonado”, explicou. Por isso, aqueles candidatos que não querem fêmeas castradas são descartados. “Nós não queremos o aumento da população dos animais de rua. E geralmente estes filhotes acabam sendo abandonados”, disse.

Foi graças às fotos publicadas pela AJA que as três fêmeas abandonadas na avenida Clementino Gonçalves no domingo foram adotadas e já estão em lares definitivos.  

 

* Colaborou Toko Degaspari

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