POLÍCIA

Polícia descobre que carro do padre tinha outro passageiro

Estudante, cujo nome não foi revelado, afirmou que ficou em estado de choque e só se apresentou após determinação ordens de seus superiores

Polícia descobre que carro do padre tinha outro passageiro

O delegado Valdir Alves de Oliveira, que comanda a investigação do caso sobre o frei Gustavo Trindade

Publicado em: 28 de maio de 2022 às 02:17

Sérgio Fleury Moraes

A Polícia Civil de Santa Cruz do Rio Pardo já sabe que o frei Gustavo Trindade dos Santos, 37, não estava sozinho no carro na noite do sábado, 7 de maio, quando o veículo pertencente à Diocese de Ourinhos perseguiu e atropelou um homem que minutos antes havia furtado três blusas de moletons e uma camiseta da Casa Paroquial. O ladrão é Ângelo Marcos dos Santos Nogueira, 40, que está internado em estado crítico desde o atropelamento.

A informação de que a polícia investigava uma segunda pessoa no carro do religioso foi divulgada pela rádio 104 FM. O inquérito está a cargo do delegado Valdir Alves de Oliveira, que já pediu duas vezes a prisão preventiva do padre alegando que ele estaria prejudicando as investigações e se recusando a receber intimações ou prestar depoimento.

Nas duas ocasiões, o juiz Pedro de Castro e Sousa negou o pedido de prisão, assim como o promotor Reginaldo Garcia também se manifestou contrário à medida. Segundo ambos, o religioso não oferece risco à ordem pública. O caso teve repercussão nacional, e os advogados do padre atacaram o delegado, sugerindo até uma suposta “perseguição religiosa”.

Naquela noite do dia 7, quando o frei havia acabado de celebrar um casamento na Igreja Matriz de São Sebastião, da qual era o pároco, ele recebeu a informação do furto e foi com o carro à Casa Paroquial, que fica a menos de uma quadra da igreja. No local, o padre avistou um homem pulando o muro e iniciou a perseguição com um automóvel Chevrolet Cobalt pertencente à Diocese de Ourinhos.

Câmeras de segurança flagraram momentos da perseguição pelas ruas Frei Marcos Right e Alziro de Souza Santos, adentrando pela avenida Tiradentes. Na altura de uma loja de tintas, o padre jogou o veículo na calçada e atropelou Ângelo Marcos dos Santos Nogueira contra uma garagem. O portão foi arrombado com o impacto e o ladrão foi prensado pelo carro num caminhão estacionado dentro da garagem.

O motorista deu marcha-a-ré e fugiu do local, sem prestar socorro à vítima. Desde então, o padre deixou a cidade e não foi mais encontrado. A polícia teve dificuldades até mesmo em encontrar o veículo ou as chaves reservas.

Conhecido como “Anjinho” e com várias passagens policiais por pequenos furtos, Ângelo é dependente químico e foi internado em estado grave na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo. Seu estado de saúde piorou e ele foi transferido para a UTI de Ourinhos, onde segue em situação crítica.

O padre Gustavo Trindade passou a ser investigado por tentativa de homicídio e omissão de socorro. Um laudo da polícia verificou que o dominicano não chegou a acionar os freios no momento em que invade a calçada para atingir o ladrão.

Nas últimas semanas, as investigações se concentraram na possibilidade de uma segunda pessoa estar no carro naquela noite. As imagens de câmeras de monitoramento não são claras e o vidro lateral do veículo é escuro. Entretanto, percebe-se que o padre está vestido com uma batina branca e há vestígios de uma pessoa no banco do passageiro.

Na semana passada, a Polícia Civil chegou a um estudante da Escola Apostólica Dominicana, que admitiu ocupar o banco do passageiro no dia do atropelamento. O nome do estudante não foi divulgado, mas ele já depôs na Central de Polícia Judiciária (CPJ) na tarde de quarta-feira, 25, acompanhado de um advogado, segundo informações da rádio 104 FM. O teor do depoimento também não foi divulgado.

Sabe-se, entretanto, que o estudante alegou estar em estado de choque desde o atropelamento e resolveu se apresentar à polícia somente agora, de forma voluntária, por orientação de seus superiores. Ele foi ouvido como testemunha.

Logo em seguida, na quinta-feira, 26, o frade dominicano Gustavo Trindade apresentou um requerimento à Justiça dizendo que agora está disposto a ser ouvido. O documento, assinado pelos advogados César Augusto Moreira e Rafael Rosário Ponce, alega que o religioso já se encontra recuperado do “calor momentâneo do apelo midiático observado nos dias imediatos ao fato” e, com serenidade, quer ser ouvido no inquérito.

A recusa do padre em depor irritou a polícia desde o início das investigações. Através de advogados, Gustavo Trindade chegou a fazer um pedido para ser ouvido na Delegacia Seccional de Ourinhos, mas não compareceu.

Depois, disse que mudou de cidade e forneceu à Justiça o endereço de um convento dominicano em São Paulo, onde também não foi encontrado pela polícia. O padre ainda foi procurado para ser intimado formalmente para comparecer à 3ª DIG paulistana, para prestar depoimento e cumprir uma carta precatória da comarca de Santa Cruz.

Apesar de se esquivar da polícia, frei Gustavo Trindade dos Santos participou da celebração de uma missa no Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima na última segunda-feira, 23, juntamente com outros frades dominicanos, inclusive o pároco Bruno Moreira.

PUBLICIDADE

SANTA CRUZ DO RIO PARDO

Previsão do tempo para: Segunda

Períodos nublados
24ºC máx
13ºC min

Durante todo o dia Céu limpo

COMPRA

R$ 5,22

VENDA

R$ 5,22

MÁXIMO

R$ 5,28

MÍNIMO

R$ 5,20

COMPRA

R$ 5,09

VENDA

R$ 5,40

MÁXIMO

R$ 5,29

MÍNIMO

R$ 5,23

COMPRA

R$ 5,53

VENDA

R$ 5,53

MÁXIMO

R$ 5,57

MÍNIMO

R$ 5,51

PUBLICIDADE

voltar ao topo

Voltar ao topo