POLÍTICA

Análise: Nepotismo imoral é o dos adversários

Análise: Nepotismo imoral é o dos adversários

A Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo (Foto: Sérgio Fleury)

Publicado em: 13 de maio de 2021 às 00:00
Atualizado em: 25 de maio de 2021 às 18:11

Sérgio Fleury Moraes

ANÁLISE  O nepotismo sempre existiu em Santa Cruz do Rio Pardo e, via de regra, era amplamente explorado em campanhas eleitorais. Geralmente, o candidato da oposição criticava o governo nas eleições, apontando o empreguismo e o nepotismo. Se ganhasse, porém, o discurso mudava. Enfim, esta prática nefasta na administração ainda está presente através de subterfúgios, mesmo sendo proibido por lei.

Nos anos 1980, por exemplo, não havia uma legislação sobre o tema. No último de seus três mandatos, entre 1983 e 1988, Onofre Rosa de Oliveira tinha como chefe de gabinete seu próprio filho, o advogado Walter Rosa de Oliveira.

A partir de 1993, o prefeito Manoel Carlos Manezinho Pereira nomeou vários familiares para cargos na administração, como a irmã na secretaria de Cultura. O DEBATE denunciou o nepotismo e Manezinho, em entrevista ao jornal, disse que, como homem público, tinha a obrigação de “proteger a família”.

Um dos casos mais curiosos — e vergonhosos — aconteceu na administração de Adilson Mira (2001-2008). Antes de ser eleito prefeito, Mira foi vereador e chegou a apresentar um projeto proibindo o nepotismo na administração pública. Discursou na Câmara contra “esta prática nefasta” e se portava como um defensor da ética na política. Cresceu eleitoralmente e venceu as eleições de 2000 com larga vantagem.

Como prefeito, porém, mudou o discurso e nomeou a mulher, cunhada e outros parentes para cargos na administração. Questionado sobre a incoerência, disse que convidou várias pessoas da cidade — citando nominalmente a ex-vereadora Wanda Rios e o saudoso frade dominicano Frei Chico —, que teriam declinado de assumirem qualquer cargo. Então, segundo ele, não houve outra opção a não ser nomear parentes.

A legislação sobre o nepotismo endureceu em todo o Brasil e os prefeitos tiveram mais dificuldades em nomear parentes. No governo de Otacílio Parras, por exemplo, o prefeito foi obrigado a fazer duas mudanças na administração quando o Ministério Público alertou sobre o nepotismo. Miro Picinin foi obrigado a deixar um cargo na diretoria da Codesan porque o filho, o advogado Marcelo Picinin, estava na administração.

Além disso, Otacílio também demitiu o secretário Marcos Blumer porque o irmão, Eduardo Blumer, havia sido nomeado por Otacílio como presidente da Codesan. Entretanto, no segundo mandato como prefeito, Otacílio Parras chegou a nomear um primo, Diórgenes Palma, para a presidência da atual autarquia. Por último, nas eleições do ano passado, Otacílio provocou a renúncia da candidata Laura Assis, que deixou a chapa de vereadores porque é nora do ex-prefeito.

Hoje, as alternativas dos políticos são usar empresas e entidades que recebem dinheiro público. É isto que o projeto rejeitado pela base governista visava proibir de vez em Santa Cruz do Rio Pardo. 

PUBLICIDADE

SANTA CRUZ DO RIO PARDO

Previsão do tempo para: Quinta

Períodos nublados
22ºC máx
12ºC min

Durante todo o dia Céu limpo

COMPRA

R$ 5,05

VENDA

R$ 5,06

MÁXIMO

R$ 5,06

MÍNIMO

R$ 5,06

COMPRA

R$ 5,29

VENDA

R$ 5,62

MÁXIMO

R$ 5,46

MÍNIMO

R$ 5,46

COMPRA

R$ 6,06

VENDA

R$ 6,07

MÁXIMO

R$ 6,07

MÍNIMO

R$ 6,06

PUBLICIDADE

voltar ao topo

Voltar ao topo