POLÍTICA

Joias de Sueli Feitosa foram superestimadas, aponta laudo

Segundo advogado, MP também não se atentou a detalhes sobre os extratos bancários

Joias de Sueli Feitosa foram superestimadas, aponta laudo

A ex-tesoureira da prefeitura de Santa Cruz Sueli Feitosa (Foto: Sérgio Fleury)

Publicado em: 17 de julho de 2021 às 00:46
Atualizado em: 17 de julho de 2021 às 02:18

Sérgio Fleury Moraes

Um laudo de peritos convocados pela Polícia Civil para avaliar as joias apreendidas nas residências de Sueli Feitosa, ex-tesoureira da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, e das irmãs Aparecida e Camila, mostra que, ao contrário do que se imaginava, não havia peças com valores exorbitantes.

A maioria, aliás, refere-se a bijuterias, com valores entre R$ 5 e R$ 100. A joia mais cara, uma pulseira em ouro 18k, foi avaliada em R$ 3.160,00.

A apreensão das peças aconteceu no dia 28 de dezembro de 2016, dias após a descoberta de um esquema criminoso de desvio de dinheiro dos cofres da prefeitura de Santa Cruz.

Com mandados de busca e apreensão, a Polícia Civil retirou documentos, computadores e joias das residências de Sueli Feitosa e das irmãs Camila e Aparecida.

Há somente um dos lotes que apresenta valores mais altos, com peças orçadas entre R$ 400 e R$ 1.000,00, enquanto algumas poucas passam de R$ 1.500,00.

O delegado Renato Mardegan durante a apreensão de joias na residência de Feitosa

Em outros dois lotes, a maioria das peças tem pequenos valores — e algumas, aliás, não têm valor algum. Há colares de supostas pérolas que, na verdade, são feitas de plástico e com valores avaliados em R$ 20. Entre as peças, há alianças e até um anel de formatura — este último avaliado em R$ 895.

Para o advogado de Sueli Feitosa, Cássio Adriano de Paula, a avaliação derruba a tese de que a família vivia de forma luxuosa, sendo proprietária de joias valiosas e sofisticadas.

Na época da apreensão, surgiram versões de que havia colares de pérolas com valores superiores a R$ 20 mil. “Os valores da avaliação são perfeitamente compatíveis para uma família com cinco mulheres”, disse Cássio, referindo-se à ex-tesoureira Sueli Feitosa, a mãe Maria da Conceição e as irmãs Camila, Aparecida e Silvia.

As joias e bijuterias, segundo o advogado, foram adquiridas ao longo de muitos anos. “Ainda vou verificar as peças que tiveram valores mais altos, pois a própria família estranhou. Mas, a grosso modo, a maioria das joias apresentam valores muito baixos. Aquelas que diziam ser pérola foram avaliadas entre R$ 40 e R$ 50”, disse o advogado.

Os laudos avaliaram todas as peças apreendidas, mas não relacionaram as proprietárias de cada uma dentro da família Feitosa. “Vou pedir a devolução de todas as peças e sua separação para saber a quem pertenciam”, explicou Cássio.

A Polícia Civil chegou a ouvir uma vendedora de joias em setembro de 2017. Residente em Santa Cruz, ela contou que costumava vender joias para Sueli e sua mãe Maria Conceição desde o ano 2000, normalmente com pagamentos parcelados.

Entre os dias 10 e 12 de dezembro de 2016, Sueli comprou um anel com temas religioso, sem combinar o pagamento. Dias depois, a vendedora disse que soube, através do DEBATE, que o escândalo de desvio na prefeitura “havia estourado”. Ela ficou sem receber os pagamentos.

O advogado de Sueli Feitosa está contestando, ainda, as planilhas que indicam os valores que teriam sido desviados pela ex-tesoureira até 2016.

O levantamento, na verdade, foi feito por uma empresa contratada pela prefeitura na gestão de Otacílio Parras (PSB) e supervisionado pelo procurador jurídico Rodolfo Camilo. A perícia apurou que Sueli desviou, em valores atualizados, mais de R$ 11 milhões ao longo de vários anos.

Para Cássio, porém, há erros grotescos nas planilhas. Ele cita, entre vários exemplos, um valor de R$ 20.000,69 que aparece no documento como sendo desviado em 10 de dezembro de 2012.

O advogado Cássio Adriano de Paula, que defende a ex-tesoureira

 

“Chama a atenção porque é um valor peculiar para ser repetido, inclusive com os centavos. No entanto, ele aparece no dia seguinte, 11 de dezembro de 2012, como depósito oriundo do Fundo de Participação dos Municípios. Então, não é dinheiro que saiu. Ao contrário, é um recurso que entrou na conta da prefeitura”, contou.

Em outro caso, a perícia contábil que foi inteiramente aceita pelo Ministério Público e anexada na denúncia criminal, apresenta um desvio no caixa no valor de R$ 8.103,09.

“Também não procede porque o valor é um crédito referente a um resgate de depósito judicial. Esta informação está no extrato do banco, mas o Ministério Público não juntou este documento no processo, já que o extrato se encontra num anexo, onde se percebe nitidamente o lançamento dos mesmos R$ 8.103,09”, criticou.

Cássio Adriano de Paula disse que “há um caminhão” de erros nas planilhas e está contestando todos os 2.291 lançamentos atribuídos como desvios de Sueli Feitosa. Ele também diz que os documentos foram juntados de forma desordenada e sem nenhuma lógica, provavelmente para prejudicar Sueli no processo.

Na ação, o advogado defende a ex-tesoureira da prefeitura, a mãe Maria da Conceição Feitosa, as irmãs Aparecida e Silvia e o cunhado Pedro Moura. Em juízo, ele está pedindo a absolvição de todos.

Entretanto, o Ministério Público também juntou, com base no inquérito policial, gastos mensais que considerou “exorbitantes” e incompatíveis com a renda da ex-tesoureira. São compras variadas, instalação de piscina na chácara, viagens de turismo e gastos com cartões de crédito.

Considerado o maior escândalo de corrupção da história de Santa Cruz, o desfalque nos cofres do município durante três governos — Adilson Mira, Maura Macieirinha e Otacílio Parras — provocou a denúncia criminal contra Sueli e seus familiares.

De acordo com a perícia contábil elaborada pela prefeitura, os desvios começaram em 2002 e só terminaram em 2016.

Sueli Feitosa chegou a ser presa em 2017, assim como o cunhado Adilson Gomes de Souza, acusados de obstrução da Justiça. Ela citou nomes de agentes públicos — como o ex-prefeito Adilson Mira, o ex-secretário Ricardo Moral e o ex-presidente da Codesan Cláudio Agenor Gimenez — como beneficiários dos desvios, mas não houve provas sobre a participação deles, e o inquérito acabou arquivado.

Demitida da prefeitura por justa causa em julho de 2017, a ex-tesoureira ainda venceu uma ação trabalhista contra o município. Porém, o valor da ação, de R$ 11 mil, foi bloqueado pela Justiça. 

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