POLÍTICA

Santa-cruzense pagou propina a ex-diretores da Petrobras em troca de refinaria de Pernambuco

Mais um santa-cruzense é condenado no âmbito da operação Lava Jato: sentença é contra José Lázaro

Santa-cruzense pagou propina a ex-diretores da Petrobras em troca de refinaria de Pernambuco

A refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cuja obra foi pivô de propina para executivos da Petrobras

Publicado em: 03 de abril de 2021 às 04:30
Atualizado em: 06 de abril de 2021 às 15:26

André Fleury Moraes

Santa Cruz do Rio Pardo é a terra natal de duas pessoas envolvidas em escândalos da Petrobras e condenadas no âmbito da operação Lava Jato. O DEBATE contou a história de um deles na semana passada, quando narrou a trajetória de Waldomiro de Oliveira, nascido em Santa Cruz em 1943 e que chegou a ser preso pelo ex-juiz Sergio Moro. Waldomiro foi usado como “laranja” pelo doleiro Alberto Yousseff.

Mas há uma outra pessoa, de família antiga e tradicional na cidade, que também enfrenta problemas na Justiça Federal — mais especificamente na 13ª vara de Curitiba, onde Moro atuou até 2018, quando deixou a magistratura para ser ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro.

José Lázaro Alves Rodrigues nasceu 4 de julho de 1961 e é filho de Innocencio Alves Rodrigues e Aparecida Sanches Alves, que também nasceram em Santa Cruz do Rio Pardo.

Em fevereiro deste ano, José foi condenado pelo juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba, pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A pena é de 15 anos, 6 meses e 2 dias de prisão. Ele recorre em liberdade. A reportagem tentou contato com a defesa de José Lázaro através de telefone e e-mail na semana passada, mas não obteve resposta.

O santa-cruzense é acusado ao lado de outros empresários e ex-gerentes da Petrobras de ter pago R$ 9,6 milhões em propina para obter vantagens ilícitas no contrato de obra da refinaria de petróleo Abreu e Lima, localizada em Pernambuco, no Nordeste do Brasil.

Lázaro foi presidente da Alusa Engenharia, empreiteira pivô do escândalo da Abreu e Lima, durante 2005 a 2018. Foi a empresa do santa-cruzense que venceu a licitação para construir a refinaria — mas o processo licitatório não teria respeitado os trâmites legais, segundo alega o MPF.

De acordo com os procuradores, a propina foi repassada pelos executivos da Alusa aos então diretores da Petrobras para que não impusessem dificuldades à participação da empreiteira na licitação da Abreu e Lima. O MPF ressalta, aliás, que a Alusa nem sequer havia sido convidada para participar do certame e que também não estava apta para concorrer.

O valor total da propina — R$ 9,6 milhões — corresponde a 1% do valor do contrato vencido pela empreiteira dirigida na época pelo santa-cruzense, de R$ 966 milhões.

Um dos beneficiados da negociata foi o ex-diretor da Petrobras Glauco Colepicolo Legatti, engenheiro e um dos maiores operadores de propina da empresa estatal. Em depoimento ao MPF em 2016, por exemplo, ele chegou a admitir que recebeu dinheiro até mesmo através de caixas de uísque.

A propina era repassada aos executivos da Petrobras através de contratos e notas fiscais fraudulentas que simulavam a prestação de serviços.

Somente entre os anos de 2009 a 2013, junto com o operador financeiro da Alusa Sérgio Boccaleti, Lázaro teria repassado cerca de R$ 3,8 milhões em propina para antigos diretores da Petrobras. O valor foi transferido, segundo o MPF, em 89 transferências entre contas bancárias de empresas terceiras.

Além do santa-cruzense Lázaro, também foi condenado na sentença publicada em fevereiro o engenheiro César Luiz de Godoy Pereira, administrador de empresas que nasceu em Marília-SP.

A denúncia contra os antigos executivos tanto da Alusa como da Petrobras foi aceita em 2018 pelo então juiz Sergio Moro. O DEBATE também questionou a defesa de Lázaro sobre se o engenheiro pretende pedir a suspeição do ex-juiz após o julgamento que o declarou suspeito no caso do tríplex de Guarujá envolvendo o ex-presidente Lula, mas não obteve resposta.

No curso do processo, porém, a defesa do santa-cruzense afirmou que a denúncia era genérica e infundada. Alegou também que o Ministério Público Federal não apresentou provas das acusações.

Ainda durante a fase de inquérito, uma das pessoas que acusaram Lázaro e os demais em delação premiada é o ex-executivo da Petrobras Pedro Barusco. Em depoimento, ele disse que a oferta de propina da Alusa “gerou uma boa vontade” nos diretores da Petrobras para que a empreiteira comandada pelo santa-cruzense vencesse o certame.

A família de José Lázaro Alves da Silva chegou a Santa Cruz do Rio Pardo no final do século 19. Segundo consta em arquivos públicos, seus familiares descendem dos italianos Zilotti. O primeiro registro do sobrenome em Santa Cruz do Rio Pardo se dá em O primeiro registro da presença do sobrenome no município se dá em 1894, quando a cidade era comandada pelo coronel Batista Botelho.

A reportagem apurou que, durante a infância, José Lázaro morou também em Chavantes, onde seu pai manteve uma venda. Depois de formado em Engenharia, ingressou na Alusa em 1982, até que se tornou presidente em 2005.

Os impasses na Justiça envolvendo a Petrobras e a Alusa fez com que a empreiteira, que já foi dirigida pelo santa-cruzense José Lázaro Alves da Silva, quase fosse levada à falência. Em 2015 ela mudou o nome para Alumini e entrou em recuperação judicial.

Na época, criticou a Lava Jato e classificou as acusações de “infundadas e inverídicas”. Além disso, reclamou de não ter recebido os créditos que possuía com a gigante estatal de petróleo.

Em 2018, por outro lado, a Justiça decretou o fim do processo de recuperação judicial — fato que foi comemorado pelos novos diretores da agora Alumini. A empresa, de qualquer forma, ainda paga os centenas de credores.

Lázaro não é o único santa-cruzense envolvido e condenado no âmbito da operação Lava Jato. Conforme mostrou o DEBATE na semana passada, Waldomiro de Oliveira, que nasceu em Santa Cruz no ano de 1943, também foi condenado pela Justiça Federal em um dos desdobramentos do caso “petrolão”.  Ele é acusado de ter sido “laranja” do doleiro Alberto Yousseff, de quem também foi auxiliar e contador. Waldomiro admitiu em depoimento de 2015 que recebia dinheiro de empreiteiras e repassava ao doleiro, mas garantiu que não sabia das ilicitudes das transações.

Ele chegou a ser preso após ser condenado em segunda instância em 2018, mas foi liberado pouco mais de um ano depois, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que o cumprimento da pena só pode ser iniciado a partir do trânsito em julgado, quando não há mais recursos.

O santa-cruzense Waldomiro, segundo a acusação do Ministério Público Federal, lavava dinheiro juntamente com Alberto Youssef através de várias empresas das quais eles figuravam como proprietários — mas que na prática não existiam.

De acordo com a denúncia, Youssef e Waldomiro de Oliveira realizavam “transações financeiras fundadas em contratos e notas fiscais ideologicamente falsas”. O modus operandi dos dois santa-cruzenses envolvidos na Lava Jato, assim, era semelhante.

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