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Aos 86 anos, morre o médico e ex-prefeito de Ourinhos Clóvis Chiaradia

Considerado um exemplo de homem público, foi duas vezes vice e prefeito entre 1989 e 1992; encerrou a carreira no PT

Aos 86 anos, morre o médico e ex-prefeito de Ourinhos Clóvis Chiaradia

O médico Clóvis Chiaradia foi prefeito de Ourinhos entre 1989 e 1992 e por seis meses em 1999

Publicado em: 15 de agosto de 2021 às 01:43
Atualizado em: 15 de agosto de 2021 às 01:51

Morreu na noite de sábado, 14, o médico e ex-prefeito Clóvis Chiaradia, de Ourinhos. Ele tinha 86 anos e sofreu complicações renais. Seu corpo será velado na Câmara Municipal e sepultado no cemitério de Ourinhos neste domingo. Clóvis também foi um estudioso da cultura dos índios e chegou a lançar um livro-dicionário de palavras brasileiras com origem indígena, obra que se tornou referência por ser considerada a mais completa sobre o tema.

Chiaradia foi um apaixonado por tudo o que fazia, desde a medicina até a política. E quando resolveu ingressar na vida pública, foi reconhecido como um exemplo de gestor honesto, comprometido principalmente com as questões sociais.

 

Chiaradia é autor de um dicionário com palavras com origem indígena

Clóvis sempre foi muito popular, chamado de “médico dos pobres”. Por conta disso, se filiou ao antigo MDB, partido de oposição à ditadura militar. Com o fim do bipartidarismo, ingressou no PMDB, que nos anos 1980 se tornou o maior partido brasileiro.

Numa das convenções para renovação dos quadros do partido, o ex-vereador Euclides Rossignoli apresentou uma chapa com Chiaradia na presidência. O médico foi o escolhido e renovou os quadros do partido. Em 1982, foi indicado como candidato a vice-prefeito na chapa de Esperidião Cury, que venceu as eleições.

No governo, Chiaradia era tido como sucessor natural de Esperidião nas eleições seguintes, mas o ex-prefeito preferiu apoiar o empresário Lauro Migliari, ex-prefeito de Ourinhos cassado pela ditadura militar nos anos 1970. Migliari se lançou com forte apoio de setores conservadores e numa coligação de vários partidos tradicionais em 1988.

Em 1988, Clóvis faz campanha para prefeito numa feira livre, ao lado do vice-governador Almino Affonso

Chiaradia rompeu com Esperidião e resolveu se lançar candidato pelo PMDB. Era o grande “azarão“, já que a campanha de Lauro, uma das mais caras de todos os tempos, cobria Ourinhos do centro à periferia. Para vice, o médico escolheu o engenheiro Toshio Misato.

Todos apostavam na vitória do empresário, até que o DEBATE fez uma pesquisa eleitoral e indicou Clóvis Chiaradia vários pontos à frente. A pesquisa do jornal foi alvo de chacotas por parte de empresários e da elite ourinhense que apoiava Lauro.

Sem recursos, na campanha o médico “gastou sapatos”, visitando pessoalmente os eleitores, feiras livres e caminhando pelas ruas. Clóvis convenceu e, assim como indicou o DEBATE, venceu as eleições.

Assumiu a prefeitura em 1989 e adotou uma política voltada para as questões sociais. Além disso, revolucionou o setor de Educação, construiu muitas casas populares e, entre tantas obras, incrementou a Saúde e a Cultura. Venceria facilmente uma nova eleição, caso fosse possível na época a reeleição.

Em 1996 foi candidato a vice na chapa vitoriosa de Toshio Misato (PMDB). Não teve uma ligação íntima com a administração, mas em 1999 chegou a assumir o governo por conta do afastamento judicial do titular. Toshio foi acusado de omissão num caso de corrupção revelado numa série de reportagens do DEBATE. Novamente Clóvis ficou seis meses no comando de Ourinhos.

Em 2016, Chiaradia voltou às ruas para apoiar a candidatura a prefeito de Mário Ferreira (PT)

Já no início dos anos 2000, decepcionado com os rumos de seu partido, o médico abandonou o PMDB e se afastou de Toshio. Resolveu se filiar ao PT e sua ficha foi abonada por ninguém menos do que o próprio líder da legenda, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2004, foi candidato a vice na chapa de Ronaldo Canizella (PT), derrotada por Toshio Misato.

Clóvis voltaria às ruas em 2016, quando apoiou a candidatura de Mário Ferreira (PT). Tinha 82 anos, mas ainda forças para caminhar pelas ruas. “A diferença para as minhas campanhas é que agora eu fico mais cansado”, disse ao DEBATE naquele ano.

Em 2020, o médico apoiou a candidatura vitoriosa da vereadora Roberta Stopa (PT), representante do grupo coletivo “Emfrente!”.

Órfão de pai aos dez anos, antes da política Clóvis Chiaradia estudou Geologia, mas foi obrigado a trancar a matrícula porque não conseguia trabalhar para sustentar a faculdade. Curiosamente, estudou em seminário e quase foi padre.

Chegou a trabalhar como revisor do jornal “Folha de S. Paulo”, até que decidiu cursar Medicina em Curitiba, no Paraná. E havia uma forte razão: a universidade oferecia a “Casa do Estudante”, com aposentos e alimentação bancadas pela instituição.

O ex-prefeito Clóvis era casado com a bióloga Haid Chiaradia e deixou os filhos Bruno, Caio e Betina.

 

Em 2016, Clóvis Chiaradia concede uma de suas últimas entrevistas, em sua residência

 

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