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Meu voto não é comprado: quem é o vereador Guilherme Gonçalves, de Ourinhos

Crítico do alto número de cargos em comissão, diz que não está na Câmara para fazer amizades

Meu voto não é comprado: quem é o vereador Guilherme Gonçalves, de Ourinhos

O vereador Guilherme, sentado em sua cadeira no plenário, ele tirou a máscara para ser fotografado

Publicado em: 13 de março de 2021 às 00:00
Atualizado em: 29 de março de 2021 às 15:46

André Fleury Moraes

Aos 29 anos e com voz ativa nas redes sociais, onde mantém uma página — que leva seu nome — com mais de 1 milhão de curtidas, Guilherme Gonçalves resolveu entrar para a política no ano passado. Candidato pelo Podemos, obteve 1.151 votos e se elegeu vereador pelo grupo de Robson Sanches, adversário derrotado do prefeito Lucas Pocay (PSD).

Ele começou a trabalhar na zona rural e há pouco mais de sete anos passou num concurso público. Desde então, é servidor na Superintendência de Água e Esgoto de Ourinhos. Passou por diversos setores e, no ano passado, foi transferido à coleta de lixo.

É um dos poucos críticos da administração de Pocay na Câmara e admite que é minoria na Casa. “Mas sou muito bem recebido lá fora, nas ruas, onde tenho a certeza de que minha voz é reconhecida”, diz. “Meu voto não é comprado, e todos sabem disso”, emenda.

Apesar do grupo pelo qual se elegeu, não se intitula como alguém de oposição. “Analiso cada projeto. Se for bom, voto a favor. Por que não?”, indaga. Mas não poupa críticas quando o assunto são cargos comissionados e funções gratificadas.

Há algumas semanas, fez um duro discurso na Câmara questionando a real necessidade de manter as funções de confiança. Segundo relatório do Observatório Social de Ourinhos, a administração possui 759 pessoas de livre nomeação.

“Foram gastos R$ 122 milhões em cargos comissionados na última gestão. É um valor muito alto, desproposital, principalmente em um período de pandemia”, afirma. “Para construir uma UPA são menos de R$ 5 milhões. É uma discrepância muito grande”.

Servidor da SAE, Guilherme defende a realização de concursos públicos para suprir demandas que hoje são preenchidas por uma canetada. “Veja, por exemplo, a função de diretor de diálogo. Nós temos psicólogos concursados, pessoas capacitadas para isso, mas nada é aproveitado”, afirma. Para ele, a administração é um verdadeiro cabide de emprego.

Guilherme não participa de reuniões políticas com a prefeitura. “Acho que os poderes, embora harmônicos, precisam ser independentes. E uma reunião pode interferir no voto de um vereador. Não compactuo com isso”, afirma. O vereador chegou a ser sondado para concorrer à vaga na Câmara pelo grupo do prefeito, mas recusou a oferta.

Ele prega renovação, mas vê na máquina pública o principal entrave. Não acredita que o progresso de Ourinhos seja barrado pela influência de dois grupos antagônicos — apoiadores dos ex-prefeitos Toshio Misato e Claury Alves da Silva.

“Você pega as pessoas que trabalharam para a campanha do prefeito e nota que muitos hoje estão nomeados em cargos da administração”, salienta. “É difícil combater o sistema”.

Embora ocupe uma cadeira na Câmara, o nome de Guilherme já é conhecido há muito mais tempo. Alguns anos atrás, decidiu criar uma página no Facebook com seu nome para auxiliar as pessoas. Na internet, replica pedidos de ajuda a pessoas carentes e, desde que se elegeu, compartilha discursos e outras notícias sobre seu mandato.

A página possui mais de 1 milhão de curtidas e é acompanhada por pessoas do Brasil todo. Mas não foi utilizada no ano passado para fazer campanha. “Se tivesse usado, acho que minha votação seria melhor”, diz.

 

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