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Prefeito não pagou reforma total no aterro, denuncia consultor ambiental

Guilherme Moraes dos Santos garante que recebeu ‘calote’ de Wilson Garcia

Prefeito não pagou reforma total no aterro, denuncia consultor ambiental

O prefeito Wilson Garcia (PSDB) no aterro logo após a questionada reforma

Publicado em: 08 de maio de 2021 às 01:23
Atualizado em: 08 de maio de 2021 às 01:24

Sérgio Fleury Moraes

Consultor ambiental há 20 anos e especialista em aterros sanitários, Guilherme Moraes dos Santos, 42, disse que realizou a reforma total do antigo aterro de Bernardino de Campos e não recebeu pelo trabalho. Ele possui vídeos e fotos comprovando o serviço e afirmou que o prefeito Wilson Garcia (PSDB) “enrolou” sobre o pagamento durante semanas até que aconselhou Guilherme a procurar a Justiça. “Pois é isto o que farei, além de denunciar o caso ao Ministério Público”, diz Guilherme, que mora no Litoral Norte paulista.

A administração de Wilson Garcia anunciou a reforma total do aterro sanitário no final de fevereiro, dois meses após a posse do prefeito que substituiu Odilon Rodrigues (PSD), e obteve destaque na imprensa da região.

Na época, a obra foi creditada ao novo diretor do Meio Ambiente, Denapole Félix, o que manteve a esperança de obter uma licença que permitiria a continuidade do aterro. Há uma sentença judicial que interditou o espaço e impôs uma multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. O aterro segue sendo utilizado, desobedecendo a ordem da Justiça.

“O Denapole me contratou. Ele não fez nada no aterro, pois não tem capacidade profissional para o serviço”, diz Guilherme. A história narrada pelo consultor ambiental começou no ano passado, quando, segundo ele, se aproximou de Bernardino de Campos ainda no governo de Odilon Rodrigues, e chegou a prestar uma assessoria. “Foi aí que eu conheci o rapaz que estava na secretaria do Meio Ambiente, o Denapole, que foi mantido no governo de Wilson”, contou.

A partir daí, segundo Guilherme, ele começou a trocar telefonemas constantes com Denapole. Foi na residência do atual diretor que o consultor conheceu pessoalmente Wilson Garcia, ainda prefeito eleito. No dia 4 de janeiro, o consultor reuniu-se com o novo prefeito e, na saída do prédio, ouviu um pedido de ajuda para resolver o problema do aterro. “Ele disse que precisava de uma solução, mas não tinha dinheiro. O prefeito, aliás, reclamou que o antecessor deixou uma dívida de R$ 2 milhões”.

Após outras reuniões, foi discutida a possibilidade de Wilson usar o dinheiro depositado numa ação de desapropriação — R$ 120 mil — para pagar o consultor. “Aquela ação não levaria a nada, já que o solo não é apropriado. Além disso, a Cetesb já havia informado que não daria a licença ambiental para aquele local”, disse.

As obras começaram e Guilherme contou que chegou a se reunir até com os diretores da Frutap para solicitar apoio e discutir a hipótese de implantar um equipamento de reciclagem na indústria que fica próxima do aterro.

Ao longo da obra, segundo Guilherme, o prefeito solicitou várias vezes uma redução no preço do serviço. Como não recebia nada, o consultor disse que precisava de um adiantamento para pagar despesas de viagem, já que mora em São Sebastião, no litoral paulista. A solução foi sugerida por Denapole e Guilherme apresentou uma nota fiscal de R$ 2,8 mil, segundo ele com descrição dos serviços “ditada” pelo diretor.

É esta nota, segundo denuncia Guilherme, que a administração de Wilson Garcia está usando para alegar a quitação dos serviços. O diretor Denapole Félix foi o único que atendeu a reportagem. Primeiro, ele pediu que o jornal procurasse o prefeito Wilson Garcia ou a secretária Pérsia Bughi, mas nenhum deles atendeu as ligações.

Depois, em novo telefonema, Denapole negou que Guilherme tenha prestado algum serviço ao município. Em seguida, alegou que a prefeitura pagou apenas o trabalho especificado na nota fiscal. O diretor também disse que o pagamento de parte do serviço chegou a ser discutido para ser feito pela Ummes. “Mas não tem contrato, nem nada. Meu erro foi deixar este cara no aterro”, afirmou. Denapole ainda informou que “não tem contato algum” com Guilherme Moraes.

O consultor ambiental disse que prestou serviços para vários municípios e nunca teve problemas. “Eu cheguei a dormir na secretaria de Meio Ambiente. Prestei todo o serviço necessário para colocar o aterro em ordem”, disse. Segundo Guilherme, o trabalho incluiu, ainda, um estudo do solo e a reserva de uma área, cujo material orgânico já havia se decomposto e que poderia ainda receber lixo por um período de cinco anos.

Ele também contou que chegou a prestar assessoria, a pedido de Wilson, ao prefeito de Salto Grande. “O Wilson me pediu como um favor, porque o prefeito era irmão de um deputado a quem ele devia favores”, disse, referindo-se certamente a Capitão Augusto Rosa (PL). “Viajei para Salto Grande, inclusive, com um carro público”, disse.

Guilherme disse que voltou a se reunir com o prefeito Wilson e o diretor Denapole várias vezes, numa delas com a presença das secretárias Pérsia e Carla Costa Lima. Na última, o prefeito de Bernardino disse que não o conhecia e que o consultor não teria provas de que ele efetivamente prestou serviços ao município. “Tinha certeza que eles estavam gravando, imaginando que sou um idiota”, afirmou. 

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