REGIONAL

Roberta Stopa: a experiência do mandato coletivo em Ourinhos

Roberta é vereadora pelo PT, mas mandato é compartilhado por mais quatro pessoas

Roberta Stopa: a experiência do mandato coletivo em Ourinhos

A vereadora Roberta Stopa (PT)

Publicado em: 20 de março de 2021 às 00:00
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 15:31

Sérgio Fleury Moraes

O nome da única vereadora eleita pelo PT de Ourinhos é Roberta Stopa. Mas podem chamá-la de Andréia dos Santos, Camilla Zaina Drummond, Danilo dos Santos ou Marisa Barleto. Afinal, a vitória nas urnas foi a de um projeto revolucionário na cidade, um coletivo que recebeu o nome de “Enfrente”. Assim, o mandato é exercido de forma coletiva, com seus integrantes debatendo todos os assuntos depois de ouvir parte da população.

Assistente social e servidora pública federal, Roberta Stopa, 40, é relativamente nova na política, já que se filiou ao PT na véspera do ano eleitoral. Como militante, porém, atua desde que se formou como assistente social, em 2003, e como funcionária das prefeituras de Bernardino de Campos, Chavantes e Cambará.

“Além da militância estudantil, sempre tive engajamento nos conselhos, fui presidente de eleição de Conselho Tutelar e participei de inúmeras conferências sociais. Então, tenho militância pelas politicas públicas desde a minha formação acadêmica”, explicou.

Da esquerda para a direita, Camila Drummond, Marisa Barleto, Roberta Stopa, Andréia dos Santos e Danilo dos Santos 

Assim, a conquista de uma cadeira na Câmara de Ourinhos foi fruto de um projeto que deu certo: o “Coletivo Enfrente!”. Este tipo de mandato já existia na Assembleia Legislativa paulista, através da deputada Mônica Seixas (Psol), ou em Pernambuco. Surgiu, então, a ideia de tentar implementá-lo na cidade.

Roberta conhecia a também assistente social Camilla Zaina Drumond e as duas trabalharam pela candidatura de Fernando Haddad (PT) em 2018.

Na campanha, conheceram Danilo dos Santos, soldador e criador do CrewAtividade e depois o grupo se aproximou de Andréia dos Santos e da professora aposentada e psicóloga Marisa Barleto. Todos praticamente sempre se envolveram em movimentos de bairros.

Em 2019, segundo Roberta, houve intermináveis reuniões até que o “coletivo” estivesse disposto a enfrentar as eleições municipais.

Nas discussões internas, o nome de Roberta foi apontado como aquela que deveria representar o coletivo na candidatura. Hoje vereadora, ela admite que foi difícil explicar ao eleitor como este sistema iria funcionar.

Além disso, alguns votantes sequer aceitavam receber algum impresso da campanha. “Não voto no PT”, disseram.

Com o mandato, ficou mais fácil a compreensão. “Embora eu esteja na cadeira de vereadora, nenhuma decisão ou projeto parte de mim, mas do coletivo. Tudo é discutido antes”, disse.

Aliás, membros do “coletivo” também costumam acompanhar as sessões legislativas, no caso da tomada de alguma posição em cima da hora.

As reuniões semanais do grupo, aliás, são todas documentadas numa ata. Claro que os encontros ficaram mais difíceis com a pandemia, mas o “coletivo” possui dois grupos no aplicativo WhatsApp.

Um deles é aberto a várias pessoas que apoiam o mandato, enquanto outro é integrado pelos membros do coletivo. Isto possibilita, por exemplo, que um morador apresente uma ideia que, depois de discutida, pode chegar à Câmara. “Na verdade, o coletivo é muito amplo. Mesmo se o mandato não fosse conquistado, ele continuaria a existir”, afirmou.

Até mesmo a questão salarial foi discutida. A “co-vereadora” Andréia dos Santos, por exemplo, foi nomeada assessora do gabinete da vereadora, enquanto Roberta Stopa separa uma parte de seus vencimentos para pagar as despesas do coletivo. Até mesmo a assinatura do jornal é bancada pelo coletivo.

Vereadora e militante de esquerda, Roberta também é alvo de ofensas em redes sociais, mas diz que não costuma acompanhar. “Não me abala”, garante. Aliás, uma outra grande parte da população apoia o mandato coletivo. “O PT sofreu um problema nacional, com muita fake news e uma mídia forte apoiando estas mentiras. Mas a história já está mostrando o que realmente aconteceu”, disse.

Ela se refere às condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O principal processo, do tríplex de Guarujá, recentemente foi anulado em decisão monocrática de Edson Fachin, ministro do STF, que determinou o envio dos autos à vara do Distrito Federal. Também há o pedido de suspeição contra o ex-juiz Sergio Moro, que ganhou força recentemente após a revelação das mensagens entre procuradores e juízes da operação Lava Jato.

O “Coletivo Enfrente!” é uma novidade num município historicamente dominado por dois grandes grupos políticos, que se revezam há anos no poder.

O atual prefeito, por exemplo, é filho de um ex-prefeito e sobrinho de outro. Roberta e os “co-vereadores” sabem que a política ourinhense é alimentada também pela máquina pública, com centenas de cargos comissionados.

“A gente está a par de todas as demandas e procura transformar em pedido de informações. Nós já criticamos este número excessivo de cargos comissionados, pois valorizamos o concurso público”, disse.

Para Roberta, um dos principais problemas da atual administração é a falta de acesso à informação. “No site oficial, há muita publicidade, narrando a compra de veículos ou cestas básicas. Mas não há informações sobre quanto custou ou para quem será distribuído”, afirmou. “Não se sabe quantas famílias estão esperando por vagas em creche, o que é importante para se planejar construções, ou o número de atendimentos na saúde. Não se encontra nada sobre questões importantes, mas a publicidade é farta”, reclamou.

A fiscalização é outro problema. O prefeito Lucas Pocay é “blindado” no Legislativo e há dificuldade para a aprovação de CPIs ou mesmo comissões para investigar fato determinado.

Roberta defende amplas investigações e acredita que uma CPI tem força, “inclusive com a participação da sociedade civil”, para desvendar muita coisa. “Fiscalização é tudo”, garante.

A vereadora confessa que está “triste” com a situação do Brasil. “É muito preocupante, especialmente porque sou assistente social e atendo diariamente famílias de baixa renda. Vejo que as ações do governo atingem os mais pobres e a classe trabalhadora em geral. Parece que agora tudo piorou e o povo não vê mais possibilidades. O cenário é catastrófico”, afirmou.

PUBLICIDADE

SANTA CRUZ DO RIO PARDO

Previsão do tempo para: Quarta

Períodos nublados
28ºC máx
16ºC min

Durante todo o dia Céu limpo

COMPRA

R$ 5,66

VENDA

R$ 5,66

MÁXIMO

R$ 5,74

MÍNIMO

R$ 5,66

COMPRA

R$ 5,64

VENDA

R$ 5,99

MÁXIMO

R$ 5,88

MÍNIMO

R$ 5,81

COMPRA

R$ 6,78

VENDA

R$ 6,78

MÁXIMO

R$ 6,86

MÍNIMO

R$ 6,77

PUBLICIDADE

voltar ao topo

Voltar ao topo