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Zé Maria, prefeito de Piraju, é acusado de assédio por duas mulheres

Duas mulheres relatam à Justiça supostos assédios que teriam sofrido do prefeito; uma delas seria menor de idade

Zé Maria, prefeito de Piraju, é acusado de assédio por duas mulheres

O prefeito Zé Maria, de Piraju; ele nega a ameaça e diz que não foi notificado sobre caso de assédio

Publicado em: 20 de novembro de 2021 às 03:13
Atualizado em: 20 de novembro de 2021 às 03:59

André Fleury Moraes

O prefeito José Maria Costa (DEM), de Piraju, está sendo acusado por duas mulheres da prática de assédio sexual. Uma delas seria menor de idade na época em que os fatos teriam acontecido, e os supostos abusos chegaram a ocorrer, segundo os relatos, dentro do próprio gabinete do prefeito.

Dois processos por danos morais correm na Justiça – no caso da jovem, há também um inquérito que tramita no Ministério Público. O DEBATE optou por não divulgar o nome das supostas vítimas em respeito à intimidade delas.

A menor de idade trabalhava na Legião da Guarda Feminina de Piraju quando teria sofrido os assédios. Ela relata que era chamada ao gabinete de Zé Maria com frequência e que, nestas ocasiões, teria sido importunada pelo prefeito — que dizia sobre ela estar “sensual”. Foi a mãe desta jovem que a levou ao Ministério Público para expor os fatos.

A sala da guarda feminina, segundo apurou o DEBATE, fica na antessala do gabinete do prefeito.

Certa vez, de acordo com o relato, Zé Maria pediu para a então estagiária de 16 anos ajudá-lo a mexer no celular. A garota foi até ele e se deparou com um vídeo pornográfico aberto no aparelho — o prefeito, enquanto isso, “fingia demência”, conforme aponta o depoimento.

Ela conta também que chegou a receber uma mensagem do prefeito dizendo que estava carente e que “teria de se virar com as mãos”. A jovem diz no relato que teria tentado “cortar” as importunações do prefeito, mas sem sucesso.

A menor de idade relata que era alvo de “cantadas” de Zé Maria com frequência — muitas delas de baixo calão —, e o estopim dos supostos assédios teria acontecido no próprio gabinete do prefeito.

Ela relata que, num determinado dia de 2017, não suportava mais os assédios e passou a chorar dentro da sala de Zé Maria. Os gritos, altos, chamaram a atenção de alguns funcionários da prefeitura — que foram averiguar o que acontecia. E o prefeito teria dito que tudo não passava de uma brincadeira e que a garota teria entendido errado.

A menor de idade garante em depoimento que há outras garotas que passaram pela mesma situação e que os assédios continuaram depois que ela saiu da prefeitura.

Não é só. Uma segunda mulher, casada e ex-apoiadora do prefeito, também o acusa de assediá-la.

E diz que Zé Maria tentou coagi-la para que seu marido não testemunhasse contra ele num processo que tramita na Justiça Eleitoral. Esta mulher apresentou prints (capturas de tela do celular) à Justiça.

Numa troca de mensagens do ano passado, Zé Maria envia “Fala gostosona” (sic) a ela, às 10h42. O DEBATE optou por manter a grafia e os eventuais erros de português das mensagens para garantir que nada seja alterado.

Em seguida, o prefeito diz que está preocupado com a eleição e pergunta “Cadê o viado do [marido dela] kkkkkk o Zé do copo”. A mulher rebate: “Que liberdade eh essa que vc pensa que tem comigo? Você me respeita”.

Prefeito trata ela como ‘engolidora de calcinha

Numa outra troca de mensagens, Zé Maria diz que abriria um circo e colocaria a mulher para trabalhar. Na sequência, faz uma brincadeira machista e pejorativa com o anúncio: “E AGORA VEM AÍ AAA ENGOLIDORA DE CALCINHA KKKKK”. Ela responde: “Credo, Zé”.

Ex-apoiadora do prefeito e atuante na campanha eleitoral do ano passado, Zé Maria frequentou a casa do casal nos últimos anos em função de uma relação próxima que construiu por causa do apoio político.

O então candidato à reeleição teria prometido a ela um cargo em comissão caso se sagrasse vencedor nas urnas no ano passado. Depois, porém, teria afirmado: “Só dou emprego pra você por uma condição KKKKKKK”. Ela questiona qual seria a prerrogativa, ao que Zé Maria responde: “Se você deixar eu esfregar em você. Só uma encostada pra você sentir o tamanho dele KKKKKK”.

A mulher rebate. “Voce vai sentir eh a mão na cara que o [marido] vai te dar”. Na sequência, ressalta que ama o cônjuge e afirma que não quer nada disso. O mandatário, então, diz que ela é besta e que “ninguém precisa saber”. Ela interrompe a conversa no mesmo instante.

‘Fala, gostosona’, declaração que foi rebatida por ela

Embora fosse amigo próximo do casal, a cuja residência ia com alguma frequência, Zé Maria teria insinuado em mensagens que o marido da mulher “merece levar uns chifrinhos”. Depois, ele diz: “Humm tá ficando mais duro essa porra”. Ela corta a conversa novamente.

As insinuações teriam afetado tanto o psicológico da vítima que o próprio casamento acabou prejudicado. O medo de contar ao marido desgastou a relação do casal, que acabou se separando. A mulher, por sua vez, foi morar com a família em outro estado.

O casal só se reconciliou depois que ela resolveu contar tudo e fazer um boletim de ocorrência relatando os fatos.

Embora bons amigos em um passado não tão distante, Zé Maria e o marido da vítima romperam há algum tempo. Ele se tornou testemunha de acusação contra o prefeito em um processo que tramita na Justiça Eleitoral e investiga abuso de poder econômico do mandatário durante as eleições de 2020.

Pouco tempo depois de ter sido arrolado no processo, Zé Maria mandou uma mensagem à mulher questionando as ações de seu marido. “Eu converso com vc pela amizade que nós temos”, afirmou. Na mesma mensagem, o mandatário escreveu: “Tenho algumas coisas que nunca na vida iria querer usar contra vc mesmo seu marido ficando me enchendo o saco” (sic).

Segundo consta, durante a audiência do processo na Justiça Eleitoral, essa mensagem foi lida na íntegra por um dos advogados — e a testemunha, apesar disso, manteve seu depoimento.

A mulher ingressou com duas ações na Justiça, uma por delas por danos morais. A outra é uma queixa-crime. Ambos os processos requerem indenização. 

 

Prefeito diz que não foi notificado
no caso de assédio e nega ameaça

Em áudios de WhatsApp encaminhados ao jornal na sexta-feira, 19, o prefeito José Maria Costa, de Piraju, disse que não pode comentar um caso sobre o qual ainda não foi notificado. “Não estou sabendo de nada”, afirmou.

Zé Maria confirmou apenas o processo pela suposta ameaça e disse que trata-se de uma mulher que quer dinheiro. “Não tem nada de ameaça”, garantiu.

O prefeito afirmou que não é o primeiro problema que tem com o jornal e sugeriu que a reportagem adiasse a publicação da matéria para que os fatos fossem averiguados. “Isso causa um problema para a gente que está na política”, declarou.

Zé Maria disse que o jornal “está fazendo o certo” em ouvir ele, mas salientou que, depois de publicada a reportagem, “não adianta falar comigo”.

O caso pode gerar novo desgaste ao prefeito José Maria Costa. Em 2019, por exemplo, ele enfrentou uma CPI na Câmara que investigou o repasse de propina a ele a partir da Riopardense.

O relatório final responsabilizaria Zé Maria, e a comissão teria confirmado o pagamento. O caso acabou arquivado por um atraso de segundos na entrega do relatório.

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