SOCIEDADE

A jovem pintora dos ‘pets’

Aos 22 anos, Raissa Araújo se especializou em desenhar animais e vira atração

A jovem pintora dos ‘pets’

ARTE JOVEM — Raissa começou a desenhar na infância e na adolescência se especializou em animais

Publicado em: 02 de outubro de 2021 às 02:34
Atualizado em: 02 de outubro de 2021 às 02:34

Sérgio Fleury Moraes

Formada em marketing digital e sem nunca ter feito algum curso de pintura, Raissa Araújo se tornou destaque em Santa Cruz do Rio Pardo pelas telas de animais que produz. A venda das obras de arte começou recentemente, mas já banca despesas da jovem que mora na cidade desde os seis anos, quando os pais decidiram trocar Colorado-PR por Santa Cruz. “Eu amo o que faço”, diz, contando que pediu demissão de outros empregos porque não estava feliz e queria simplesmente desenhar.

Curiosamente, Raissa tem uma personalidade que destoa do resto da família. O pai é pecuarista e a mãe, manicure. “E eu sempre fui meio diferente”, brinca. Na escola infantil “Arco-Íris”, ainda criança, ela começou a desenhar e seu talento foi percebida pelas professoras de Artes.

Nem é preciso dizer que, já na escola “Sinharinha Camarinha”, no Ensino Fundamental, a disciplina que Raissa adorava era Artes, principalmente quando a professora pedia um desenho livre. Os colegas ficavam impressionados e os elogios sempre foram recebidos como incentivo pela pequena artista.

Jovem exibe quadro de sua autoria

Alguns desenhos de infância foram guardados pelos pais. Claro que, hoje, Raissa estranha os traços infantis, já que sua arte evoluiu ao longo de poucos anos.

Até os 13 anos, a estudante usava lápis de cor comum, que gastavam rapidamente. “Eu gosto de cor viva, com preenchimento total”, explica. Foi nesta idade que Raissa se aproximou das telas e das tintas acrílicas. O lápis, então, foi definitivamente aposentado. Surgia a pintora adolescente.

Contudo, o problema de Raissa era a falta de tempo, pois estudava e trabalhava. “Eu comprava telas e tintas para pintar nos finais de semana”.

 

Pouco antes da pandemia, Raissa tomou uma decisão. Ou seria feliz com sua arte ou continuaria trabalhando em atividades que considerava estressantes — bancos ou lojas. “Sempre fui independente, desde os 14 anos. Mas, na verdade, eu estava ficando meio louca. Pedi demissão e nem recebi nada. Mas comecei a me dedicar exclusivamente à arte e comecei a postar meus trabalhos nas redes sociais”, contou.

Em pouco tempo, Raissa conquistou seguidores e fãs. Começaram também as primeiras encomendas. “Eu pegava qualquer coisa, pois precisava de dinheiro. Anunciei que pintava quadros, jaquetas, paredes, tudo”. O namorado Caio Sakoda ajuda nas fotos para expor a arte da jovem. Daí para as encomendas foi um passo.

Assim, há um ano e três meses Raissa vive de sua arte, dividindo despesas com o namorado — e é feliz.

A pintura a tinta acrílica de Raissa pode ser considerada realista em que predominam as cores. Mas nem ela pretende defini-la. “Eu diria colorida. Amo pintar as coisas com muita cor. Gosto muito de rosa, mas o vermelho nunca pode faltar”, explicou.

Um dos quadros mais recentes de Raissa saiu de sua imaginação

 

A artista, na verdade, costuma exagerar nas cores primárias — vermelho, amarelo e azul. Sua primeira coleção — “Amore”, composta por três quadros — foi inspirada no amor e pintada nas cores primárias. “Esta coleção mostra vários símbolos que representam o amor e um deles é a casa”, explicou. A coleção, claro, já foi vendida.

Com o tempo, Raissa se especializou em desenhar ‘pets’. “Eu amo animais e até trabalhei na Special Dog”, conta, lembrando o único emprego do qual gostou. Em casa, uma pequena quitinete nas imediações da Sabesp, ela tem duas gatas — “Apostila” e “Canetinha”. É óbvio que as duas já foram retratadas por Raissa.

Entre uma encomenda e outra, quando tem tempo a artista pinta quadros de sua própria inspiração. E invariavelmente também são animais, de todos os tipos. Há desde borboletas a vaca ou cavalo. Quase todos acabaram nas paredes de alguma residência, pois também encantaram clientes.

Raissa diz que o fato de ter suas obras espalhadas representa a satisfação do artista. “É meio louco isto. Mais de 300 pessoas já possuem minhas telas e fico imaginando que um pedaço de mim está espalhado em várias casas. Acho até que, no dia a dia da pessoa, ela olha para aquele quadro e pode ter um momento de felicidade”, afirmou.

 

Sem dúvida, esta contemplação aumentou na pandemia, quando as famílias permaneceram mais em suas residências. “Quando o quadro é do animal de estimação, não é apenas uma pintura de gato ou cachorro. Naquela imagem certamente estão momentos felizes, tem toda uma história por trás daquele quadro”, disse.

Não é à toa que, segundo Raissa, muitas pessoas que encomendam quadros de seus animais, depois mandam fotos, emocionadas e às vezes até chorando, exibindo a obra na parede. “Não há valor que pague isto”, avaliou.

A artista aprendeu sozinha as técnicas de pintura, com a ajuda da internet. Ela já tentou se aventurar na pintura de pessoas, mas não gostou. “É mais complicado porque não conheço a história daquela pessoa e a emoção não é transmitida. Quando tentei, demorava para começar e, depois, corria para cumprir o prazo. Resolvi parar”, explicou.

Quadro ilustrando o gato de Raíssa

Mas ela tem outras opções de arte. Já pintou, por exemplo, a parede de uma loja e faz desenhos diretos em camisetas e jaquetas. Além disso, já pintou um quarto de bebê, faz desenhos em broches ou botons personalizados e até cinzeiros, que recebem uma resina especial.

Raissa ainda não participou de nenhuma exposição exclusiva de quadros. “Na verdade, eu estive em uma edição do Coreto Encanto e coloquei meus desenhos pendurados. Foi quando fiz minha primeira venda e fiquei emocionada. Mas a pandemia suspendeu tudo”, disse.

A artista reconhece que tem problemas em colocar preço em suas obras. “A arte não é valorizada quanto deveria. O valor deve ser representativo para mim, especialmente pelo custo, mas muitos acham caro. Felizmente existem aquelas pessoas que concordam com o valor e outras que consideram o preço até baixo”, explicou. Hoje, os quadros variam entre R$ 120 e R$ 700.

As obras de Raissa Araújo podem ser encontradas nas redes sociais. No Instagram, o endereço é @raiujo.art.

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