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Dinah Camarinha, viúva do ex-prefeito Carlos Queiroz, morre aos 95 anos

Ex-primeira-dama de Santa Cruz morava na capital paulista

Dinah Camarinha, viúva do ex-prefeito Carlos Queiroz, morre aos 95 anos

Inauguração do Icaiçara Clube, em 1959: Carlos Queiroz e a mulher Dinah entram no salão provavelmente pela única vez

Publicado em: 11 de junho de 2022 às 03:34
Atualizado em: 13 de junho de 2022 às 17:40

Sérgio Fleury Moraes

Viúva do ex-prefeito Carlos Queiroz, a professora Dinah Camarinha Queiroz morreu na madrugada de sábado, 4, em São Paulo. Ela tinha 95 anos e era filha do ex-deputado Leônidas Camarinha. Seu corpo foi cremado na capital.

Dinah teve um papel fundamental nas atividades do marido antes mesmo de Carlos Queiroz se tornar prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo. Em 1961, por exemplo, foi dela a ideia de promover o “Natal das Crianças Pobres” no extinto Clube dos Vinte, do qual Carlos era o presidente.

A professora logo arregimentou outras personalidades da cidade para ajudar na campanha, como Noêmia Aloe, o casal Paulo e Olinda Suzuki, Teófilo Queiroz e outros. A iniciativa distribuiu presentes e mantimentos às crianças de famílias carentes. Deu tão certo que se repetiu no ano seguinte.

Carlos era o dono da rádio Difusora, do jornal “A Folha” e da loja “Santa Cruz Elétrica”, uma das maiores da cidade naquele início da década de 1960. Ele também tinha outra loja, a “Dinalux”, que batizou em homenagem à mulher. Quando entrou para a vida pública, vendeu este estabelecimento para o comerciante Elias Moyses Abeche.

Carlos Queiroz (ao centro) discursa; Dinah está atrás

Sua capacidade de planejamento já era reconhecida, tanto que ele colocou o nome do conjunto de empresas de “Organizações Carlos Queiroz”. No entanto, não alimentava planos de se candidatar a prefeito, nem sequer havia sido vereador.

Mas a política, claro, estava no sangue da mulher, filha do ex-prefeito e ex-deputado Leônidas Camarinha. Ao contrário do que se imaginava, Carlos Queiroz, embora genro de Leônidas, não era o candidato do deputado nas eleições para prefeito em 1963. O escolhido era o médico Samuel Martins Figueira. No entanto, no mesmo ano Samuel desistiu, alegando que o ingresso na política iria atrapalhar suas atividades como médico.

Foi aí que correligionários de Lulu Camarinha indicaram o nome de Carlos. O deputado ainda relutou, pois Queiroz era seu genro, mas logo cedeu e resolveu arriscar. E ainda ousou, indicando um sobrinho — o engenheiro civil José Carlos Camarinha — como candidato a vice-prefeito na mesma chapa.

Carlos aceitou, mas com algumas condições. Ele organizaria a própria campanha e sempre visitava eleitores na companhia da mulher Dinah. Gastou sapato e visitou toda a zona rural de Santa Cruz, pois não era o favorito nas eleições. O prefeito em 1963 era o “campeão” de votos Onofre Rosa de Oliveira, do grupo dos “azuis”, e tudo indicava que faria o sucessor, José Osiris Piedade, o “Biju”.

Numa campanha memorável, que contou com a participação em comício do ator e cineasta Mazzaropi, Carlos Queiroz cresceu e venceu uma eleição muito apertada, com apenas 117 votos de diferença.

Não tinha nem 40 anos quando assumiu a prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo e fez uma das mais lembradas e exaltadas administrações da história da cidade. Sua mulher Dinah participou ativamente dos eventos sociais ligados ao governo.

Em 1965, Dinah não apenas incentivou Carlos a cursar Direito, como ela própria se matriculou na faculdade e acompanhou o marido. O ainda prefeito tinha planos de montar um escritório de advocacia e disputar uma cadeira de deputado estadual, possivelmente em 1970.

 

Dinah, em foto da comemoração de seu último aniversário

 

Mas o destino acabou com muitos sonhos. Em outubro de 1969, Carlos Queiroz estava concluindo o curso de Direito na Faculdade ITE de Bauru, juntamente com seu amigo Aparecido José Pimentel, o “Piti”, filho do fundador da Oapec José Cesário Pimentel, e a mulher Dinah. “Piti”, por sinal, era namorado da única filha mulher de Carlos e Dinah, a hoje museóloga Dinah Terezinha Camarinha Queiroz Jobst.

Na noite do dia 8 daquele mês, sempre apressado, Carlos rumou para Bauru dirigindo um Simca Chambord na companhia da mulher Dinah, de Aparecido Pimentel, Iolanda Ramos e a filha Maria Helena Ramos. Havia chovido forte no dia anterior.

O Simca era uma coqueluche do mercado automobilístico, mas tinha alguns problemas: o motor não tinha tanta potência e o farol dianteiro era fraco. O carro era do filho “Tom” Queiroz, já que Carlos havia encomendado um novíssimo Corcel, que estava em fase de lançamento pela Ford.

Num determinado trecho da rodovia SP-225, um trator aparece na pista e Carlos rapidamente faz uma manobra para desviar o carro da máquina agrícola. O Simca bateu no caminhão de um amigo, de nome Hildebrando Rodrigues, num acidente pavoroso. Carlos e “Piti” — que viajava no banco traseiro, logo atrás do ex-prefeito — morreram na hora. Dinah, Iolanda e Maria Helena ficaram feridas.

Terminava ali a meteórica carreira de um dos mais brilhantes políticos da história de Santa Cruz do Rio Pardo.

Dinah seguiu sua vida, nunca mais se casou e mudou-se depois para São Paulo. Viveu até os 95 anos. Ela e Carlos tiveram os filhos Carlos Antônio Camarinha Queiroz, o “Tom” — que morreu num acidente em 2010 —, Dina Terezinha Camarinha Queiroz e João Queiroz Neto.

“Ela foi uma mulher extraordinária. Santa Cruz deve muito a Dinah Camarinha Queiroz”, ressaltou o economista Miguel Moyses Abeche Neto, que morava em Santa Cruz do Rio Pardo no início da década de 1960 e acompanhava a vida social e política da cidade.

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