SOCIEDADE

Famílias ‘adotam’ terrenos abandonados em Santa Cruz

Em vários bairros, áreas que antes eram matagais se transformam por completo

Famílias ‘adotam’ terrenos abandonados em Santa Cruz

O artesão Zélio Chagas mostra boneco feito com madeira reciclada

Publicado em: 05 de junho de 2021 às 02:42
Atualizado em: 05 de junho de 2021 às 02:48

Sérgio Fleury Moraes

Uma tendência, embora ainda vinda de atitudes isoladas, está crescendo em Santa Cruz do Rio Pardo: a “adoção” pelos próprios moradores de áreas abandonadas em vários bairros. O jornal já noticiou que na vila Fabiano duas vizinhas transformaram uma área pública com flores e árvores e, além disso, limpam há anos a estrutura de um ponto de ônibus em frente. Perto da Morada da Ponte Nova, a professora Telma Basseto usou pneus coloridos para mudar a paisagem da calçada em frente a uma área verde. Mas há outros exemplos na cidade.

No bairro Nagib Queiroz, o artesão Zélio Chagas, 54, passou a se envolver com arte antes mesmo de se aposentar como policial militar. “Eu pintava placas, cartazes e faixas publicitárias”, conta. Hoje, é dono da “Artesanato Atenas”, onde fabrica carrinhos em miniatura, vasos, bonecos e todo tipo de enfeites em madeira. O artista diz que se encontrou na manipulação da madeira e garante que, durante a pandemia, o trabalho aumentou. Ele acredita que se inspirou no avô, que construía peças de madeira.

Zélio mora na esquina da avenida Ariosto Moura César com a rua Cacilda Azanha Ciavato, no Nagib Queiroz. É a primeira casa da avenida e em frente fica uma área verde que durante anos incomodou moradores do bairro e até das redondezas. Era um verdadeiro matagal, onde a sujeira imperava e, muitas vezes, um terreno usado por usuários de drogas.

Pois Zélio e sua mulher Vanda decidiram agir. Em poucas semanas, o local foi totalmente transformado e agora atrai vizinhos e principalmente crianças. Se antes era matagal, o terreno público hoje é uma área de lazer, com miniaturas, bonecos, bancos e até casinhas para passarinhos.

Na nova “praça”, há brinquedos e até um catavento feito por Zélio

“Muitos vizinhos viviam roçando esta área para limpá-la ou evitar animais peçonhentos. Então eu pensei que também poderia ajudar, já que não é um terreno muito grande”, contou. Primeiro, ele e a mulher começaram a plantar árvores frutíferas. Em seguida, surgiram vasos coloridos e, por último, houve o toque do artesanato de Zélio.

O artista utilizou pedaços de madeiras de todos os tipos, inclusive recicladas e as chamadas “de lei”, e transformou o espaço. “Não é preciso dinheiro. A gente encontra madeira em caçambas e outros terrenos. Aquilo que iria para o lixo se transforma em arte”, conta.

A área ganhou novo visual — e ares de praça pública. Zélio dotou o espaço de uma escultura em madeira de um urso panda, estrategicamente colocado num galho de árvore, e também fez um boneco subindo numa escada. Há também vários bancos, vasos ornamentais e até uma miniatura de cata-vento que gira de verdade. Pensando na consciência ambiental, num dos cantos há uma lixeira; no outro, um artesanato que imita um poço rural. Tudo foi multicolorido pelas mãos de Zélio e da mulher Vanda.

Há artesanato até na calçada, ainda de terra, que antes nem existia. A própria prefeitura ajuda na preservação do terreno de sua propriedade, cedendo ao casal mudas de árvores e permitindo o plantio em seu interior.

Por enquanto, Zélio cercou o local com arame para evitar o vandalismo. “Quando as árvores crescerem, vamos tirar o arame para que todo mundo possa usufruir do espaço”, afirmou. Mas a mudança já atrai vizinhos e populares que passam pela rua. “Mulheres com carrinho de bebê têm um local para descansar. Muita gente também tira fotos e as crianças adoram”, diz o artesão, que tem planos de ampliar a “reforma” para outras quadras.

No Jardim União, a área pública da rua Ramuel Sramandinoli, ao lado da casa de Alfredo Salim Abras, antes um matagal que incomodava os moradores da rua, agora possui balanço, flores, vasos e locais para passarinhos. Alfredo tem ajuda da mulher e de um vizinho, que estava viajando na semana passada, para a manutenção do terreno. O amigo também revitalizou a parte nos fundos do terreno. Há até mesas e bancos para descanso.

Em alguns casos, a área nem é pública. É o caso do terreno localizado na rua Santo Sônego, na Chácara Peixe, a algumas quadras do restaurante “Os Galeguinhos”. O proprietário, que não tem planos imediatos de construção, autorizou Adelmo Carlos Salandin, 50, a usar parte da área para o lazer. Assim, o que era mato ou terra, passou a ser um ponto de encontro.

Na Chácara Peixe, Alisson e o amigo Nil motram área feita pelo pai

 

O local bem em frente à casa de Salandin virou uma “praça” especial para lazer — e principalmente churrascos. Segundo o filho Alisson Mateus Salandin, 22, era comum a família passar a tarde no terreno, degustando carne e bebendo chope. “Aos poucos, outros vizinhos, até do outro lado do quarteirão, começaram a se unir ao grupo”, diz.

A transformação do espaço durou alguns anos e o local ganhou mesa, cadeiras — a maioria fixas no chão —, enfeites e até casinhas para passarinhos. A árvores que dão sombra ao local festivo ganharam cabaças e até bambus perfurados para que as aves formem ninhos. No verão, há dezenas de ninhadas.

Salandin instalou até mesmo um ponto de energia elétrica, que abastece um pequeno poste de iluminação e tomada para carregar celular. É claro que a churrasqueira não podia faltar. Há até um armário com pratos e temperos, além de um barril com água e uma pia para lavar a louça.

“Quem passa pela rua, aprecia o lugar e costuma se sentar nos bancos. O chato é que a pandemia suspendeu os encontros em família e vizinhos aos domingos. Era um dia para colocar a conversa em dia e rir bastante”, disse Alisson.

Um dos que lamentam a suspensão dos encontros é Nilson Martins, 55, o “Nil”, vizinho da família Salandin. “Quando era possível a reunião, a gente ficava o dia inteiro no terreno. Infelizmente a pandemia não permite mais”, disse.  

 

* Colaborou Toko Degaspari

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