SOCIEDADE

Mudanças no Social são alerta para o fim de projetos renomados na cidade

Aumento da jornada e nomeação de oficiais administrativos para comandar setor são fatores de risco

Mudanças no Social são alerta para o fim de projetos renomados na cidade

Publicado em: 20 de fevereiro de 2021 às 12:48
Atualizado em: 29 de março de 2021 às 07:15

André Fleury Moraes

Setor de Santa Cruz do Rio Pardo que já foi premiado e reconhecido a nível estadual, a área social do município corre o risco de ter seu glamour apagado nos próximos anos.

A situação pode voltar à era tucana e aos primeiros anos de mandato do ex-prefeito Otacílio Parras (PSB), quando cestas básicas a famílias carentes eram suficientes para garantir a manutenção do departamento.

É exatamente isto que sinaliza o aumento da carga horária no Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e no Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), projeto do prefeito Diego Singolani (PSD) aprovado pela Câmara na primeira sessão ordinária do ano.

Apenas Juninho Souza (Republicanos) votou contra o texto. Na mesma sessão, aliás, vereadores aprovaram projeto que deu a diretores da Codesan o benefício de carga horária livre. Também a este, somente Juninho se opôs.

A pasta que cuida do setor já havia sinalizado a extinção de projetos sociais no ano passado, quando a titular Eliane Botelho — com aval do prefeito Otacílio Parras (PSB) — decidiu reestruturar os Centros de Referência e retirou a psicóloga Antiella Carrijo Ramos da coordenação do “Cras Betinha’, que atende as vilas Divinéia, Maristela e Bom Jardim.

Houve protestos, e moradores das vilas ameaçaram deixar de frequentar o Cras caso Otacílio não revogasse a decisão. Em reunião a portas fechadas no gabinete, o ex-prefeito chegou a dizer que ‘ninguém foi demitido’ e que isto era ‘coisa da imprensa’. Ninguém aceitou o argumento, mas Otacílio manteve a demissão.

O aumento da carga horária nos Cras e Creas não vem sozinho. Ele é parte da ‘reestruturação’ iniciada no ano passado por Eliane Botelho.

O problema é que a medida retirou profissionais gabaritados do comando dos Cras e Creas e impôs ao cargo oficiais administrativos — sem vasta experiência na área social.

A consequência é o apagão nos projetos sociais que levaram Santa Cruz do Rio Pardo a prêmios estaduais. Os documentários “Fala, Vila”, que retrata a história da Divineia, e “Fala Bom Jardim”, são exemplo disto.

Lançado oficialmente no final de 2019, o “Fala Bom Jardim” conta os percalços pelos quais passou a Bom Jardim a partir de sua criação, quando ainda era chamada “Vila do Esqueleto”. Naquela época, casas eram erguidas a partir de sacolas plásticas e material de maços de cigarro. Fez tanto sucesso que chegou a ser exibido em um festival de Bragança Paulista-SP.

O documentário relata também a história do desfavelamento da vila e de Ailton dos Reis, o “Ito”, homem negro, LGBT e patrono de uma luta ímpar pelos direitos sociais a que moradores da periferia tinham direito. Ele morreu assassinado em 2005, num crime jamais desvendado. Segundo consta, ele lutava pelo fim do tráfico de drogas na Bom Jardim.

Mas outros projetos também estão sob risco. Foram ações que resgataram a identidade de uma periferia esquecida por muitos anos em Santa Cruz do Rio Pardo.

O ‘Salgadinhos’, idealizado pelo Cras ‘Betinha’, explorou o potencial fotográfico de moradores da Bom Jardim e Divineia e retratou o cotidiano das vilas.

Uma outra oficina de fotografia, de 2018, também foi tema de seminário na capital paulista, São Paulo. O mesmo evento também destacou o “Posso te Ajudar?”, projeto de acolhimento entre as mulheres das vilas.

Desde a reestruturação nos Cras, duas cadeiras já foram trocadas. Lorena Salandin Soares, psicóloga que substituiu Antiella, foi nomeada recentemente diretora de programas e projetos sociais pelo prefeito Diego Singolani.

Mais recentemente, Deolinda Menoni Ferreira deixou o comando do Procon — pasta que trata do direito do consumidor — para assumir a direção geral do Cras.

O efeito prático da dança das cadeiras tem sido a ausência de projetos sociais no setor. Apesar da pandemia, no ano passado o ‘Betinha’ chegou a promover ação que valorizou a escrita entre os moradores da Divineia e da Bom Jardim, que trocaram cartas entre si. Foi a última ação desde então

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