SOCIEDADE

O novo sempre vem

Coluna de Enzo Pellegrino Pedro

O novo sempre vem

Publicado em: 10 de julho de 2021 às 03:14
Atualizado em: 10 de julho de 2021 às 03:14

Outro dia, caminhando com meus cachorros pelas redondezas de casa (de máscara — respeitem o isolamento, a pandemia ainda não acabou!), me deparei com a célebre frase comumente atribuída ao líder pacifista indiano Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Ela está pichada no muro de uma residência, exatamente no cruzamento entre a Avenida Joaquim de Souza Campos e a Rua Hideshi Yoneda, aqui mesmo, em nossa “Terra Santa”.

O significado da frase é óbvio e nos incentiva a fazer nossa parte para que tenhamos um mundo melhor, já que essa mudança, tão desejada, tem que partir de cada um, pelo que não adianta ficar esperando as coisas acontecerem ou partirem de outras pessoas. O que podemos fazer diz respeito a nós mesmos, e não ao outro.

Pois bem. Pensando nisso e analisando como parecemos trilhar o caminho do retrocesso, suprimindo direitos fundamentais, manchando diariamente a Constituição Federal, com enfraquecimento das instituições, incremento da desigualdade em todos os níveis, desrespeito à diversidade, aumento do desmatamento, ataques diários à dignidade dos mais pobres, dos trabalhadores e de todos aqueles que não são absolutamente iguais ao modelo criado para figurar como “cidadão de bem ideal”, qual seria exatamente a mudança que estamos querendo para o mundo?

A sociedade é mutável, dinâmica, está sempre em constante transformação e evolução, e podemos perceber facilmente a adequação do comportamento humano a essas mudanças. Basta pensar em como, hoje em dia, manifestações com teor machista, racista ou homofóbico não são mais toleradas como ocorria há 15, 20 anos atrás, ainda que muitos ainda achem que esse respeito se resume a um injustificável “mi mi mi”.

Na contramão dessa evolução comportamental das últimas décadas, o que vemos nos últimos anos é uma tentativa de resgatar tudo de pior que conseguimos afastar com anos de luta das classes oprimidas. É aí que encontramos as respostas sobre a mudança que as pessoas querem para o mundo, mergulhadas no obscurantismo que é a pedra fundamental para manutenção do poder e da opressão: não querem mudança alguma, tirando aquelas destinadas a rebobinar o mundo ao que era antes, em claro e manifesto retrocesso social.

Feito esse raciocínio lógico, descobrimos o significado maior do que significa ser verdadeiramente um “conservador”, apresentado como aquele que deseja conservar as instituições como são, resistindo às mudanças. A presença massiva dos conservadores justifica essa luta para impedir as transformações, pois não é interessante uma sociedade mutável para aqueles que se encontram no patamar de cima, vivendo uma vida que exige apenas um menor esforço.

Ora, a simples ideia de um futuro de igualdade para as minorias, de tolerância e liberdade para a plena diversidade já se mostra assustador, e o que sustenta essa resistência é justamente o medo dos que conservam consigo o poder de dominação sobre os mais fracos e que vivem num mundo de facilidades no qual o gênero, a cor da pele ou sua religião abrem todas as portas e subjugam a concorrência daqueles que, ainda que mais capazes e preparados, lutam múltiplas batalhas e não se entregam ao delírio coletivo de poder.

Vale a reflexão de como seria essa tal “sociedade abominável” — que não passa de um mundo mais livre e justo para todos —, tão temida e combatida por quem não aceita as diferenças: sem discussões sobre aceitar ou não a diversidade; sem necessidade de discutir igualdades; com cada um podendo ter a religião ou a orientação sexual que bem entender; haveria no Ministério do Meio Ambiente um ministro que não odiasse a natureza; no Ministério da Cultura, alguém que não odiasse a arte; no Ministério da Saúde, alguém que privilegiasse a ciência; no Ministério da Educação, alguém que não odiasse o conhecimento. Parece simples e ao mesmo tempo muito pouco perto do que precisamos e desejamos viver a longo prazo, mas considerando o obscurantismo dos tempos atuais, retomar os rumos é um importante primeiro passo.

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”, mas lembre-se de tentar ser uma mudança positiva, com doses cavalares de tolerância e respeito. Como “o novo sempre vem”, que possa ser melhor que o velho e que este, cansado e ultrapassado, possa finalmente descansar em seu lugar de direito: no passado.

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